Dois e um

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Eva Bovoir

"As horas mais tristes da vida são aquelas em que duvidamos de nós próprios..."

E eu duvidava.

Eu duvidava do que escutei porque era duvidar do meu coração por quem ele escolheu amar, era duvidar de que isso valeu a pena, era duvidar de que tinha sentido.

Então eu tinha chegado, se já não estava claro ao olhar no entorno, numa das horas mais tristes da vida.

- Você mente. Tudo o que quer é me atingir e fazer sofrer. Você me odeia tanto que seria capaz de... - Mas seus olhos gélidos nem hesitam, nem mesmo piscam.

Sem dizer que seu corpo permanece estático de um jeito igualmente assustador.

- Eu matei Ernesto Viena - Repete com a frieza já esperada.

O que não era e veio junto é que me parecia palavras verídicas que de tão incisivas, por meu medo próprio suplicavam muito mais um tapa novamente ao invés desses dizeres que me faziam duvidar.

- Se é para me atacar por eu ter fugido saiba que errou feio. Isso não me atinje já que Hugo sempre me garantiu que Ernesto estava bem.

Eu hesitava e tremia, a insegurança brotando da ponta da língua mas fui até o fim.

Afinal tinha que crer em Hugo ao lembrar dele: Hugo disse, olhou nos meus olhos e nunca desviou um minuto sequer, prefiria saber que era capaz de ver a mentira nos olhos claros assim como via sua devoção.

- Acaso sempre foi tão sincero? Nunca deu motivos para que desconfiasse? - Aquele homem perguntou em relação a Hugo logo que puxou a cadeira de madeira do canto e a virou apoiando os cotovelos no assento a deixando ranger por não estar assim tão completa.

O projeto de espeto agora havia jazido numa mão parada e os dedos tamborilavam no chão para depois começarem os malditos círculos.

Eu tinha que me distrair para que o homem dos olhos de gelo não entrasse na minha mente.

- Quer me manipular. Faz parte da sua tortura querer me deixar louca mas aí vai sua resposta: Não vou cair num jogo que vai foder com minha cabeça tanto quanto a sua está fodida. Só teremos um doente aqui - Avisei destilando desprezo e ele riu.

- Desde o dia que transou com Hugo contra a casa de seu padrasto voltou a falar com ele? - A resposta era não mas...

Ele se aproxima.

- Naquela mesma noite...

- Não...

- Eu me aproximei da casa...

Minha pele inteira suava e o coração zumbia com todo vapor.

- Busquei uma das minhas armas brancas mais afiadas e segui...

Os olhos destilavam prazer ao lembrar.

Ou inventar, já não sei.

- Não houve tempo para pensar assim que ele abriu. Eu o assassinei deferindo um golpe exatamente contra seu coração o perfurando tão certeiro que a morte foi só uma questão de tempo, e que tempo já que eu me deliciei de cada segundo enquanto a cor abandonava a pele e ele se tornava um conjunto de massa morta no universo. Eu desfrutei cada segundo do horror da surpresa Eva... Você não sabe o quanto...

- Não pode ser - Nego encolhendo as pernas - Ele está em Londres - O último disse mais baixo, quase inaudível já que as ondas de desespero mesmo que a primeiro chegava com a força de um maremoto .

- Não está. E é por isso que ele ficava desconfortável ao falar. Porque ele não só sabia como naquele mesmo dia. Ou é realmente tão burra que nunca se perguntou como Hugo sabia que estava correndo perigo?

O pecado de Hugo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora