Sem prévio aviso

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Hugo Crawford

Ao olhar o corpo inerte a minha frente pensei instintivamente em ligar para polícia, mas ao destravar meu celular e dar de cara com o contato de Vicente um segundo recapacitei.

Não parecia ser algo típico, então receio que deveria ser mais cuidadoso.

Caminhei pela casa e procurei álcool até encontrar.

Apaguei qualquer impressão digital comprometedora e olhando aos lados totalmente desertos voltei a minha moto.

Minha cabeça só volta ao eixo no segundo que paro em minha janela, o meu escape nesses dias.

Cliquei no contato e esperei os toques até que ele atendeu com a voz meio abafada e era possível ouvir uma conversação entre ele e uma mulher que implora por ele de volta a cama.

Ao escutar um "só dois minutos Elaina " sei exatamente com quem ele estava transando.

- Poderia me desculpar pela interrupção, entretanto com o assunto que estou em mãos resseio que seria uma falácia dizer que sinto muito por ligar -  Introduzi recordando ainda vividamemte o homem com a mão no peito e os olhos surpresos.

Uma imagem aterrorizante.

- Estou atento - Foi tudo o que me disse e ouvi um barulho que indicava que havia se sentado, menos mal porque precisaria com o que estava passando por minha mente nesse momento.

- Está fora do quarto? Porque se não sugiro que saia do quarto - Mais falações que eu não tinha a menor intenção de escutar depois ouvi passos até que ele para.

- Estou na sala. Agora diga-me - Respirei fundo um minuto e olhei as luzes impassivo.

- Eu encontrei um homem morto, mas  não parecia ser deuma morte qualquer de acordo com seus indícios:  Não tinha sangue ao redor do corpo e ele parecia completamente surpreendido com o feito, além de haver também um recado junto do corpo escrito naquelas canetas de material que desaparece em vermelho vivo. No dito recado fazia-se referência a uma máfia - O silêncio foi tão tremendo do outro lado da linha que escutei inclusive quando ele coçava a cabeça.

Incompreensão.

Se servia de ajuda nem mesmo eu que estava lá fui capaz de compreender.

- Como chegou até isso? - Porque Vicente era muitas coisas, mais boas que ruins, mas definitivamente não era um idiota.

- Acho que chegou a hora de falar tudo o que venho guardando para mim pois suponho que não vai ajudar sem questionar dessa vez, certo?

Por mais que fosse um empregado Vicente era o mais próximo que tive de um amigo e, apenas por isso não obriguei e sim dei-lhe mais que o poder de escolha, estava prestes a entregar-lhe minha confiança.

- Eu comprei uma mulher - Iniciei e ele foi me escutando atentamente, quase tão estático que nem seu maxilar movia-se para falar.

Tudo o que eu tinha do outro lado era sua respiração até o momento que terminei de contar.

Com o conhecimento adquirido  imaginei quando fez menção de falar um milhão de repreensões da sua boca intrometida.

- Então a ama? - Foi tudo o que tive ao invés e para minha total quebra de expectativa.

Segurei-me na parede.

Não era a primeira vez que alguém falava aquilo e da segunda parecia ainda mais estranho para alguém como eu.

- Eu não sei se poderia definir assim. A única coisa que tenho conhecimento agora é que que me importo o suficiente para não deixa-la a mercê de uma ameaça dessa magnitude. Sou advogado e por mais que vá contra minhas convicções devo dessa vez arriscar com uma coisa tão empírica quanto o instinto porque não posso arriscar perde-la não levando isso a sério como parece. Afinal se alguém não está para brincadeiras..bem ... Eu também não estou, nós também não estamos - Avisei determinado passando a mão pelos cabelos agitado.

O pecado de Hugo Onde histórias criam vida. Descubra agora