As mentiras cobram seus preços

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Hugo Crawford

Viro no instante em que escuto a voz, me retesando apenas os segundos que demoraram para reconhece-la.

- Elaina Vidal - Digo assim que me viro soltando a mão de Eva instintivamente.

Queria protege-la da exposição de ter explicar porquês.

- Doutor Crawford, sempre um prazer revê-lo - A dois dias responderia um igualmente entediado mas ainda sim real pois uma figura bonita sempre afaga aos olhos ainda que não se tenha a intenção de tocar.

- O que faz aqui? - É o que me ocorre já que para além de Chicago a encontro do outro lado do mundo.

- Provavelmente o mesmo que você já que somos engajados nas causas ambientais - Eu não tinha a menor idéia de porque isso tem a ver mas então lembro-me que isso disse para conseguir o contrato com a Vidal.

As mentiras cobram seus preços.

- Claro que sim - Assinto com a expressão séria que sempre utilizo com o resto do mundo.

Estranho ou não só Eva consegue me fazer sorrir fora de hora, coisa que gosto mas que também não por não controlar.

Só me pego fazendo.

- Então vamos adiante - Fiquei estático por um segundo antes de fazer as pernas caminharem em sua direção.

- Está havendo no auditório da universidade uma palestra sobre o impacto do capitalismo e a degradação das florestas tropicais, evento que reúnem estudiosos de todo o mundo... - Começa a explicar e fico alheio apenas observando Eva andando mais atrás de nós.

Me inquieta mas não sei como reagir melhor então diminuo meu passo é ficamos lado a lado com Elaina mais a frente e os seguranças mais ainda entre as pessoas de terno a cada momento que nos aproximamos do auditório.

- Sua filha? - Pergunta Elaina finalmente se dando conta da presença de Eva próxima de nós dois.

- Não - Nego rotundamente até um pouco áspero.

- Desculpe a indescrição, mas porque de acordo com o que averiguei você tinha dois. E uma por volta dessa idade - Ficava evidente a forma como não se dirigia diretamente Eva e que não me agrada no mais mínimo já que com seus olhares a outros lados antes que a nós quando chegamos nas portas duplas grandes e entramos num auditório recoberto de cadeiras acolchoadas vermelhas dispostos em forma de escada.

Não era só fascínio. Percebia que ela estava incomoda.

- Não é minha filha é... - Titubiei.

Como simplesmente dizer que tinha por namorada uma menor em fuga?

Não que eu me envergonhasse dela mas de certa maneira o fazia comigo mesmo.

O fato de fugir não significava nada, o que pesava ali pela primeira vez entre nós era a diferença de idades e mundos.

- Sou uma amiga - Explicou me olhando em seguida.

Não consigo entender ao certo o que acontece quando sustenta o olhar e pisca várias vezes a não ser que não está contente.

- Amiga... amiga? Ou outro tipo de... Me desculpe a intromissão outra vez mas é demasiado jovem apesar de igualmente linda - Elogia Elaina na tentativa de quebrar a esfera de nervosismo que se instaurara e nem somente por ela já que nesse então estávamos num local com quase trezentas pessoas e que não parava de entrar mais.

Eva estava demasiado exposta e isso só me fazia tremer e querer sair.

Já tinha em mim que foi uma péssima idéia seguir Elaina afim de manter a máscara do negócio, no final era Eva bem mais importante que isso.

O pecado de Hugo Onde histórias criam vida. Descubra agora