Em algum lugar do céu entre os Estados Unidos e a Rússia .
Hugo Crawford
Naquela manhã úmida em Chicago instintivamente comecei a recordar o porque chegamos a tanto.
Eva matou um homem, e para a polícia este fato pode ser visto igual ou pior que era, já que ademais de garantir a segurança de minha família Vicente sabia o suficiente para me informar que nada foi feito em relação ao padrasto.
Portanto, esconde-la a curto prazo era a melhor opção e muito além de nos meus braços faria a levando a longe da cidade outra vez.
Confessava que era um choque demasiado duro constatar o que de certa maneira estava ciente, ela era menor, mas no momento não foi o suficiente para que não fosse adiante, observando-a assim com o ombro recaindo sobre o meu tenho certeza que nada seria.
Pois, observar era como um vício: Você começava sem maiores pretensões e quando percebia já não conseguia deixar de fazê-lo, qualquer coisa interessante ao redor era motivo de contemplação profunda e minha observação...
Minha observação tinha nome, sobrenome e uma silhueta de neve parcialmente recoberta sobre o lençol.
Daria todos os motivos para que estivesse sempre em minha cama, mesmo que atualmente fosse um banco reclinado de um jatinho.
Minha mão não resiste ao chegar aos seus cabelos que enrolei entre as mãos a fazendo acordar ainda que não fosse meu desejo.
- Desculpe dormir, mas me sinto demasiado exausta - Afirmou liberando-se do lençol fino.
Não a culpava , afinal com todo o estresse que ela estava passando a tão curta idade deveria estar exausta por toda vida.
- Não se desculpe - Disse afastando os meus dedos de seus cabelos, porém ela os busca movendo a cabeça pelo meu ombro até que eu entendesse que não era sobre o que quero e sim sobre o que ela precisava.
- Não espera que eu fique movendo os dedos em seu cabelo não é? - Perguntei aos olhos negros ainda sonolentos e Eva murmurou um sim.
- Não vai acontecer - E então com um movimento ela me surpreendeu e moveu-se outra vez pelo meu ombro até estar próxima ao meu ouvido.
- Você tem que cuidar do que é seu - Ao entrarmos no carro, mais cedo, não pensei em nenhum momento que tornariamos a falar sobre o acontecido pouco depois que a água parou de cair sobre nossos corpos afinal, Eva nem ao menos fitou-me enquanto saí para conversar com Vicente ou no corola a caminho daqui.
Uma única vez sequer.
Com o que escutei olhei ao lado e encontrei seu rosto escondido no meu terno, felizmente os tinha de volta, mas não me olha.
- Eu disse que não podia voltar atrás e você vai me obedecer - Era uma afirmação mas de certa maneira tinha um fundo de pergunta.
Sem a máscara do prazer, somente com a presença da franqueza e da sinceridade senti meu próprio pulso bater uma única vez fora do compasso.
Esse era o indicativo que esperava com ânsia que me confirmasse.
As bochechas despontam coradas quando levantou os olhos que se esbarraram com os meus.
- Penso que com como estou vivendo não posso contar com o peso da mentira. Tenho que contar com o que é real enquanto for possível. Não considero que seria o ideal me deixar envolver. Tem alguém em algum lugar que quer minha cabeça a prêmio e seria o suficiente para só surtar por um tempo. Mas não sei se vai ficar normal ou se ele conseguirá, o que eu sei é que com o tanto que está cuidando-me não posso ser indiferente - Considerei suas palavras absurdamente acertadas até o último instante que é quando viro o corpo inteiro em sua direção e a olho.
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O pecado de Hugo
De TodoHugo Crawford, de 35 anos, tem em si os sete pecados conhecidos e a partir deles criou uma barreira intransponível para tudo, pensava, até Eva Bovoir. Desde que seu olhar parara na jovem, de 17 anos, o magnata soube que não poderia mais voltar atrás...