Eva Bovoir
Chamem-me tola, mas, em toda a vida além de amar imaginei como seria ser mãe.
Levar uma criança nos braços e que ela me amasse da mesma maneira incondicional que eu o faria, seria meu pequeno Remi ou a pequena Cécile e nunca, em hipótese alguma seria um bebê menos que esperado.
Meu marido, porque eu já teria por volta de 25 a 30 anos e estaria casada, seria um homem bom que levava uma vida simples de trabalho árduo que o proporcionava pouco tempo para o convívio familiar, porém o pouco tempo que tivesse seria para amar com todas as forças o lar honesto que edificamos através do amor.
Um lindo conto, mas só isso, um conto.
Que elaborara aos doze anos sem imaginar que poucos anos depois a realidade cairia com força sobre a idealização.
A esmagando e sufocando como eu mesma quando me permito recair contra o chão do quarto sem janelas que parecia ainda menor.
Antes que minha mente se perdesse naqueles pensamentos vou até o único lugar que não risquei e anoto os dois dígitos restantes.
Se alguma única vez houvesse uma possibilidade de sair daqui eu teria como através desse número e ao chama-lo deixaria claro a Vicente que não quero falar nada com Hugo.
Hugo.
Ele não queria ser pai, se já não tivesse motivos o suficiente para me manter longe agora eu tenho, meu "namorado" jamais aceitaria essa criança.
Eu mesma não aceito agora, porém sei que vou em algum momento.
Nos meus devaneios ficaria feliz e esperaria com o exame em mãos meu marido chegar, ele o veria e antes de se dar conta totalmente me tomaria nos braços e nos beijariamos com lágrimas pela revelação que não daria espaço a nada mais que a felicidade.
Mas...
O agora revelava na verdade que eu não conseguia ainda estar feliz, eu só conseguia pensar em quão idiota fui.
Engraçado só pensar nisso nesse instante, não após o sexo incrível e não uma mais duas vezes e o pior é nem saber se foi no meio da rua ou num chuveiro.
Porém, isso não importa mais.
O que é válido é que não preciso sequer de um teste, venho negando alguns sintomas já a alguns dias.
Mal consiguia comer, os enjoos matinais eram frequentes e meus seios estavam mais pesados além de sensibilizados, sem contar a ausência da menstruação.
Era o pior momento para acontecer mais aconteceu.
E Ernesto nem mesmo veria sua neta.
Ainda deitada contra o concreto me enrolo inteira em posição fetal onde com os braços protejo meus joelhos próximo dos seios.
- Talvez Remi não seja mais minha primeira opção de nome - Digo para o nada sorrindo suavemente, para que depois tudo se transformar em pranto e eu enxugar os olhos com as costas das mãos os fechando em seguida.
E não é a fantasia que volta quando eu fecho, na verdade não há mais nada, só minha mão se colocando entre os joelhos e o ventre que acaricio sem tentar entender o porquê.
Isso era real...
***
Mais tarde naquele dia foi o próprio homem de olhos gélidos que trouxe minha comida, não mais um dos outros, normalmente eu recusava-me a comer e esperava até que saísse para fazê-lo com rapidez o suficiente para não perceber que estava aceitando algo dele, mas como agora sabia que não era somente eu me obriguei a comer devagar logo que ele me empurrou um prato de almoço.
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O pecado de Hugo
RandomHugo Crawford, de 35 anos, tem em si os sete pecados conhecidos e a partir deles criou uma barreira intransponível para tudo, pensava, até Eva Bovoir. Desde que seu olhar parara na jovem, de 17 anos, o magnata soube que não poderia mais voltar atrás...