Eva Bovoir
Dizem que após uma larga noite de bebidas é possível que um indivíduo não lembre-se de nada mais, somente no outro dia na dita ressaca, ou na mesma noite, se muito resistente, for capaz de expelir o álcool do seu corpo.
Mas eu não estava bêbada, não dessa vez, ou não das outras mas me sentia vítima de um entorpecente igual onde a boca ficava seca e a perna permanecia tremendo tempos depois de afastar-se.
E eu me lembrava, e sabia que nenhum dia ou outro dia seria suficiente para fazer Hugo Crawford sair de mim, nem que eu o quisesse longe com todas e mesmas forças que o queria perto.
A caminho da rua escura parei um minuto na sensação de que alguém me segue, o que me faz começar a torcer desesperadamente para que não seja ele.
Virei-me, porém, e olhando todo o caminho que já deixei não vejo ninguém e menos sua figura estendendo o olhar sobre a minha.
Se não era o mais assustador dos sentimentos era doença.
Mas com a força e o sôfrego que ocorreu não pode ser, ao menos não um mal que se padecia, mas que igualmente como uma bebida doce inebriava e poderia ser danoso.
Não para mente mas para o peito.
Peguei o celular no meu bolso e após chegar onde Fred me deixou eu ligo.
- Você deu a entender que eu poderia ligar - Lembrei e escutei suas mãos passando pela lateral do cabelo castanho pelo celular.
Depois de longos minutos escutei também uma voz feminina do outro lado o que quase me fez desligar.
- Eu não quero atrapalhar sua noite é só que ... - Fred me deu um ultimato através do seu "shi" e automaticamente refreio os meus lábios.
- Você nunca atrapalha. É sem dúvidas a melhor parte do meu dia. É só que
..Digo eu .... Anna está de volta - Comecei a imaginar a figura esguia o encarando no telefone da mesma maneira que vi na TV.Olhos claros, cabelos absurdamente loiros e um porte impressionante.
Não poderia viver com o aviso constante de que ela era toda uma mulher enquanto eu era só uma menina, a menina amante de quem foi seu marido.
Fred foi capaz de entender bem antes.
- Estou indo para aí - Mas mesmo sabendo disso e que era uma má idéia ele decidiu que valia a pena pagar para ver o que era corajoso, gentil e sobretudo tolo, já que colocava demasiado em jogo.
Seria mais fácil se fosse ele minha bebida.
Mas ele era Marguerite e meu paladar era acostumado ao Amaretto.
Em quantas doses eu pudesse ter antes do devido adeus.
Ainda sentia a sensação de te-lo dentro de mim enquanto possuia meu corpo com demasiada força, como me acostumei a gostar depois dos traumas.
De sua boca chupando minha língua enquanto puxava meus cabelos e imobilizava a cabeça para que pudesse se apossar de mim inteira, sem que ofereça resistência.
Mas o que falar sobre a boca de Hugo Crawford?
Era simplesmente o maior paradoxo que já me deparei, não que em minha curta vida tenha lidado com vários mas ainda que tivesse uns quarenta anos tenho certeza que ele disparadamente permaneceria sendo o mais complexo, pois ao mesmo tempo que sua boca faz de suas maravilhas ao longo do meu corpo com seus beijos molhados e suas mordidas atrevidas em todos os espaços que reivindicava como seu, era capaz de dizer coisas que com o mesmo magnetismo que aproximava afastava me fazendo estar a míngua num oceano de confusão esperando sempre que alguém pudesse me salvar de mim provando que não sou mais independente como fora, para bem ou para mal eu dependo dele, mas não como uma doença, sim como um vício que não tenho certeza se quero me livrar totalmente como tinha a uma semana atrás.
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O pecado de Hugo
RastgeleHugo Crawford, de 35 anos, tem em si os sete pecados conhecidos e a partir deles criou uma barreira intransponível para tudo, pensava, até Eva Bovoir. Desde que seu olhar parara na jovem, de 17 anos, o magnata soube que não poderia mais voltar atrás...