Hugo Crawford
Nossas cabeças são como cápsulas.
Nelas armazenamos fatos mas a diferença desse recepiente, na verdade nem todos são bons.
Talvez em 1937 ninguém pensara nessa outra função, que as vezes aquele presente momento não precisava ser guardado para lembrar depois, ou melhor, aqueles momentos.
"- Você acha que ele chegará
mamãe? - Pergunto - Há abaixo da árvore de natal olhando a vastidão de presentes.
Trocaria todos pela compahia dele.
O telefone toca e no auge da alegria dos três anos corro e atendo.
- Não vou chegar. Tenho muito trabalho e diga aquele menino idiota que não chore. Ele já tem idade para entender que é um homem - E desligou sem nem sequer ouvir uma resposta do outro lado.
Aquele menino era esse menino ..."
E depois desse dia, esse menino não achou que valeria a pena chorar.
Entretanto não cumpriu.
Afinal eram três anos somente para entender que meus pais nunca se amaram e que era tudo jogo de aparências, inclusive um amor por mim da parte dela já que ele não se importava nem com demonstrar isso.
"Passei por sua porta e escutei barulhos. Aos sete, as crianças ficavam demasiado curiosas assim aproximo meu ouvido.
Sons estranhos demais provinham dali e não consigo identificar, de maneira que para entender eu girei a maçaneta e encontrei uma mulher sobre o corpo do meu pai, que não era minha mãe.
Esta, do contrário, segurou meu ombro calmamente e retirou-nos de lá antes que ele percebesse.
- Quem era ela? - Porque mesmo sem entender o que era sabia que estava errado.
- Hugo, não dê tanta importância as pessoas que seu pai pode chegar a circular. Elas não são nada. E portanto, não importam nada. Dessa forma, apenas finja que não escuta e não vê - Avisou e saiu como se nada tivesse acontecido ..."
Mas mesmo que para os dois não houvesse qualquer dano aos poucos a visão que eu tinha do meu pai, e até da minha mãe ia se acabando.
" Era de imaginar que em nenhum momento importante esteve lá também, minhas formaturas, os natais, nada.
Todo e qualquer contato que eu poderia estabelecer com ele era através de coisas que ele gostava, e eu não era uma delas.
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O pecado de Hugo
De TodoHugo Crawford, de 35 anos, tem em si os sete pecados conhecidos e a partir deles criou uma barreira intransponível para tudo, pensava, até Eva Bovoir. Desde que seu olhar parara na jovem, de 17 anos, o magnata soube que não poderia mais voltar atrás...
