Capítulo 9

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Afonso

Um mês e meio havia se passado desde a partida do Rei Augusto e Catarina, tudo no castelo estava bem, mas os preparativos para o casamento começaram a aparecer desde essa semana e isso me lembrava que meu tempo estava acabando e que logo Catarina voltaria e eu me casaria com ela. Permaneci presente em todas as reuniões reais a respeito da mina, não que as outras não fossem importantes, mas ela era prioridade no momento e pelo que tudo aparentava a volta dos trabalhadores na mina já estava sendo possível e logo, logo voltaria ao normal, como eu havia imaginado, logo não precisaria me casar.

Com esse tempo que eu tive foi o suficiente pra conhecer Amália totalmente, e ela era uma mulher incrível, trabalhadora, honesta, humilde e um pouco encrenqueira. Visitei sua simples casa e conheci seu Pai Martinho. Foi muito bom passar esse tempo com ela, mas ela temia que fosse rejeitada, já que se casar comigo a faria dela rainha. Sempre aconselhei a ela não pensar nisso, pois o importante era estarmos juntos. Por ele eu me tornaria até um plebeu. Mas mesmo com toda felicidade que estava sentindo, tinha um pressentimento de que algo ruim iria acontecer e isso começou nesta manhã.

Ao chegar na sala do trono, vi que os conselheiros da minha avó estavam um pouco perturbados, sobre o que? Eu iria descobrir.

- O que se passa minha avó? O que está acontecendo para tal tormento de seus conselheiros?

- A mina Afonso.

- O que aconteceu? – Perguntei preocupado.

- Uma explosão, meu neto. Creio que barris de pólvora que estavam perto do local e devido a movimentação, por causa dos terremotos foram esquecidos, e agora com a tentativa de retomada... Algo aconteceu uma parte da mina explodiu, ficou mais difícil de ter acesso aos minérios.

- Não posso acreditar minha avó, quando achei... – meus pensamentos se perderam em meio de tal revelação e apenas pensei que precisava avisar a Amália, precisávamos pensar em alguma coisa.

- Afonso, vá agora preciso que você confira umas coisas do reino. Cássio o aguarda na entrada do castelo com as instruções.

- Sim, minha avó. – Reverenciei e deixei a sala.

O resto do dia foi realmente uma correria resolvendo assuntos reais e tratando de acordos, mas no fundo da minha mente só me vinha o pensamento de que não ficaria com Amália e precisava pensar em algo o quanto antes, para resolver essa situação. Por passar boa parte do dia fora não consegui vê-la, mas ao chegar no castelo, não achava ela em lugar algum. Como já era tarde da noite iria procura-la amanhã em sua casa bem cedo.

*

Infelizmente o meu plano de sair pela manhã bem cedo falhou, mais assuntos em relação a mina retornaram à sala do trono e permaneci até que achássemos uma solução, mas infelizmente as notícias não eram as melhores. Assim que tive um tempo livre procurei Amália pelo castelo e mais uma vez, não a encontrei, onde ela estava? Pedi aos guardas que aprontassem meu cavalo e assim que pude, sai do castelo a procura dela, aos seus amigos da feira perguntei, todos alegam não tela visto, ontem depois de sair do trabalho, nem agora de manhã. Estava começando a ficar preocupado, então fui até sua casa e quando cheguei lá meu coração parou. A casa estava queimada, destruída, nada havia sobrado, será que...? Não, não isso não pode ter acontecido me recuso a acreditar, meu coração despedaçou ao imaginar que algo havia acontecido com ela, desci do cavalo e quase não conseguia ficar em pé.

A mulher que era vizinha deles estava aos prantos, junto com sua família e amigos ao redor, ela contava em meio aos soluços a eles, que ouvi gritos de socorro à noite, mas não pode fazer nada, não havia como entrar e não tinha ninguém para lhe ajudar, seu filho tomou a vez sobre o assunto e disse que encontrou a mãe em choque sem conseguir dormir.

Nesse momento a única coisa que consegui fazer foi entrar no meio da conversa e me abaixar até onde estava a mulher, ela se espantou ao me ver em sua frente, mas isso não importava no momento, o que ela estava pensando não me interessava, eu só queria saber se alguém tinha saído de lá.

- Algum deles sobreviveu? Amália? Martinho? – ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas e não me respondeu apenas chorou. Mas seu filho falou por ela.

- Não vossa alteza, infelizmente, pelo que tudo indica não sobreviveu ninguém. – Depois de perceber o estado em que eu fiquei devido à resposta o jovem apenas terminou dizendo. – Sinto muito.

Eu me levantei subi no meu cavalo e cavalguei sem rumo, sem direção. Não era possível isso ter acontecido, como eu a perdi? Porque isso estava acontecendo? Parei perto de um penhasco até onde a minha cavalgada me levou e sentei em meio as pedras ali perto e nesse pouco instante que tive, permiti minha dor se espalhar por meu peito e chorar pela perda. Porém mal eu sabia que mais um problema estaria por vir.

*Desculpa qualquer erro :)



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