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Capítulo 12

—O que está fazendo aqui garoto?

—Eu trabalho aqui!

—Não precisa ficar aqui, é só dar comida e vazar.

—Quem não tem que estar aqui é você, Jelena. Você já fez o necessário. Pode vazar. — disse e ela riu.

—É melhor você ir, não é Barbara? — ela disse e olhei para Barbara que tinha os olhos marejados.

Barbara demorou a encarando, mas assentiu uma só vez um pouco amuada e a olhei assustado pela sua atitude. Olhei de volta para Jelena e ela sorriu forçado.

—Anda garoto!

—Vou ajudar ela e sair, tenho autorização de Rodger para estar aqui. Agora sai! — disse firme e ela sorriu falso.

—Tudo bem. Coma tudo Barbara. — ela disse num tom de voz provocador e saiu.

Quando olhei novamente para Barbara o seu rosto estava molhado e seus olhos deixavam as lágrimas caírem em excesso.

—Barbara, você precisa me contar o que houve. — disse a olhando e ela negou com a cabeça.

—Nada, nada, nada...

Barbara estava claramente perturbada e eu sabia que tinha a ver com aquela nova enfermeira.

E se ela encostou um dedo sequer em Barbara...

Respirei fundo e enxuguei seu rosto, a fazendo me olhar atentamente. Sorri fraco e abri a marmita, começando a lhe servir com calma.

—Precisa ficar bem. — sussurrei. —Eu falei com uma pessoa que pode te tirar daqui.

—Eu nunca vou poder sair. — ela sussurrou e vi seus olhos marejarem novamente.

—Estou tentando te ajudar para que fique bem, Barbara. Aí depois eu te tiro daqui, tudo bem?

—Promete? — ela implorou chorando e senti meu peito apertar.

—Eu prometo.

Sem que eu esperasse ela veio até mim de supetão e deixou um selinho rápido em meus lábios, pegando a colher da minha mão e comendo em seguida como se quisesse disfarçar.

Sorri com aquilo e dei um longo suspiro. Acariciei seu rosto, a fazendo me olhar e senti uma vontade enorme de beijar seus lábios lentamente e ficar assim por horas.

—Quer me contar o que houve no sábado e no domingo aqui?

—Não foi nada. — ela disse baixo e voltou a comer.

—Então você está bem? — perguntei levantando seu rosto delicadamente para que ela me olhasse e vi seus olhos marejando. 

—Não.

—Se você me disser... — ela colocou o dedo em minha testa e deslizou até a ponta do nariz, fazendo com que eu me calasse e sorrisse. —Esse é um jeito de dizer que eu tenho que calar a boca?

—É como eu gosto de você.

Barbara sussurrou, mas foi o suficiente para fazer meu coração acelerar como se eu tivesse em uma maratona.

Ela voltou a comer como se nada tivesse acontecido enquanto eu a encarava com cara de bobo e tentava conter meu sorriso.

—Eu vou descobrir quem fez isso com você, e vou resolveu isso, okay? — perguntei segurando sua mão delicadamente, mas ela nem se moveu.

—Gosta de mim? — ela perguntou e sorri.

—Muito, muito mesmo.

—Que tamanho? — a voz dela era doce e baixa, como nunca antes.

—Que tamanho? Nossa... Deixa eu pensar...

—Do tamanho da estátua da liberdade? — ela perguntou e eu ri.

—Conhece o lugar?

—Na tevê. — ela disse baixo e voltou a comer.

—Hm... Então, gosto de você mais do que o tamanho dos mares. Já viu os mares na tevê?

—Já. — ela sussurrou olhando para sua comida e vi suas bochechas vermelhas, tive que rir.

—Então, o que achou?

—Muito grande.

—Muito grande. — confirmei sorrindo e ela me olhou.

—Pode ficar aqui hoje?

—Aqui? — perguntei acariciando sua bochecha.

—Sim. Não quero ficar sozinha. — ela disse baixo e deitou a cabeça em minha mão.

—Não acho que Rodger permite, mas eu posso vir aqui mais vezes. Tudo bem? — ela suspirou, mas assentiu.

Notei que ela tinha terminado de comer e fechei a marmita. Iria levar, até que me lembrei que a colher não estava ali.

Olhei para Barbara um pouco mais sério e ela olhou para os lados discretamente, como se quisesse disfarçar.

—Barbara?

—Sim?

—A colher. — disse calmo.

—Não está aí?

—Se mentir, não posso acreditar que gosta de mim, Barbara. — disse firme e vi seu semblante cair.

—Eu gosto.

—Então você pegou a colher?

—Sim. — ela sussurrou.

—O que ia fazer com ela?

—Tentar me matar. — ela balbuciou olhando para o chão e encostou a cabeça na parede.

—Promete que vai parar?

—Eu não...

—Promete? — a cortei olhando em seus olhos e ela soltou o ar pesadamente.

—Prometo. — ela disse baixo e estendeu a colher para mim.

Sorri pequeno e me aproximei dela deixando um beijo demorado e delicado em sua testa. Barbara segurou meus braços e deitou a cabeça em meu peito, me fazendo sorrir.

Acariciei seus cabelos agora trançados e beijei o topo da sua cabeça a ouvindo respirar com calma, me transmitindo uma paz absurda.

—Preciso ir agora, babe.

—Eu sei. — ela balbuciou e se afastou devagar.

Barbara voltou a desenhar na parede e balbuciar coisas desconexas. Suspirei e levantei levando agora a marmita e sua colher.

* * *

Estava ajudando Nathan com um dos pacientes que estava tendo surtos e espasmos violentos no meio da madrugada — provavelmente por aqueles remédios — e ouvi um único grito.

Eu conheceria aquele grito em qualquer lugar do mundo. Era Barbara.

—Nathan, eu preciso...

—Preciso amarrar o cara! Não vai sair daqui sem me ajudar primeiro!

—Mas e...

—Você está aqui para servir a todos, Zayn. Não é o superman da maconha. — ele disse sério enquanto segurava um dos braços do cara e grunhi.

Meu coração estava batendo forte e acelerado, sentia necessidade de correr até lá e saber o que estava acontecendo.

Como se aquilo fosse combustível, segurei firme o braço do cara e Nathan o amarrou com habilidade e assim que vi que estava imobilizado saí correndo dali.

Assim que cheguei na porta do quarto de Barbara e abri rapidamente vi a mesma chorando com o rosto coberto por suas mãos e a maldita enfermeira segurando toda a extensão do seu cabelo em uma mão e com uma tesoura na outra.

[...]

Psicopatia • z.mOnde histórias criam vida. Descubra agora