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Capítulo 27

Barbara se encolheu e pelos seus olhos arregalados pude ver claramente que estava assustada. Confesso que até eu estava.

Levantei devagar, mas Barbara me puxou firmemente e cravou as suas unhas em meu antebraço me olhando exasperada.

—Não vai! Não vai!

—Preciso saber o que é, babe.

—Zayn... — ela sussurrou desesperada e suspirei.

—Fica calma, meu amor. — disse mesmo nervoso e beijei o topo da sua cabeça.

Barbara lentamente soltou meu braço, mas continuou com seu olhar assustado enquanto eu me distanciava até a janela.

Respirei fundo e olhei atentamente para a viatura parada na rua. Um policial desceu do carro e caminhou até a minha porta.

Ouvi as batidas e olhei para Barbara assustada no sofá enquanto se encolhia parecendo perdida sobre o que estava acontecendo.

Abri a porta devagar e logo vi o homem fardado me olhando seriamente nos olhos.

—Zayn Malik?

—Sim. Sou eu.

—Nós encontramos Henric.

—Espera, o quê? — perguntei completamente incrédulo.

—Nós o encontramos. Estava sob efeito de álcool e precisávamos de um teste com as digitais e DNA, mas é ele.

Não pode ser verdade.

Depois de tantos anos finalmente iria rever o meu pai? Ele foi dado como morto após desaparecer quando eu tinha uns sete anos e agora aparece?

Não pode ser!

Apesar de assustador, ele era a única pessoa da minha família que me restou. Contar com alguém da sua família são coisas que não tem preço.

Sei exatamente o que é não ter mais ninguém.

—Bem, ele está em um quarto de hotel perto da delegacia e disse lembrar de você. Quer o endereço?

Meu coração batia extremamente forte e não hesitei em assentir e dizer que sim múltiplas vezes, ansioso por ver meu pai depois de tantos anos.

Olhei para Barbara que ainda estava assustada no sofá e sorri para lhe passar tranquilidade. O policial me entregou um pequeno papel rasgado de seu bloco de notas com o endereço e agradeci.

Fechei a porta assim que o policial saiu e então notei que estava com as mãos trêmulas ao segurar aquele papel.

—Z....

—Encontraram o meu pai, babe. — disse sorrindo largo e a vi franzir o cenho. —Ele estava desaparecido desde que eu era criança e agora encontraram ele!

Notei que estava emocionado demais e Barbara sorriu pequeno. Retribuí e então ela levantou rápido e veio ao meu encontro, me dando um abraço forte.

A toalha que ela usava enrolada ao seu corpo caiu e tentei respirar fundo para controlar meu desejo. Abaixei-me e peguei a tolha.

Porém foi uma péssima ideia.

Tive uma visão ainda mais privilegiada de seu corpo nu e não consegui não apreciar cada detalhe dela minuciosamente.

Toquei seu tornozelo enquanto ainda estava abaixado e subi meus dedos delicadamente pela parte interna de sua perna.

—Por favor... — ela sussurrou com a voz trêmula e só então notei que estava assustada.

Droga!

Retirei minha mão de seu corpo imediatamente e esfreguei meu rosto, me sentindo quase fora de minhas faculdades mentais.

Era coisa demais acontecendo em muito pouco tempo e minha vida nunca foi tão agitada como está sendo agora.

—Eu só estava te fazendo um carinho, babe. Só isso.

Vi que ela engoliu a seco e desviou o olhar. Levantei e enrolei o seu corpo novamente com aquela bendita toalha.

—Preciso ir para o hotel onde meu pai está. — disse baixo e ela assentiu. —Vamos?

—Eu estou muito feia e não tenho roupas, Zayn. Não quero te envergonhar. — ela disse baixo e franzi o cenho.

—Me envergonhar? Você é a mulher mais linda que já vi até usando meus trapos, não quero que fique sozinha.

—Eu posso ficar desenhando e esperar você. — ela disse baixo.

—Se você ficar sozinha vai se machucar novamente.

—Não! Não vou! Eu prometi! Nós renovamos a promessa! — ela disse me olhando com genuinidade e sorri.

—Não vai ficar com medo?

—Só se você demorar muito. — ela sussurrou e sorri ainda mais.

—Prometo que vou ser rápido. — disse e ela assentiu.

—Seu pai é bom? — Barbara balbuciou e assenti.

—Ele é o melhor cara que já conheci.

—Você está feliz?

—Estou, meu amor. — disse sorrindo e acariciei seu rosto delicado.

—Então eu estou. — ela disse e sorriu fraco, fazendo o meu coração derreter.

Abracei-a novamente e deixei um beijo extremamente demorado em sua testa. Logo, deixei um beijo também em seus lábios e sorri.

—Você é perfeita, meu amor. — disse e a vi corar.

***

Depois de uma conversa franca e exageradamente emocional com o meu pai, nunca me vi tão feliz em minha vida.

Tinha sofrido um acidente enquanto viajava a trabalho e perdeu parte de sua memória durante todos esses anos. Mas, como um milagre, ele recuperou algumas memórias.

Abri a porta da minha casa ansioso para que meu pai conhecesse a mulher da minha vida e pedi para que ele sentasse.

Estava me sentindo um garotinho novamente. Meu coração estava demasiado cheio, porque agora tinha meu pai e Barbara ao meu lado.

Não era mais um cara sozinho.

Entrei no quarto e vi Barbara sentada na cama usando uma camisa minha enquanto desenhava atentamente em um caderno.

Sorri largo e sentei ao seu lado na cama, deixando um beijo em sua bochecha. Ela me olhou sorrindo, largou o lápis e beijou meus lábios.

Que mulher maravilhosa!

—Babe, o meu pai está na sala e eu queria muito que vocês se conhecessem. Vocês dois são tudo que tenho na vida e...

—Tudo bem. — ela sorriu fraco e assentiu.

Beijei seus lábios novamente um pouco mais demorado dessa vez e peguei sua mão. A levantei da cama e caminhamos até a sala.

—Pai, essa é minha namorada, Barbara. E Barbara, esse é Henric, o meu pai. — disse sorrindo.

Todavia, assim que o meu pai virou para olhar Barbara ela começou a gritar alto e de forma extremamente desesperada.

—NÃO! NÃO! VOCÊ NAO! ZAYN! NÃO!

—Barbara! — disse angustiado e segurei seu rosto, mas ela se soltou violentamente. Estava fora de si.

—SAI DAQUI! VAI EMBORA! NÃO!

—BARBARA, O QUE HOUVE? — perguntei assustado tentando segurar suas mãos e ela já chorava enquanto arranhava seu próprio rosto.

—É O MEU PAI!

[...]

N/A: NÃO ME MATEM!!!

Psicopatia • z.mOnde histórias criam vida. Descubra agora