Fugas irremediáveis

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Quando Dinah abriu os olhos aquela manhã, de um sono perturbado e agitado, havia um figura vestida impecavelmente a sua frente
- Oi - sussurrou envergonhada e ambas olharam ao mesmo tempo para a bebê nos braços de Dinah que dormia pesadamente
A loira voltou a fita-la, incrivelmente linda dentro de uma calça jeans surrada, suéter de linha com a gola alta, branco e um blazer de veludo molhado, verde escuro por cima, além das botas de montaria negras e perfeitamente lustradas. O cabelo negro preso num alto rabo de cavalo que evidenciava seu rosto belo.
Ela usava maquiagem. Lauren só usa maquiagem para trabalhar em dias importantes
Havia algo errado. Haviam muitas coisas erradas.
E ela iria fazer o que fosse para descobrir.
- O que você tinha, Lauren? - perguntou, lágrimas inundando seus olhos
Fora um inferno.
Ver sua esposa correndo e saber que ela estava com dor, saber que não podia correr atrás dela porque tinha que ficar com Camila e... Não entender o porquê.
Ela sentia no fundo de si, que havia algo muito errado em tudo aquilo.
A angústia lhe consumira por todas as três horas que Lauren sumira, das 05:00 da manhã até as 08:00 quando seu corpo, exausto, cedera a um sono atormentando depois de ligar incontáveis vezes para Lauren
- Eu me senti mal, acho que algo que comi me pegou - disse simplesmente, dando de ombros de forma desinteressada - Me perdoe pelo sumiço, não queria te deixar preocupada Sweetie - sorriu doce - Foi uma noite tão difícil, ela teve alta já, falei com o Dr. Andrew e já comprei a medicação que ele prescreveu... Ah! Trouxe roupas pra vocês, por que não toma um banho hum? - indicou o banheiro de forma gentil como só ela sabia ser - Eu fico de olho nela
Dinah se ergueu com cuidado e então, atordoada, mas acima de qualquer coisa, exausta, pegou a pequena maleta negra e se dirigiu ao espaçoso banheiro do quarto
Ela só precisava de força para formular as perguntas e encurralar sua esposa contra a parede, pois bem sabia que Lauren fugiria de lhe dar respostas tal como o diabo foge da cruz.
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Lena olhava cuidadosamente e discretamente para suas patroas enquanto elas tomavam café em completo silêncio. Sabia também, que algo estava errado.
Geralmente, o café da manhã com a Sra. Jauregui por perto era sempre uma festa feita por Dinah, que falava o tempo inteiro arrancando olhares encantados da sua esposa
Agora, elas nem sequer se olhavam
O cansaço e tristeza eram presentes, visíveis.
- Por que não dorme um pouco hum? - Lauren sugeriu a sua esposa, erguendo-se da mesa - Eu vou acertar umas coisas da nossa viajem e dar uma olhada em outras no escritório, quando você acordar, cuidamos das malas - sorriu doce antes de beijar a testa da mais nova e sair
Dinah continuou comendo em silêncio
Não sabia nem por onde começar.
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- Sim... Sim... 14%... Forrest - a voz rouca era ouvida desde a sala, possivelmente ao telefone no escritório - Não vou renovar a licitação com eles Tina... Não vou... - Dinah sabia que era algo sobre a licitação e o contrato que a Jauregui tinha com os Forrest, e que Lauren não gostava nada dos termos deles
Apertou o robe de cetim bege contra o corpo tentando espantar em vão, o frio, enquanto caminhava com toda a sua autoconfiança até onde estava sua esposa
- Isso... Peça para capitão ficar pronto perto das 17:00, quero chegar em Londres ainda hoje... Só isso... Sim... Obrigada Tina - a ouviu terminar a ligação com sua secretária de extrema confiança, a asiática doce e calma, Cristina, ou só Tina como ela preferia
Os olhos verdes encontraram os seus e ela sorriu
- Oi querida, conseguiu descansar? - perguntou preocupada
- Lauren, me diga o que aconteceu hoje - a mais nova exigiu
- Dinah... - tentou fugir
- Me d-i-g-a - Dinah soletrou entredentes
A respiração profunda da mais velha foi ouvida por todo o cômodo
- Já te disse que passei mal
- Não vou cair nessa Jauregui - Dinah quase rosnou - Foi o mesmo na escola de balé, você surtou e me deu uma desculpa esfarrapada, o que houve?
Lauren passou a mão no brilhante cabelo, uma clara tentativa de se acalmar
- Lembranças ruins - disse simplesmente e se calou
- De...? - sua esposa voltou a exigir respostas
- Passado - a britânica respondeu o óbvio
- Sim Lauren! Mas que lembranças?! Não é normal!
- Eu não gosto de falar disso amor - soltou tão calma como antes
- Mas eu quero saber, Lauren, tô com medo - confessou
- Meu Deus Dinah! Medo de quê?! - foi a vez de Lauren aumentar o tom de voz
- De você! Do jeito como você age! O que você esconde?! - gritou frustada
- Nada! Amor, nada! Eu não escondo nada de você... - garantiu, indo até Dinah e a segurando gentilmente pelos braços
- Você esconde sim Lauren e eu não entendo porquê, você sabe tudo sobre mim...
- E você, sobre mim - a Jauregui garantiu novamente
- O que aconteceu no Royal Ballet? Por que você saiu? - Dinah indagou
- Ora, eu não gostava mais de balé - mentiu de forma rápida
- Você adora balé Lauren! Ama! Me diga a verdade!
Lauren a largou frustada, ela não iria falar sobre isso
Dinah assistiu furiosa sua esposa ir até sua mesa e lhe dar as costas, respirando bem fundo
- Surtou na escola de balé e depois, quando Camila falou aquilo... Você sabia exatamente o que disser, sabia o que ela precisava ouvir... - Dinah juntou as peças daquele vago quebra cabeça - Lauren... Você já passou por isso... Por isso, sabia o que fazer, não é? - questionou a figura de costas
- Não, Dinah. Eu nunca passei por nada parecido, nunca vi nada parecido e não quero falar disso
- Você falou que eram lembranças, lembranças dos seu passado... Você passou pelo mesmo que Camila!
- Merda Dinah! Já te disse que não quero falar sobre isso! - Lauren gritou, furiosa
- Você tem que falar! Como eu vou ficar no seu próximo surto?! Que desculpa vai me dar?! E as dores que você sente?! São ataques de pânico e... - Dinah também explodiu - Amor... Me deixa ajudar você, nós podemos resolver... - quase suplicou
- Você não entende DJ, ninguém entende... São coisas minhas, só minhas... Não tem o que fazer, não há como remediar - Lauren sentenciou finalmente se virando
- Então não vai me falar? - a voz saiu magoada
- Não, você não precisa saber disso
- Cacete Lauren! Preciso sim! Eu sou sua mulher, quero te ajudar! Quero saber tudo sobre a mulher que eu amo! - berrou a plenos pulmões
- Mas você não ama ele! - Lauren gritou com toda a sua força - Você também não ama ela! Sabe por que Dinah?! Porque eu sou quem você ama! Sou eu! Sou eu quem importa, quem está aqui! E dessa Lauren, você sabe tudo - sentenciou, finalmente se virando pra sua esposa
Os olhos verdes novamente, seriamente perturbados
Seu olhar era pura e verdadeira dor, de uma maneira como Dinah jamais havia visto em ninguém
- Então por favor - Lauren prosseguiu segurando as próprias lágrimas com força enquanto as de Dinah já jorravam - Esqueça esse maldito assunto e vá fazer suas malas para irmos
Dinah respirou fundo, tentando se controlar
- Eu não vou pra Londres com você - falou
Lauren engoliu em seco
- Pois bem, eu vou só então - sentenciou - Preciso ir
- Não, não precisa - a loira soltou seca, a raiva lhe consumindo
- Sim, preciso. Preciso mostrar a Chris e Taylor que existe luz no fim desse infernal túnel que é a família Jauregui
E então, saiu do escritório deixando Dinah, perplexa
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Ela lhe deu as instruções sobre como medicar e cuidar de Camila de forma impessoal, tal como tratava seus assuntos de trabalho. Depois, sem nem lhe olhar nos olhos, pegou a mala e saiu pela porta da frente pedindo somente para ser informada sobre a bebê e sua saúde.
Dinah Jauregui ficou fitando a porta fechada de sua casa, logo depois que ela saira
Em seu peito, um enorme e dolorido vazio
Nunca se sentira tão só ou tão confusa
Sacou seu iPhone e digitou o número amado e conhecido
A voz doce, igual a sua, veio no quarto toque
- Querida? - perguntou de forma alegre
- Mamãe... - Dinah tentou segurar o choro - Quero ir pra casa... - sussurrou e então, desabou.
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Here Comes the SunHistórias para pegar e não largar. Descubra agora