— Você está bem?
— Eu jurava que você não estava falando comigo.
Aurora respondeu friamente à pergunta de Remus que andava ao seu lado até a sala da professora de Transfiguração, ela estava irritada e chateada ao mesmo tempo e era perceptivo em sua voz fraca e em seu rosto abatido por conta do seu choro. Remus evitou o olhar para garota após a sua resposta e continuou caminhando até chegarem na sala de aula.
— Sentem-se. – a professora mandou aos três alunos e eles se sentaram nas carteiras em frente à Minerva McGonagall — Eu esperava mais do seu comportamento, senhor Lupin.
— Eu posso explicar.
— Não tem nenhuma explicação concreta para agredir um colega dentro da escola. Vocês vão fazer a Grifinória perder cento e cinquenta pontos. – ela o interrompeu e parou o seu olhar em Aurora — Senhorita Waterhouse, você agiu corretamente em interferir na briga ou eles iriam acabar se matando. Por isso, eu concedo trinta pontos à Grifinória.
— Obrigada. – Aurora agradeceu com a voz fraca e limpou as lágrimas que escorriam de seu rosto.
— Se eu souber de mais alguma gracinha, vocês serão expulsos. – McGonagall ameaçou e mandou os dois garotos se retirarem — Aurora, eu gostaria de dar uma palavrinha com você. Senhor Lupin, você não se chama Aurora, pode se retirar da minha sala.
Remus saiu e encostou o seu ouvido na porta com a esperança de ouvir a conversa entre Aurora e a professora McGonagall mas o som estava sendo abafado por algum feitiço.
— A sua mãe me enviou uma carta. – a bruxa falou e andou até Aurora — Sinto muito, Waterhouse. Nós estamos fazendo de tudo para investigar o que aconteceu com ele, até mesmo o Ministério da Magia já está ciente.
— Ele foi morto por bruxos? – perguntou Aurora com a cabeça abaixada na carteira.
— É uma hipótese. – McGonagall respondeu — O seu irmão já sabe do ocorrido?
— Não, a minha mãe me mandou uma carta e pediu para não contar à ele.
— Certo. Se você precisar de um tempo para ir até a sua casa, avise para mim ou Dumbledore.
— Obrigada. – Aurora se levantou da mesa e fungou o seu nariz — Eu tenho aula de Poções.
— Pode ir.
Aurora saiu da sala de Transfiguração e se deparou com Remus encostado ao lado da porta. Ela o encarou por alguns segundos e continuou andando em direção às masmorras.
— Nós podemos conversar? Por favor.
— Não. – disse friamente para o garoto — Eu não estou com tempo nem paciência para conversar com você agora.
— Você não pode me evitar para sempre.
— Quem começou a me evitar foi você. – disse Aurora, esbarrando propositalmente no garoto de cicatrizes no rosto.
A garota caminhou até as masmorras e adentrou na aula de Poções com Remus logo atrás dela. A aula já havia começado e eles receberam um olhar curioso do professor Horácio Slughorn.
— Nós vamos trabalhar a poção Wiggenweld em duplas como na última aula. Se reúnam com a sua dupla, por favor. Vocês tem uma hora para terminar.
Aurora abriu o livro enquanto aguardava a sua dupla da última aula se reunir ao seu lado.
— Vou buscar o caldeirão. – Remus resmungou do assento ao lado.
Ele se levantou e caminhou até uma estante de caldeirões, Remus voltou em instantes e colocou gentilmente o caldeirão em cima de um queimador na mesa após ter esbarrado em uma cadeira de madeira. Um silêncio permaneceu entre os dois alunos enquanto Aurora lia os ingredientes e o modo de preparo para si mesma.
— Você pode ler em voz alta? – Remus perguntou.
— Adicione sangue de salamandra até a poção ficar vermelha. – Aurora leu e soltou um suspiro.
— Obrigado. – Remus murmurou e adicionou o ingrediente no caldeirão até ficar na cor indicada pelo livro — Você sabe que nós vamos precisar ter uma conversa mesmo que você não queira.
— Agora não, Remus.
— Eu estou preocupado. – a voz do garoto ficou mais próxima para Aurora — O que você leu naquele bilhete?
A respiração de Aurora ficou presa em sua garganta e o seu coração acelerou por um momento ao se lembrar da carta de sua mãe. Se controle, Aurora, a menina pensou, mas mesmo assim, algumas lágrimas caíram sobre o livro de Poções e Remus não deixou de notar o seu choro.
— Uma coisa ruim aconteceu, não foi?
— Aconteceu. – Aurora limpou o seu rosto com as suas mãos macias — O meu pai morreu.
— Eu sinto muito. – o rosto de Remus demonstrou uma expressão chocada — Eu sinto muito mesmo, Aury.
— Não me chame assim. – Aurora engoliu seco — Por favor.
— Desculpa. – ele encarou a garota — Eu fui estúpido com você. Eu nem quis te ouvir depois do que aconteceu em Hogsmeade.
— Era tão difícil entender que eu não escolhi beijar o seu melhor amigo? – Aurora cochichou — Você me evitou por duas semanas.
— Waterhouse e Lupin, se concentrem na poção.
— Tudo bem, professor. — Aurora assentiu e ficou em silêncio durante o preparo da poção.
A sineta tocou e todos os alunos da Lufa-lufa e da Grifinória saíram da sala de Poções. Remus parou Aurora na porta da sala nas masmorras e lhe deu um abraço quente e demorado.
— Obrigada.
Remus não falou uma palavra em resposta ao agradecimento de Aurora. Todos os alunos estavam indo em direção às suas próximas aulas, exceto por Aurora que foi uma das únicas que decidiu ficar andando pelos corredores antes da sua aula de Astronomia e acabou se deparando com Sirius que segurava um papel molhado de sangue em seu nariz. Ele passou direto mas voltou atrás para falar com Aurora.
— Aurora?
— Sim – Aurora respondeu com indiferença.
— Eu queria pedir desculpas pela minha atitude totalmente sem noção. – Sirius murmurou — Eu fiz você ficar sem falar com Remus, foi algo muito idiota.
Aurora apenas concordou com a sua cabeça e Sirius continuou sem olhar em seu rosto por alguns minutos até acabar com o silêncio entre eles.
— Amigos?
— Amigos.
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COURAGE - REMUS LUPIN
Fiksi PenggemarEm meados da década de 1970, a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts se tornou a segunda casa de Aurora Waterhouse, uma nascida-trouxa que tinha sido agraciada por uma habilidade conhecida como legilimência. Pertencente à Grifinória, a bruxa se enq...
