Os irmãos Waterhouse se despediram após um longo abraço e Edward se encaminhou para a sala da professora Minerva McGonagall com a intenção de se justificar devido a sua falta na aula de Transfiguração. O cachorro continuou encarando Aurora e não ousou em seguir Edward por todo o castelo.
— Por que eu sinto que você é o Sirius? – ela perguntou enquanto olhava com desconfiança para o cachorro de cor preta. Ela se aproximou e acariciou o pelo do animal — Talvez você queria ouvir a conversa ou apenas consolar o meu irmão em um momento difícil.
O cachorro torceu o seu focinho e Aurora deu um sorriso fraco ao notar a transformação do cachorro em um garoto de cabelos longos e bagunçados e com as suas vestes encharcadas e em uma situação lamentável. Sirius mexeu em seu cabelo e encarou Aurora com os braços cruzados.
— Eu sabia que você iria procurar o seu irmão para contar hoje. – ele explicou — Foi aí que eu pensei em deixar ele distraído com algo para não lembrar dos problemas. Aliás, eu adorei o carinho que você me fez enquanto eu era um cachorro.
Aurora e Sirius deram risadas animadas.
— Ele perdeu a aula de Transfiguração.
— O seu irmão quer ser jogador de Quadribol, essa matéria não é importante para ele. – Sirius riu e Aurora não parecia estar convencida da sua explicação — Ele não vai reprovar por conta de uma aula.
— Mas ele é meu irmão, eu me preocupo com ele. Edward é desligado em relação às aulas, pode ter certeza de que não é a primeira vez que ele falta em uma aula.
— Eu não vou julgar você porque não sei como é ter um irmão.
— Mas você tem o Regulus.
— É, mas não é a mesma coisa que você e o seu irmão. – Sirius lamentou.
— Perdão, eu não queria te deixar chateado.
— Não precisa pedir perdão, eu entendo. Sabe, eu considero você como a minha irmã, o Remus, o James e Peter como os meus irmãos. – Sirius fingiu um sorriso em seus lábios — Não é a mesma coisa mas é um começo.
— Você também é o meu irmão de mentirinha, Black.
Sirius estendeu os seus braços e Aurora lhe deu um abraço que aqueceu o seu coração. Gentilmente, ele tocou os cabelos ondulados da garota e ela deu um sorriso singelo e verdadeiro depois de muitos sorrisos falsos ou desanimados. As palavras de Sirius eram completamente verdadeiras. Aurora, os Marotos, Dorcas, Lily, Marlene, todos eram irmãos em uma família postiça, era como uma casa em que todos se encontravam quando era necessário. Afinal, a nossa casa é o lugar para onde vamos quando precisamos de ajuda. A casa de Aurora era o amor e a sinceridade de seus melhores amigos.
— Eu acabo de lembrar que hoje é dia de visitar Hogsmeade. – Sirius deu um sorriso animado.
— Não estou afim de ir até Hogsmeade. – Aurora murmurou — Eu não estou em um dia bom.
— Ninguém está em um dia bom, Aurora. É por isso que devemos ir até lá para tomar uma cerveja amanteigada, eu juro para você que é a melhor solução para um dia triste.
— Eu vou pensar na minha resposta final.
Os dois adolescentes caminharam em silêncio até o castelo, em busca do salão comunal da Grifinória. Todos os alunos tinham um horário livre antes da visita até o povoado de Hogsmeade e Aurora ainda não havia se convencido da sua ida até o local, mesmo com a insistência de seus amigos.
— Vocês podem ao menos me respeitar um pouco? – ela se irritou após a vigésima vez em que escutava Marlene dizendo que Aurora não se importava com ela e os outros amigos — Eu só não estou com vontade. É normal.
Aurora se ajeitou em suas cobertas no sofá do salão comunal e Sirius, Remus, James, Lily, Peter e Dorcas ficaram a encarando com uma certa indignação.
— O que é? – Aurora perguntou, cruzando os braços.
— Se você não for, eu não vou também. – Remus se sentou ao lado de sua namorada e ela lhe deu um empurrão devido ao espaço pequeno e apertado — É assim que você trata o amor da sua vida? – ele deu entonação em sua fala.
— Você me machucou.
— Remus, você não está esquecendo de nada? – James piscou na direção de seu melhor amigo no sofá. Logo em seguida, ele olhou para Lily com os braços cruzados ao seu lado.
— Verdade – Remus se levantou com entusiasmo e encarou Lily. A garota não notou que os garotos a observavam com os olhos fixos nela — Aurora, nós precisamos da sua presença.
— Eu só vou se você me levar ao meu lugar preferido de Hogsmeade.
— Está brincando? Eu não vou te levar naquele lugar ridículo. Aurora, tudo menos a casa de chá estúpida.
— Eu pareço estar brincando com você? – Aurora retrucou e se levantou do sofá com os nervos à flor da pele.
— Eu detesto aquele lugar, Aurora, é o lugar mais horrível do mundo.
— Não exagera, Remus. É isso ou eu vou continuar debaixo do meu cobertor.
— Tudo bem. – Remus suspirou com raiva e caminhou até a saída da sala comunal — Vamos antes que eu desista e volte correndo para o dormitório.
Aurora comemorou a sua pequena vitória e correu até o namorado, abraçando o redor de seu pescoço com o braço direito. Remus deu um sorriso falso por conta da insistência de Aurora em ir em um lugar que ele odiava apenas por ser pequeno, cheio de pessoas com muita intimidade e com uma harmonia que deixava qualquer pessoa com um certo enjoo. Apesar de não entender o porquê de Aurora adorar a casa de chá Madame Puddifoot, ele sempre concordava em ir com a garota mesmo com um pouco de ressentimento.
— É a última vez que eu vou com você. Eu juro por Merlim e todos os bruxos importantes do mundo. – Remus reclamou e segurou a mão de Aurora enquanto eles andavam pelo castelo até a saída.
— Não me provoque. – Aurora riu — O que James quer fazer? Vocês ficaram encarando a Lily enquanto ele perguntou se você não estava se esquecendo de algo.
Remus conferiu se Lily estava próxima deles e se aproximou do ouvido de Aurora para dar um cochicho.
— Ele vai pedir a Lily em namoro.
— Que coragem – Aurora ironizou enquanto analisava James conversando com Sirius e Peter — Você acha que a Lily vai aceitar o pedido de namoro?
— Nada é uma certeza. – Remus sorriu e ergueu uma de suas sobrancelhas enquanto olhava para o rosto da loira ao seu lado — Lê a mente dela. Assim, você descobre se ela gosta mesmo do James e nós podemos evitar uma tragédia.
— Nós? Quem lê mentes sou eu.
— Você entendeu, Aurora. – ele deu risada — Você não vai ler a mente dela?
— Não – ela sorriu, marota. — Nós vamos ter uma surpresa.
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COURAGE - REMUS LUPIN
FanficEm meados da década de 1970, a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts se tornou a segunda casa de Aurora Waterhouse, uma nascida-trouxa que tinha sido agraciada por uma habilidade conhecida como legilimência. Pertencente à Grifinória, a bruxa se enq...
