CAPÍTULO VINTE E SEIS

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O casal de namorados da Grifinória andava pelas ruas de Hogsmeade após a saída da casa de chá estupidamente rosa e entediante. Eles estavam sem os outros estudantes de dezesseis anos e se encontravam em silêncio em frente à vista ampla para a Casa dos Gritos, onde Remus ficava durante as suas transformações na Lua Cheia. Aurora notou a presença de lágrimas nos olhos de Remus e pousou a cabeça no ombro do garoto desolado. O garoto colocou a sua mão sobre os cabelos ondulados de sua namorada.

— Eu não consigo imaginar a sua dor diante de tudo. – comentou ela com os olhos fechados. Ela pensava nos momentos difíceis pelos quais Remus havia passado desde a sua infância — Você era uma criança. Como alguém tem a crueldade de cometer algo tão ruim com um ser inocente?

— Eu sei de toda a história antes de acontecer a mordida. – Remus soluçou — O meu pai já estava trabalhando no Ministério da Magia e acabou insultando um lobisomem, Fenrir Greyback, ele se revoltou e me mordeu à noite.

— Ele é um Comensal da Morte.

— Eu sei.

— Eu não sei o que eu faria caso encontrasse ele algum dia. – Aurora cuspiu as palavras, raivosamente.

— Eu não acho que fazer qualquer coisa contra ele me ajudaria de alguma maneira.

— Você já é um lobisomem, tudo bem. – ela cochichou com cautela para impedir a escuta de outras pessoas no povoado — Mas, nós poderíamos impedir ele de morder outras crianças. Chamar ele de cruel é um elogio.

— Certo, eu não tiro a sua razão. – ele fungou as suas narinas e limpou as lágrimas escorregadias em suas bochechas pálidas.

O garoto ajeitou o seu moletom e se virou de frente para a namorada. Ele colocou as mãos no rosto dela e abriu um sorriso extremamente fraco. Eles possuíam quase a mesma altura e Aurora não precisou se inclinar para lhe dar um beijo íntimo e demorado.

— Eu me sinto tão bem ao seu lado.

— Eu também, Aluado. – ela sorriu e acariciou os cabelos macios do garoto. Após alguns minutos o encarando, ela deu risada.

— O que foi?

— Acabo de lembrar que não fomos ver o pedido de namoro.

— Você só quer ver porque acha que a Lily não vai aceitar namorar com o James. – Remus riu — Eles também achavam que você não ia aceitar nem olhar para mim direito quando eu contei da minha paixão platônica.

— Como você se apaixonou por mim?

— É uma história complicada. Eu te conto tudo em breve. – ele sorriu e deu um beijo na testa de Aurora.

Juntos e de mãos dadas e dedos entrelaçados, eles caminharam lentamente até os Três Vassouras. Alguns bruxos estavam aglomerados ao redor do bar e Aurora sentiu um arrepio percorrendo o seu corpo, algo lhe dizia que uma coisa terrível havia acontecido no povoado de Hogsmeade.

— Nós precisamos procurar por eles. – ela comentou, se referindo aos seus amigos e às suas amigas.

— Eles disseram que estariam no Três Vassouras. Não estou os vendo.

— Eu não sei o que é mas algo está me dizendo que coisas ruins aconteceram, nós precisamos encontrar eles.

— Você tem poderes de probabilidades ou instintos?

— Eu não faço a mínima ideia. – Aurora começou a caminhar, seguindo o seu instinto, e Remus a seguiu por obrigação.

Em alguns instantes da preocupação de Aurora, Sirius, James, Dorcas, Lily e Peter estavam andando sem rumo pelo vilarejo. James e Lily estavam abraçados pelo braço do adolescente e os outros estudantes conversavam sobre assuntos aleatórios. Todos se distraíam e não estavam nem um pouco atentos a sua volta, menos Peter Pettigrew. O garoto de estatura baixa reparava em todas os cantos de Hogsmeade e ninguém estranhou a sua atitude. Peter sempre fora um garoto calado e introvertido, até mesmo estando próximo aos seus únicos amigos, mas o garoto estava um pouco diferente do seu comportamento normal.

Os seus amigos não imaginavam mas Pettigrew era um jovem de muitos mistérios escondidos como o seu envolvimento com alguns seguidores de um bruxo temido no mundo mágico, Lord Voldemort. Ele escondia esse segredo obscuro com medo de perder os seus únicos amigos.

— Estávamos procurando vocês!

Aurora gritou e alertou os pensamentos dos adolescentes distraídos.

— Nós combinamos de nos encontrar lá nos Três Vassouras. O que aconteceu? – ela perguntou e todos deram de ombros — Está a maior confusão na frente do bar.

— O que aconteceu? – Dorcas ficou curiosa.

— Não sabemos. – Remus balançou a sua cabeça para os lados. Ele reparou em Aurora que se atentava em Peter mas não se importou com o fato.

Porém, a bruxa legilimente observava com atenção o garoto cheio de nervosismo e se preocupava em não perder o seu foco na leitura da mente dele. Ela sentia que algo estava de errado com um dos melhores amigos de seu namorado. Aurora sentiu o impacto do uso da legilimência com uma forte dor de cabeça mas o que havia descoberto era o suficiente para temer a confiança de Pettigrew.

— Dorcas.

— Uhm? – a amiga se alertou com o chamado de Aurora.

— Eu acabo de descobrir que ele é perigoso. – ela desviou o seu olhar para Peter. A jovem Meadowes estava confusa com as palavras de sua melhor amiga — Não estou mentindo.

— É uma acusação séria. – cochichou Dorcas — O que você descobriu sobre ele?

— Ele é um dos seguidores de Voldemort!

O grito de Aurora saiu com a maior facilidade, como se a garota desejasse soltar aquelas palavras e não prendê-las em sua mente um pouco perturbada. Os garotos a olharam com um tom curioso e surpreso e Marlene e Lily e levaram as suas mãos à boca quando viram Aurora apontando o dedo indicador para Peter.

— Aurora, você está bem? – Peter gaguejou ao chamar o nome da garota e se aproximou dos braços de Aurora.

— Não encoste em mim. – ela sacou a sua varinha em sinal de defesa e atenção.

— Aurora, abaixa a varinha. – Sirius mandou e se aproximou dela — Você deve estar nervosa. Peter nunca seguiria um bruxo como Voldemort.

— Não. Eu não estou nervosa. – gaguejou — Eu posso descobrir algumas coisas que eu não gostaria de descobrir sobre as pessoas. Vocês sabem. Ele mente para vocês sobre muitas coisas.

— Ela não está mentindo. – Dorcas murmurou com um pouco de dificuldade.

— Vocês precisam acreditar em mim. Por favor. – a garota marejou os seus olhos após a sua tentativa de ganhar a confiança de seus amigos.

Uma mudança no clima afastou os olhares de Aurora para uma área cercada por árvores cobertas por flocos de neve, um som de passos e risadas abafadas cercou o pensamento dos alunos da Grifinória. Dorcas se alertou como a sua melhor amiga e apanhou a sua varinha do bolso de suas vestes, colocando-se à frente da melhor amiga ao ver um bruxo de características horrentas surgindo de uma névoa escura.

— Avada Kedavra!

O raio de luz verde rápido da varinha do homem atingiu Dorcas em seu peito e a garota desmaiou nos braços de Aurora com os seus olhos sem vestígios de vida, inanimados. Aurora lançou um feitiço de estuporar na direção do bruxo e em Peter, ainda segurando Dorcas e após ver que os feitiços atingiram em cheio os seus oponentes, ela se jogou ao chão com a melhor amiga em seus braços.

— Não!

Ela chorou e soluçou ao mesmo tempo enquanto sacudia o corpo de Dorcas sem obter respostas.

A sua melhor amiga havia padecido em seus braços.

COURAGE - REMUS LUPINOnde histórias criam vida. Descubra agora