CAPÍTULO VINTE E QUATRO

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Todos os olhares curiosos se mantinham em Aurora, provavelmente a notícia de que ela havia encarado um Comensal da Morte se espalhara para todos os bruxos de Londres. O Ministério da Magia estava ciente do acontecimento, mas Aurora não sentia tranquilidade em relação ao fato, não confiava nem um pouco naqueles que diziam estar no controle da situação.

— Bom dia, Aurora. – Remus deu um beijo na bochecha da namorada que a alertou para sair de seus infinitos pensamentos.

— Bom dia, Aluado. – ela deu um sorriso.

— Já falou com o seu irmão? – perguntou Remus e o sorriso se desmanchou no rosto dela — Perdão, eu não queria deixar você chateada com a pergunta.

— Não precisa me pedir perdão, Remus. – Aurora deu dois toques no banco para que o garoto se sentasse ao seu lado. Ele se sentou e a observou na espera de uma explicação — Eu prometi que vou contar ao Edward assim que vê-lo.

— Conte comigo se você precisar de ajuda.

— Eu adoraria, mas é algo que eu preciso resolver sem a sua ajuda. – Aurora sorriu — As minhas palavras soaram como grosseiras?

— Não.

— Não? – ela duvidou da sua resposta e leu a mente do seu namorado. Ele não havia interpretado de uma forma ruim — Tudo bem.

— Você leu a minha mente. – Remus suspirou — Você deveria acreditar em minhas palavras às vezes. Seria bom para o nosso relacionamento.

— Eu já disse que não posso controlar a minha curiosidade.

Aurora se aproximou do rosto de Remus e depositou um beijo em seus lábios. Eles se separaram e se levantaram da mesa da Grifinória com a intenção de andar pelos corredores na procura de Edward. Aurora sabia o horário de seu irmão e ele estava na aula de Transfiguração no exato momento, o seu próximo horário seria livre e a sua irmã estava decidida a encontrá-lo após a aula de Minerva McGonagall.

— Faltam cinco minutos. – Remus consultou o seu relógio em seu pulso. Ele se colocou na frente de Aurora e deu um beijo em sua testa fria — Não fique nervosa. Eu tenho certeza de que você vai conseguir contar para ele.

— Obrigada. – ela sorriu — Você não se importaria de me deixar sozinha por esses minutos? Por favor.

— Claro. Nós nos vemos na aula de Poções.

— Até a aula.

As mãos de Aurora suaram após a saída do seu namorado e ela se aproximou da porta para a sala de Transfiguração. Ela se sentou no piso gélido ao lado da sala de aula e os cinco minutos pareciam ter se tornado horas inacabáveis até o toque do sino invadir os meus pensamentos. Alguns alunos primeiranistas saíram da sala com os seus rostos decepcionados e Aurora se levantou do chão, o seu irmão não estava entre os alunos na saída da aula.

— Bom dia, senhorita Waterhouse. – a voz severa da professora McGonagall assustou Aurora na porta da sala de aula — Eu gostaria de perguntar sobre o seu irmão.

— Eu também gostaria de perguntar sobre o meu irmão. – Aurora fez uma expressão confusa em seu rosto — Ele não estava na sua aula.

— Ele está bem?

— Sinceramente, eu não faço a mínima ideia. Eu estava procurando ele na sua aula mas parece que ele perdeu o seu horário.

— Procure o seu irmão e diga que ele pode me esperar na minha sala. – a bruxa ajeitou os seus óculos e caminhou até a porta de sua sala — Tenha um bom dia, Waterhouse.

A professora fechou a porta de sua sala de aula e Aurora se viu em conflito confuso ao perceber que seu irmão havia perdido o horário de uma aula, ele nunca faria isso sem uma explicação concreta, portanto Aurora foi em busca de Edward para entender o acontecimento gravíssimo — a professora McGonagall estava furiosa com o garoto e Aurora havia notado só pelo tom de suas palavras.

Na área florestal do castelo, Edward se divertia com um cachorro de médio porte e cuidava dele como se fosse o seu melhor amigo. O garoto de onze anos havia perdido a sua aula de Transfiguração mas não dava a mínima pois estava ocupado com o seu divertimento. As suas vestes estavam lambuzadas com terra e molhadas devido a uma chuva intensa que caiu sobre ele e o seu companheiro animal.

— Edward Waterhouse!

— Nos demos mal, amigão. – Edward congelou ao ouvir o grito de sua irmã mais velha — Oi, Aurora.

— Você deixou de ir para a aula de Transfiguração para brincar com um cachorro? – Aurora exclamou ao ver o cachorro escondido atrás das pernas de seu irmão — Francamente, você não tem medo de desafiar a professora McGonagall? Ela é uma bruxa severa.

— Eu sei. Mas, você sabe que eu adoro cachorros, eu não queria desafiar a professora. – Edward olhou para o cachorro — Não precisa ter medo, amigão. Ela só está brava comigo.

— Não estou brava com você. Eu só quero que me prometa que não vai fazer isso de novo.

— Eu prometo. – Edward sorriu e cruzou os seus dedos atrás de suas costas.

— Eu preciso conversar com você sobre um assunto sério.

— Eu já entendi que está brava comigo por minha falta de atenção.

— Não, Edward, é sobre outro assunto. – Aurora arranjou forças do além para se manter calma diante da situação — Um assunto mais complicado.

Edward jamais viu a sua irmã com uma expressão tão séria em seu rosto em todos os seus anos vivendo na mesma residência. Aurora não obteve uma resposta inusitada do seu irmão diante da situação complicada e percebeu que Edward havia entendido a gravidade do assunto entre eles.

— Pode começar, Aurora.

— Eu gostaria de começar dizendo que eu me sinto mal em não ter te contado desde o início mas a nossa mãe me impediu. – Aurora deixou as lágrimas escaparem de seus olhos — Eu sinto muito mesmo. Eu só queria que isso fosse um pesadelo do qual eu pudesse acordar em breve.

— O que está acontecendo?

A jovem da Grifinória suspirou. As lágrimas caíam descontroladamente, afastando a coragem de contar a verdade para o seu irmão mais novo. Ele apenas a observava com uma expressão de preocupação. Quando viu as mãos trêmulas de Aurora, ele estendeu a mão direita e segurou a mão da irmã em um sinal de apoio, independente do que fosse dito por Aurora.

— O papai morreu. – Aurora soluçou.

O menino sentiu um vazio percorrendo o seu corpo e consumindo a sua sanidade mental. Ele olhou para Aurora e a garota escondeu o seu rosto com as suas mãos. Foi a vez de Edward derramar lágrimas por suas bochechas molhadas por conta da chuva e Aurora correu para abraçá-lo.

— Perdão por ter escondido algo tão sério de você.

— Não precisa dizer nada, Aurora. – Edward sussurrou e apertou a cintura de sua irmã no abraço — Eu só preciso de seu abraço.

Um abraço de um familiar era tudo que Aurora também precisava desde o momento em que recebera a carta de sua mãe com a lamentável notícia.

COURAGE - REMUS LUPINOnde histórias criam vida. Descubra agora