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O grupo inteiro me encarava como se eu estivesse tentando montar um quebra-cabeça sem bordas.

— Então deixa eu ver se eu entendi... — começo, respirando fundo. — O Will desapareceu, vocês acharam a On — que, aparentemente, foi criada num laboratório maluco de Hawkins e tem poderes. Certo?

— Certo! — todos respondem ao mesmo tempo, quase como um coral.

— Aí tinha um monstro chamado Demogorgon, que depois virou o tal Devorador de Mentes... vocês acharam o Will... a On fechou o portal... e agora ele voltou?

— Isso! — repetem, sincronizados de novo.

Eu cruzo os braços, olhando pra cada um deles como se estivesse tentando decidir se eles enlouqueceram ou se a doida sou eu.

— Loucura. — concluo.

Mike joga as mãos pra cima.

— Ah, cara, fala sério!

— Eu tô falando! — rebato. — É loucura! Uma loucura... uma loucura verídica, se é que existe isso.

— O que é uma loucura verídica? — On pergunta, franzindo o nariz.

— Uma loucura verdadeira. — Max traduz, como se fosse óbvio.

Nancy estreita os olhos pra mim.

— Você já sabia... — murmura, desconfiada.

Jonathan reforça:

— Como?

Sinto todos me cercando com o olhar. A pressão subindo. Meu estômago queima — e não é fome.

— Não importa. — digo firme.

Lucas cruza os braços, empacado.

— Importa sim!

— CALA A BOCA, LUCAS! — minha voz ecoa sem pedir licença. — Eu não quero falar disso, tá? Só acho que a gente devia focar em achar um jeito de acabar com esse monstro de merda!

O silêncio cai pesado.

Steve respira fundo ao meu lado.

— Eu... eu concordo. — diz, meio surpreso com ele mesmo.

Lucas ainda insiste:

— Não, eu quero saber! Você não morava aqui. Como você sabe?

A lembrança bate forte. Como soco.

Eu fecho as mãos.

— EU JÁ MOREI AQUI, Lucas! — minha voz falha, mas eu seguro firme. — Eu passei as piores fases da minha vida nessa cidade. Depois fui embora. Satisfeito?

Mike murmura, meio perdido:

— Acho que melhorou agora...

Lucas olha pra cada um e decide — do nada — que ele é o dono da razão.

— Gente, não é melhor a gente conversar na minha casa?

Jonathan coloca ordem.

— Claro. Vamos. — abre a porta do carro. — Entrem.

Nancy sorri educada.

— Obrigada.

— Não há de quê. — ele devolve.

Eu observo os dois e deixo escapar:

— Wow. Que fofos.
Mas eu não tenho a vida inteira, tenho coisas pra fazer.

Lucas dá a pior escolha de palavras possível:

— Ah, claro... ela tem que encontrar o Pitter!

Steve vira pra mim na hora.

Stranger Things 3Onde histórias criam vida. Descubra agora