6

1.1K 69 2
                                        

*POV ONZE*

Meu peito queimava, minha respiração saía curta, rápida. Minhas mãos tremiam.

— On? — Mike me segurou pelos ombros e me puxou para um abraço. Senti ele tremer junto.

— O que aconteceu? — Max perguntou, preocupada.

— O que você viu? — Lucas insistiu.

Balancei a cabeça, as lágrimas já descendo.

— Eu não posso... — sussurrei.

— Por que não? — Nancy se aproximou.

— Porque... só ela pode falar. — minha voz falhou. — Ela guarda essa mágoa sozinha. Ela... ela sofreu muito. Eu só... só ela pode contar.

— Mágoa? Desabafar? — Steve deu um passo à frente. — Pera aí, eu quero saber!

— Cara, ela não pode falar — Jonathan tentou acalmar. — Eu também tô curioso, mas...

Nancy suspirou fundo.

— Gente, é melhor irmos pra casa. Tá tarde.

Todos começaram a se dispersar... mas Mike ficou comigo.

Ele tocou meu rosto.

— On... você pode confiar na gente.

Engoli seco... e antes que ele perguntasse de novo, eu finalmente falei:

— Eu... eu vou contar. Mas... não fiquem com raiva dela.

Todos pararam. Voltaram. Me cercaram em silêncio.

Meu coração batia forte.

— O que você viu? — Lucas repetiu, mais baixo dessa vez.

Fechei os olhos... e comecei.

— Eu... eu vi ela numa festa. — falei, engolindo o choro. — Ela estava rindo... parecia feliz. Um garoto... o Vitor... ele disse que amava ela. E ela disse que amava ele também. Eles se beijaram... mas quando ele tentou ir além, ela disse que não estava pronta. Ele... não ouviu.

Max prendeu a respiração.

— Depois... — continuei — ela apareceu numa lanchonete. Ela estava nervosa... com medo. Tentava chamar o Vitor. Ele ignorava. E quando ela enfim conseguiu falar... ela disse que estava grávida.

Todos arregalaram os olhos.

— E o que ele fez? — Steve perguntou, a voz baixa, tensa.

— Ele disse... que o filho podia ser de qualquer um. — As lágrimas voltaram. — Que não acreditava nela. Ele disse... que a solução era... o aborto.

Nancy levou a mão à boca.

Jonathan fechou os punhos.

— Depois... eu vi ela trabalhando numa peixaria. A senhora Henderson... ela trouxe uma boneca pra ela. De pano. De coração. Como se soubesse que ela precisava de... alguma coisa.

Mike baixou a cabeça.

— Eu vi ela voltando pra casa... pedindo perdão pra mãe. E a mãe... deixou ela deitar no colo. Ela chorou muito.

Por um momento ninguém falou nada.

— E então? — Lucas perguntou, mas agora com a voz fraca.

— O Vitor levou ela até uma clínica. Disse que não podia entrar. Só deu dinheiro. — As palavras pesavam. — Era uma clínica horrível. Suja. Escura. Ela estava segurando a boneca... tremendo. Perguntou se ia doer. Ninguém respondeu direito.

Stranger Things 3Onde histórias criam vida. Descubra agora