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Empurrei o Steve e entrei na sala. Todo mundo virou pra me olhar como se eu tivesse aparecido caída do teto.

— O que que é? Virei quadro famoso? Ou vocês me amam tanto que tão obcecados por mim?

Nancy só bufou.
— Deixa quieto... vamos procurar alguma coisa útil nessa tralha que vocês chamam de esconderijo.

Eu revirei os olhos.
— Só se for pra nunca mais achar. Isso aqui tá pior que meu quarto.

Max e On me puxaram pro canto.

— Julie?
— A gente queria conversar com você sobre garotos...

— Comigo? Por que não com a Nancy?
— Ela é a irmã do Mike!
— Faz sentido. Tá, do que vocês querem falar?

Max ficou meio sem jeito.
— O que você acha dos garotos?

Suspirei, tentando segurar o que vinha.
— Bom... eles são estúpidos, insuportáveis, medíocres, chatos, mentirosos e babacas. Eles... eles são muito babacas.

A lágrima ameaçou cair, mas limpei rápido.

— Dá pra escutar, sabia? — Steve falou do outro canto.

— Só disse minha opinião... eu... eu tenho que ir.

— Mas uma das regras é permanecer aqui pelo menos meia hora! — Mike reclamou.

— Algumas regras foram feitas pra serem quebradas.
E saí antes que vissem meu rosto.

Só queria chegar em casa e chorar. Mas sorvete era mais fácil.

*POV STEVE*

— Vamos ver o que ela vai fazer!
— NÃO! — Nancy cortou na hora.

— Por que não?
— Vamos ver o que ela já fez...

— Tipo o passado dela? — Max perguntou.

— Ou por que ela é estranha? — eu falei. — Tô dentro.

— Steve! Ela não é estranha!
— Você não reclamou na hora do beijo! — Lucas fez barulho de beijo até On gritar o nome dele.

— Pessoal, foco! — Jonathan chamou.

*POV ONZE*

— On, o que você tá vendo? — Mike perguntou.

— A Julie... em uma festa.

A visão ficou nítida.

"— Eu te amo... — o garoto dizia.

— Eu também... eu também te amo.
Eles se beijaram. Ele tentou avançar e ela recuou.

— Vitor... eu não tô pronta ainda...

— É só deixar rolar, gata...

A expressão dele não era carinho. Era pressão.

[...]

— Vitor? — ela chamava. — Vitor, me escuta!

Ele nem olhava.

— Fala, garota.

— Eu estou grávida.
Ele finalmente virou o rosto.

— O quê?

— Eu estou grávida, meu amor!

— Eu não acredito nisso. Esse filho pode ser de qualquer um. Isso se você estiver grávida mesmo.
Julie quase desmoronou.

— Eu juro que é seu...

— Só tem um jeito de resolver esse problema. O aborto.

[...]

A mãe deixava uma boneca em cima do balcão.

— Já que você não tem consideração por mim, eu tenho por você. É de pano mas é de coração. Obrigado por me receber de viagem.

Ele foi embora.

— Mãe?

[...]

— Mãe?
— Sim?

Julie correu até ela.

— Me perdoa?
A mãe hesitou, depois abriu os braços.

— Sempre... vem.
Julie chorou no colo dela.

[...]

— É aqui.
— Vem comigo... eu tô com medo!
Ela apertava a boneca.

— Não posso. Tenho coisa pra fazer.
Ele entregou dinheiro, como se fosse lixo.

[...]

— Julie Henderson?
— Aqui...

— Por aqui.
O consultório era frio, horrível.

— Entra — o doutor disse.

— Vai doer?
Silêncio.

— Conta até cinco.
1...2...3...4...5...

A lágrima caiu no momento em que ela apagou.

[...]

On caminhava sozinha até encontrar Julie, segurando a boneca.

— Julie?
Ela virou devagar.

— Eu gostava dele. Eu não queria fazer isso. Eu era uma menina... eu tava com medo... e ninguém tava do meu lado pra me ajudar.

— Não foi sua culpa... eu vou te ajudar.

— Agora já é tarde. Olha o que eles fizeram comigo!
Ela mostrou o 021 marcado no braço.

— Ele não me quer por perto. Ele me quer morta.

— Ele quem?

Julie levantou o olhar, cheio de desespero.

— O Devorador de Mentes."

"

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Stranger Things 3Onde histórias criam vida. Descubra agora