Em Hawkins, Julie sempre foi boa em manter-se fora dos holofotes, até que uma sequência de eventos estranhos começa a puxá-la para o centro de um mistério que envolve desaparecimentos, segredos de família e um perigo que ninguém consegue explicar. E...
De repente, Billy começa a desaparecer bem na minha frente, como se estivesse sendo puxado por algo invisível.
— Não, não... BILLY! — tento agarrá-lo, mas minhas mãos passam direto, como fumaça. — BILLY, NÃO VAI!
Ele some. Tudo fica branco. Depois preto.
E então, como um soco, volto para meu corpo.
— JULIE! JULIE, ACORDA! — a voz de Steve explode no meu ouvido, desesperada.
Abro os olhos com dificuldade, ainda tonta, ainda entre dois mundos.
— Além de trazer uma garota sem a nossa permissão, ainda traz uma garota anormal! — foi a última coisa que ouvi o pai de Steve dizer antes de sair correndo para fora da casa. Meu estômago revira. Me apoio no batente e vomito na grama. Steve corre atrás de mim.
— Ei, Julie! — ele me alcança. — O que aconteceu? Você sumiu por segundos, ficou branca como papel, eu—
— O Billy está vivo. O meu pai também! — corto, ofegante.
— O quê?
— Vai lá pra casa às duas da tarde. Eu explico melhor. — subo na bicicleta antes que ele possa dizer qualquer coisa e disparo pela rua, ainda tremendo.
Enquanto pedalo, pego o rádio.
— Mike, Mike, tá na escuta?
— Julie?
— Não, CATARINA, bocó!
— Grossa...
— Mike, é sério. Vai lá pra casa às duas. Leva a Nancy. Liga pro Lucas e diz pra levar a Érica. E chama a Max.
— É algo muito sério?
— É, Mike. É urgente.
[...]
O clima dentro da sala estava pesado.
— Então... você... você viu o Billy? — Max pergunta com os olhos cheios d'água.
— Vi. — respondo firme.
— Para mim você tá é maluca. — Lucas rebate, cruzando os braços.
— O quê? — sinto o choque me atingir.
— Dessa vez eu tenho que concordar com o Lucas. É impossível. — Mike solta.
— Mike... — Nancy tenta intervir.
— Mike nada. Nós VIMOS o Billy morrer, Julie!
— Mike—
— A Joyce Viu o Hopper EXPLODIR! Virar cinzas! — ele continua, exaltado.
— MIKE! — Nancy o corta.
Mas ele não para.
Eu sinto algo estalar dentro de mim.
— Sai da minha casa... — sussurro.
— O quê? — Lucas pergunta, mas Max já começa a chorar.
— Quer saber? — levanto. — Vai se ferrar, Mike! — minha voz sai trêmula, mas alta. — Obrigada pela confiança. E se fosse a On? Hã? Ah, claro, vocês acreditariam! Por quê? Porque eu sempre sou a louca, né? Eu achei que... achei que éramos amigos. — minha voz falha. — Mas me enganei. De novo.
Subo a escada irritada, ferida, com vontade de quebrar tudo.
— Ah, Mike! — grito de cima. — Fala isso pra On. Ela vai AMAR saber!
Tranco a porta do quarto antes que alguém tente me seguir.
Sim, eu estou mal. Mas não estou maluca. E doeu ver o Lucas duvidar, doeu ver o Mike jogar o que sabe sobre meu pai na minha cara, doeu ver o Dustin e o Steve quietos.
Eu sinto falta da On. Do Will. Até do Jonathan. Quer saber? Vou tentar falar com eles.
Pego o rádio, com as mãos trêmulas.
— Julie falando... família Byers na escuta? — silêncio. — Julie aqui... família Byers, na escuta. — nada. Meu peito aperta. — On? — minha voz falha. — Alguém?
O silêncio me destrói. Começo a chorar no travesseiro, o rádio caído ao lado.
De repente:
— Oi? Julie? Julie, está na escuta?
Arregalo os olhos.
— Will? Will, é você?!
— Sim! Sou eu! Que bom ouvir sua voz! Eu tava MORRENDO de saudades! Mas... o que aconteceu?
— Também tô com saudade. A On tá aí?
— Não, ela saiu com a mamãe... mas você só pode falar com ela?
— Não. Isso é sério.
— Julie, eu sei lidar com coisas sérias! Eu não tenho mais sete anos, tá?
Fecho os olhos. Respiro.
— Eu vi o Billy e... — sou interrompida.
— Você também viu ele? — Will parece assustado. — A mamãe disse que foi um pesadelo.
Abro os olhos na hora.
— Mas não é, Will. Eu sei que não é. E além disso, qual a chance de você e eu... a milhas de distância... termos o mesmo "pesadelo"?
Silêncio. Depois:
— Verdade... Mas por que você tá chorando?
— Eu contei pro pessoal... — a voz prende, as lágrimas voltam. — E eles não acreditaram em mim... ninguém acreditou...
Silêncio. Depois a voz tranquila dele:
— Não chora, por favor. Eu tô aqui. E eu acredito em você.
E aquilo era tudo, exatamente tudo que eu precisava ouvir.
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