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Oi.
Sou a Julie Henderson, alguns me chamam de complicada, outros de insuportável. A garota problema. A prima do nerd Dustin Henderson, para quem gosta de me reduzir a apenas isso.
Perdi meus pais cedo demais e, por falta de escolha, fui enviada para a pacata e extremamente esquisita cidade de Hawkins. Agora, vou morar com a minha tia e com o meu primo... chato, para não perder o hábito.

(Hawkins, 1984)

O ônibus rangeu até parar, como se ele também quisesse fugir dessa cidade. Quando desci, a primeira coisa que senti foi o ar gelado batendo no rosto. A segunda foi o olhar curioso de um monte de gente que eu nunca tinha visto na vida.

E então ouvi:

— Julie, meu anjo! Você chegou! — minha tia praticamente correu até mim. Dei um sorriso mínimo. — Está com quantos anos? Treze?

— Dezessete, tia. Mas valeu o chute. — respondi com ironia.

Dustin apareceu logo atrás dela, sorrindo como se fosse Natal.

— Oi, Julie!

— E aí, Du. Pelo visto seus dentes ainda não cresceram. — falei, e um garoto moreno perto dele soltou uma gargalhada.

— Eu sou o Mike, esse é o Lucas, a Max e o Will! — disse um garoto mais alto, meio desengonçado.

— Prazer, eu sou a Ju—

— Julie Henderson! — completou outro, o mais tímido do grupo, como se me conhecesse há anos. — A prima do Dustin.

— O Dustin só fala de você. — comentou a ruiva — Max — com um sorriso divertido.

— Julie pra cá, Julie pra lá... — o moreno repetiu, claramente zoando. Esse falava tanto quanto o Dustin.

Eu estava prestes a responder quando minha tia reapareceu, do nada.

— Querida... — disse com aquela voz de quem vai causar problemas.

— Sim? — a encarei.

— Arrumei um emprego para você! — anunciou, como se isso fosse um presente de aniversário. Senti a alma deixando meu corpo.

— Um o quê?! — perguntei, indignada. Antes que eu pudesse reclamar, ela me empurrou levemente em direção à rua.

— Só vai comprar fósforos pra mim, vai? — disse, entrando de volta para a casa como se nada demais tivesse acontecido.

O pior é que todos ao redor agiram como se isso fosse... normal. Hawkins e sua falta de noção.

— Tá bom... — suspirei e saí caminhando.

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(Mercado de Hawkins)

O lugar tinha cheiro de poeira antiga e promoções mentirosas.

— Bom dia! Aqui temos—

— Não estou interessada. — cortei o vendedor e fui direto para outra sessão. Eu odiava vendedores insistentes.

Foi quando um garoto apareceu no meu caminho. Era bonito... mas tinha aquela vibe "sou legal demais para ser real".

— Nova na cidade? — perguntou, com um sorriso ensaiado.

— Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece. — resmunguei, revirando os olhos.

— Uou, essa doeu. Além do mais... você tem o quê? Treze anos? — disse, dando aquela risadinha nojenta.

— Dezessete, seu gênio. — retruquei. — E toma. — entreguei a ele uma garrafa de cerveja.

Ele olhou para o objeto como se fosse uma bomba.

— Pra quê isso?

— Compra pra mim. Não é óbvio?

— E o que eu ganho com isso? — perguntou, interesseiro.

— Eu divido com você. — ele fez cara feia. — Tá, te devo uma. — acrescentei.

— Você não é muito nova, não? — insistiu. Eu quase socava ele.

— Ah, vai... — forcei um sorriso fofo. — Anda logo, garoto.

— Acho melhor não...

Perdi a paciência. Peguei a garrafa e fiz menção de colocar na mochila.

— Ok, tá, tá! — ele rapidamente tomou a garrafa de mim e foi até o caixa. Pagou tudo e me devolveu ao sair do mercado. — Toma.

— Valeu. Te devo uma mesmo. — admiti. Não sou tão monstro assim.

— Me deve mesmo... — murmurou ele, provavelmente arrependido.

— Tchau. — comecei a me afastar.

— Espera! Qual o seu nome? — ele gritou.

Parei, virei apenas o rosto.

— Julie. Julie Henderson.

E saí andando como se nada tivesse acontecido — mas já sentia que Hawkins não seria tão pacata quanto diziam.

E saí andando como se nada tivesse acontecido — mas já sentia que Hawkins não seria tão pacata quanto diziam

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