Em Hawkins, Julie sempre foi boa em manter-se fora dos holofotes, até que uma sequência de eventos estranhos começa a puxá-la para o centro de um mistério que envolve desaparecimentos, segredos de família e um perigo que ninguém consegue explicar. E...
Eu não sabia realmente em que lugar do Maine nós iríamos, mas eu sentia por onde era o caminho. Eu sempre tive esses pressentimentos, na verdade desde o momento em que virei uma experiência. Tenho os mesmos poderes que a On — além de pressentimentos, visões e ler mentes. Sim, eu leio mentes. Não toda hora, porque eu não mando nos meus poderes; eles simplesmente surgem, como um estalo.
Estava morrendo de fome, então resolvemos ir a uma lojinha "pegar" algo para comer... se é que me entendem. Entre várias lojas de lanches, doces e salgados, eu escolhi aquela. Algo me puxava para lá, aquela velha lojinha da esquina. Então nós fomos. Pegamos doces, salgados, biscoitos, waffles e seguimos rumo à saída.
— Ei, mocinhas! — uma voz feminina chamou, nos fazendo travar na hora. — Pensam que vão aonde? Nessa idade fazendo essas coisas? O que aconteceu com a nossa juventude?
— Preparada pra correr? — sussurrei pra Max.
— Sim... — ela respondeu baixinho.
— O quê? — a mulher perguntou ao ouvir algo, mas continuamos paradas, de costas pra ela. — Eu tenho um filho da idade de vocês!
— Não temos a mesma idade. — Max murmurou.
— Não importa! Vocês... vocês não pensam na mãe de vocês? — ela continuou, e ficamos em silêncio. — Não vão dizer nada?
— Não tenho mãe...
— Então pensa no seu pai! — ela disse mais calma.
— Não tenho pai.
— Oh, querida... me desculpe. — senti a mão dela encostar no meu ombro.
— Não encosta em mim! — afastei sua mão de imediato e me virei. Max fez o mesmo.
— Max? Julie? — ela disse surpresa.
— Tia Joyce! — Max correu para abraçá-la.
— Meus amores! — ela nos puxou para o abraço, me apertando também. — O que estão fazendo aqui?
— Eles não acreditaram em mim... — tentei segurar o choro, mas não consegui, e a abracei mais forte.
— Oh, meu anjo... o que houve? — ela perguntou, afastando-se só o suficiente pra ver meu rosto.
— Eu vi o Billy... — tentei falar, mas o choro engasgou minha voz.
— E ele disse que o Hopper está vivo. — Max completou por mim.
— O Hopper o quê? — Joyce arregalou os olhos. — Querida... pode ter sido um pesadelo.
— Não. Não foi. Eu sei muito bem diferenciar um pesadelo da realidade! — respirei fundo, tentando me manter firme. — Você não vai ser que nem eles, né? — perguntei, sentindo o desespero bater de novo.
Ela hesitou por um segundo, mas antes que respondesse, a On apareceu atrás dela, me encarando com olhos marejados.
— O papai... o papai está vivo?
— On! — Max correu até ela e a abraçou. — O Billy também tá. Ele tá vivo!
— Julie... ele tá vivo? — ela perguntou com a voz quebrada.
— Eu vi. O Billy precisa de ajuda urgente. Ele me disse que o papai está vivo, On. Ele está vivo! — minhas lágrimas já caíam sem controle, e ela me abraçou, chorando também. — Ninguém acreditou em mim além da Max. Por favor... me diz que você acredita...
— Eu sinto... — ela disse baixinho.
E aquilo... aquilo foi tudo que eu precisava ouvir. Nem loucura, nem delírio, nem pesadelo.
Era real.
Ou então... um surto coletivo. Mas sinceramente? Eu preferia acreditar que finalmente alguém estava sentindo o mesmo que eu.
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