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Max se virou para mim, a voz tremendo.

— Como sabe que ele é o Billy?

A voz dela foi ficando distante, como se a realidade estivesse escorregando. E então puff — o chão sumiu. E eu apareci em uma praia.

"Ondas gigantes batiam contra a areia. O sol queimava a pele, o cheiro de sal era tão real que doía no nariz. Um garotinho corria rindo, a mãe tentando alcançá-lo.

— Olha, mãe! Essa tem uns dois metros! — ele fala apontando para a onda, deslumbrado.

— Cuidado, Billy! — ela avisa, rindo nervosa. — É melhor irmos...

— Billy? — sussurro, sem acreditar.

— Ah mãe, só mais dez minutinhos!

— Tá bom... tá bom... ATAQUE DE COSQUINHA NO BILLY! — Ela o pega e ele explode em gargalhadas.

— Eu te amo, mãe!

— Eu também te amo, filho...

A cena se desfaz como água escorrendo pelos dedos.

Estou agora em um campo de beisebol.

Um homem enorme segura Billy pelo braço, apertando forte.

— NÃO É ASSIM QUE SE FAZ, SEU MARICA! — ele grita no rosto do garoto.

— Me deixa em paz! — Billy explode, se soltando e correndo.

— CORRE MESMO, SEU MARICA! — o homem berra atrás dele.

Senti um nó no estômago.

A mesa de jantar surgiu na minha frente.

— OLHA AQUI... — a mãe começou.

— Olha aqui o QUÊ? Vai fazer o QUÊ? — o homem avança nela.

— Sai de perto de mim! — Ela taca um prato. Ele devolve com um tapa tão forte que até eu senti.

— DEIXA A MINHA MÃE! — Billy tenta proteger ela, mas leva outro tapa que o joga para trás.

Meus olhos ardem.

Surjo em um quarto pequeno.

Billy está ao telefone, pequeno demais para tanta dor.

— Mamãe... você vai voltar? — a voz embargada. — Mas eu sinto sua falta... mamãe... eu também te amo...

Ele chora sozinho no colchão. Aquilo quebra algo dentro de mim.

A cena gira. Estou agora em outra sala.

— Billy, essa é sua nova irmã Maxine! — o homem diz.

— ...Max... — a garota corrige, tímida.

— Cumprimenta ela, Billy. Não seja mal educado. — Nenhuma resposta. — CUMPRIMENTA ELA AGORA!

Billy apenas o encara com ódio silencioso.

Outra cena. Violenta.

Billy está encima de um garoto no chão, socando sem parar.

— VAI, ME ENCARA! SEU FRACOTE! ANDA! SEU MARICAA! — ele berra, cada palavra carregada de tudo que o pai colocou dentro dele.

Quis gritar, mas fui puxada de volta."

— Sai do carro! TODO MUNDO, SAI! — Nancy grita.

Todos saem. Menos eu.

O cinto emperrou.

O pânico sobe pela minha garganta.

— Não... não, não, FUNCIONA! — tento puxar com força, mas nada.

Stranger Things 3Onde histórias criam vida. Descubra agora