Um adeus dói.
Muito mais do que o esperado.
É uma dor que ninguém consegue explicar, o lance é tentar seguir em frente.
Ou fingir que está seguindo.
Eu estava brincando com um treco que nem sei o que é, só para passar o tempo. A loja estava silenciosa demais.
– Ai, que saco! – resmungo, girando o objeto entre os dedos.
– Eu tô tão entediado. – Steve suspira dramaticamente. – Nunca pensei que diria isso, mas... o Dustin faz falta.
– E como faz... – sussurro, quase sem perceber.
Ele vira devagar, com aquele sorriso de canto que sempre denuncia quando ouviu alguma coisa.
– É o quê?
– Ih, olha, a Érica! – corto o assunto imediatamente.
– Meu sorvete! – Ela surge.
– Toma... – Steve entrega.
– Estamos jogando verdade ou desafio. Querem jogar? – Ela cruza os braços.
Eu e Steve trocamos um olhar.
– Nós quem?
– O pessoal. – Ela revirou os olhos. – Mike, Nancy, Max, Lucas e eu.
– Tá legal. – Steve fecha a loja e eu o ajudo. Seguimos para lá.
Nos sentamos: ele ao lado de Nancy; eu ao lado dele e de Lucas.
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Depois de longas rodadas, eu já estava exausta... até que Nancy gira a garrafa. Ela para em Steve.
– Steve, Steve, Steve...
– Eu, eu e eu?
– Quais são suas verdadeiras intenções com a nossa querida Julie Henderson Hopper?
– Eu não tenho Hopper. – respondo automaticamente.
– Como assim? – Lucas parece confuso.
– Não tenho Hopper no nome. Longa história.
Todas as atenções voltam para Steve.
– Hãm? – ele finge não entender.
Nancy estreita os olhos.
– Tá... é? Ela... ela sabe!
– Eu sei?
– Ah, qual é, cara! Russos, shopping, drogados, banheiro... isso não te lembra algo?
– Nós estávamos drogados! Eu... eu não levei a sério!
– É, deu pra ver. Você nem teve o trabalho de responder!
– Ah qual é, Steve! Eu falei antes. Estava drogada? Sim. E daí? Eu não te julguei!
– Eu não tô te julgando, eu só questionei.
– Eu não falei que você tava me julgando, "eu só questionei". – imito ele, fazendo o mesmo tom irritado dele.
Não aguentamos: começamos a rir.
– Vocês são absolutamente malucos! – Mike comenta.
– Só podem estar drogados. – Lucas acrescenta.
– De quê? De sorvete? Ah sim, eu estou tão fumada de sorvete. – Debocho.
Todos riem.
*POV STEVE*
Desde que o Dustin foi para o acampamento, sou eu quem leva e busca a Julie de carro.
Agora estávamos no fim do trajeto. Ela escutava música com os fones, mexendo a cabeça no ritmo.
Resolvo falar.
– Sabe, Julie... eu fiquei chateado com o lance... o lance... – travo. – Ah, você sabe! Eu... eu gosto tanto de você e...
Eu olho para ela.
– Julie? Julie, você tá me escutando?
Ela tira um fone.
– An? Oi? Disse alguma coisa?
– Você... você não leva nada a sério, garota?!
– Calma! Eu tava zuando. Fala sério, eu sou hilária. – Ela ri. – Você tinha que ver a sua cara!
– Você é muito irritante, sabia?
– Muitos dizem isso.
– Tá, mas... e aí? – estaciono o carro.
– O que você quer agora? Um beijinho de boa noite? – ela ri.
– Insuportável. – Acabo rindo junto.
– Boa noite, topetinho. – Ela sai do carro.
– Boa noite...
Ela volta, inclinando-se na janela.
– Anm? Steve? Eu também gosto de você... – Ela fala devagar.
Eu piscando.
– Você... você tá bêbada?
– N-a-o-~. Ou seja: não. – Sorri com malícia. – Boa noite, Steve.
Ela me dá um selinho.
Eu dou outro.
– Boa noite, Julie.
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Stranger Things 3
Misteri / ThrillerEm Hawkins, Julie sempre foi boa em manter-se fora dos holofotes, até que uma sequência de eventos estranhos começa a puxá-la para o centro de um mistério que envolve desaparecimentos, segredos de família e um perigo que ninguém consegue explicar. E...
