1- Segunda temporada

749 63 0
                                        

Um adeus dói.
Muito mais do que o esperado.
É uma dor que ninguém consegue explicar, o lance é tentar seguir em frente.
Ou fingir que está seguindo.

Eu estava brincando com um treco que nem sei o que é, só para passar o tempo. A loja estava silenciosa demais.

– Ai, que saco! – resmungo, girando o objeto entre os dedos.

– Eu tô tão entediado. – Steve suspira dramaticamente. – Nunca pensei que diria isso, mas... o Dustin faz falta.

– E como faz... – sussurro, quase sem perceber.

Ele vira devagar, com aquele sorriso de canto que sempre denuncia quando ouviu alguma coisa.

– É o quê?

– Ih, olha, a Érica! – corto o assunto imediatamente.

– Meu sorvete! – Ela surge.

– Toma... – Steve entrega.

– Estamos jogando verdade ou desafio. Querem jogar? – Ela cruza os braços.

Eu e Steve trocamos um olhar.

– Nós quem?

– O pessoal. – Ela revirou os olhos. – Mike, Nancy, Max, Lucas e eu.

– Tá legal. – Steve fecha a loja e eu o ajudo. Seguimos para lá.

Nos sentamos: ele ao lado de Nancy; eu ao lado dele e de Lucas.

---

Depois de longas rodadas, eu já estava exausta... até que Nancy gira a garrafa. Ela para em Steve.

– Steve, Steve, Steve...

– Eu, eu e eu?

– Quais são suas verdadeiras intenções com a nossa querida Julie Henderson Hopper?

– Eu não tenho Hopper. – respondo automaticamente.

– Como assim? – Lucas parece confuso.

– Não tenho Hopper no nome. Longa história.

Todas as atenções voltam para Steve.

– Hãm? – ele finge não entender.

Nancy estreita os olhos.

– Tá... é? Ela... ela sabe!

– Eu sei?

– Ah, qual é, cara! Russos, shopping, drogados, banheiro... isso não te lembra algo?

– Nós estávamos drogados! Eu... eu não levei a sério!

– É, deu pra ver. Você nem teve o trabalho de responder!

– Ah qual é, Steve! Eu falei antes. Estava drogada? Sim. E daí? Eu não te julguei!

– Eu não tô te julgando, eu só questionei.

– Eu não falei que você tava me julgando, "eu só questionei". – imito ele, fazendo o mesmo tom irritado dele.

Não aguentamos: começamos a rir.

– Vocês são absolutamente malucos! – Mike comenta.

– Só podem estar drogados. – Lucas acrescenta.

– De quê? De sorvete? Ah sim, eu estou tão fumada de sorvete. – Debocho.

Todos riem.

*POV STEVE*

Desde que o Dustin foi para o acampamento, sou eu quem leva e busca a Julie de carro.
Agora estávamos no fim do trajeto. Ela escutava música com os fones, mexendo a cabeça no ritmo.

Resolvo falar.

– Sabe, Julie... eu fiquei chateado com o lance... o lance... – travo. – Ah, você sabe! Eu... eu gosto tanto de você e...

Eu olho para ela.

– Julie? Julie, você tá me escutando?

Ela tira um fone.

– An? Oi? Disse alguma coisa?

– Você... você não leva nada a sério, garota?!

– Calma! Eu tava zuando. Fala sério, eu sou hilária. – Ela ri. – Você tinha que ver a sua cara!

– Você é muito irritante, sabia?

– Muitos dizem isso.

– Tá, mas... e aí? – estaciono o carro.

– O que você quer agora? Um beijinho de boa noite? – ela ri.

– Insuportável. – Acabo rindo junto.

– Boa noite, topetinho. – Ela sai do carro.

– Boa noite...

Ela volta, inclinando-se na janela.

– Anm? Steve? Eu também gosto de você... – Ela fala devagar.

Eu piscando.

– Você... você tá bêbada?

– N-a-o-~. Ou seja: não. – Sorri com malícia. – Boa noite, Steve.

Ela me dá um selinho.

Eu dou outro.

– Boa noite, Julie.

Stranger Things 3Onde histórias criam vida. Descubra agora