2-2 temporada.

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Tia Henderson estava parada na porta, braços cruzados, expressão de interrogatório.

– Julie Henderson...
Interrompo antes que ela comece.

– "Isso são horas de chegar?" Eu estava trabalhando. – digo, imitando perfeitamente a bronca que ela daria.

– Ah, oi Steve. – Ela muda o humor imediatamente. Ótimo. Maravilha.

– Oi, Sra. Henderson. – Ele sorri, sempre educado demais.

– Temos que marcar um jantar aqui. – Ela aponta o dedo, empolgada, então coloco a mão nas costas dela e tento empurrá-la para dentro.

– Pode deixar. – Steve a responde todo simpático, piorando minha situação.

– Amanhã. Um jantar com as crianças. – ela insiste, agarrada ao batente como se fosse uma âncora.

– Chega! – empurro de vez.

– Combinado. – Steve diz, sorrindo como se não tivesse acabado de ruinar minha noite.

Finalmente consigo fechar a porta.

– Boa noite! – grito.

Ouço um "Boa noite!" abafado do lado de fora e suspiro.

[...]

Acordei com a cabeça explodindo em uma única palavra:

DUSTIN.

– DUSTIN! – grito sentando na cama. – Merda!

Troco de roupa às pressas e desço correndo a escada. O "rádio" toca, e uso meus poderes – que felizmente tinham voltado – para puxá-lo do sofá e para minha mão.

– Oi, aqui é a família Wheeler, família Wheeler, está na escuta? – Mike fala com voz irritante de propósito.

– Tô. – respondo com a boca cheia de pão.

– Finalmente.

– Fica quietinho, Mike. Onde vocês estão, bonitão?

– Chegando.

– Então não enche e deixa eu tomar meu café da manhã.

– Grossa.

– Estúpido!

– Sem classe!

– Ridículo!

– CRIANÇAS! – Max corta os dois. – Me dá aqui, Mike. – Ela toma o rádio. – Aqui é o pessoal do outro lado desligando.

click.

– Hum.

[...]

Eles chegaram, organizamos a surpresa toda: cartazes, apitos, robôs mal-assombrados. Tudo digno de recepção ao nerd nº1 de Hawkins.

*POV DUSTIN*

Eu estava no carro com a minha mãe.

– Por que a Julie não veio mesmo?

– Ela estava dormindo.

– AQUI é o urso-pelúcia, alguém na escuta? – Tento chamar no rádio. – Por que eles não respondem?

– Devem estar fazendo alguma coisa.

– Aposto que esqueceram de mim...

*POV JULIE*

Tudo pronto. Agora era só esperar.
A porta abriu. Eles entraram.
Nos encolhemos atrás da parede da sala, todos apertados como sardinhas.

*POV DUSTIN*

– Pelo menos você está feliz em me ver... – digo ao meu boneco. De repente, todos os brinquedos eletrônicos ligam sozinhos.

Robôs andando. Bonecos piscando.
Ok, pode admitir: foi assustador.

Pego meu spray de cabelo – o que o Steve me deu – e sigo as criaturas mecânicas.

*POV JULIE*

Estamos em fila: Lucas, Max, Nancy, Steve, Érica, Mike... e eu por último.

Os robôs chegam primeiro.
Mike levanta a mão.

– Para. – Ele diz.

Eu paro e limpo o nariz.

Dustin entra de costas, sem perceber nada. Pega um dos robôs.

Lucas respira fundo e faz o sinal.

– 1, 2, 3! –

Todos apitamos e pulamos como se fosse um ataque sincronizado.

– AAAAAAAAAH! – Dustin grita e, no susto, borrifa spray direto nos olhos de Lucas.

– AAAAAAAAAH! – Lucas grita junto dele.

– DUSTIN! – Max corre. – Lucas, você está bem?

– Maluco. – Érica bufa e vai para a cozinha.

– Você é doido. – Mike balança a cabeça.

– Vamos lavar isso. – Nancy puxa Lucas para a pia.

– Uau. – Steve diz, impressionado, indo atrás.

Dustin gira para mim.

– E você?

– Eu?

– Sim, você.

Dou um sorriso torto.

– Ééé... bem-vindo a Hawkins.

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