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Érica se pendurava no duto com o desespero estampado no rosto, enquanto Dustin batia o sininho como se estivesse num show.

— EMPURRA!

— EU TO EMPURRANDO, MERDA!

— Olha a boca!

— Você tá falando igual a Maria Gasolina!

— Maria Gasolina?

— A nossa tia do interior!

Ele me encara, sem entender uma sílaba.

— Ah, qual é... o olho que tudo vê!

Nada.

— Maria Fumaça? Porta aberta?

Outro silêncio.

— A tia Clair!

— Ah!

Finalmente, depois de cinquenta gritos, Erica cai dentro do duto.

— Que comecem os jogos — Steve murmura atrás, derrotado.

[...]

A porta metálica abriu com um chiado. Erica quase pulou de emoção.

— Sorvete grátis por um ano!

Entramos no elevador apertado. O lugar fedendo a mofo. Erica pegou algo verde do chão.

— Que troço é esse?

Dustin se aproxima.
— Parece gosma.

— Deixa isso aí! A gente nem sabe o que é! — solto, já com a luz piscando.

Steve recua.
— Acho melhor a gente sair.

— Dustin, abre esse treco!

— Primeiro, isso é uma porta de elevador — ele diz com uma calma irritante. — SEGUNDO, EU ESTOU TENTANDO!

— É só apertar o botão ABRIR! — Erica grita.

— EU TO TENTANDO! EU TO TENTANDO! EU TO—

O elevador despenca.

Erica solta o grito mais alto do universo.
— Se eu morrer, a culpa vai ser de vocês!

E o elevador finalmente para.

— Como a gente vai sair daqui? — pergunto, me segurando na parede.

— Escalando.

— Você ainda quer escalar? — Steve olha a altura.

— Não parece tão ruim assim... — Dustin comenta, mas a voz dele diz o contrário.

[...]

Dustin ainda insistia no botão.

— Eu consegui, eu consegui! — ele vibra no mesmo segundo em que a porta abre.
Saímos. E então...

Um corredor infinito aparece diante da gente.
Deve ter uns quatro quilômetros.

— Eu não vou andar isso tudo, não mesmo! — pulo nas costas do Steve. — VAI, CAVALINHO!

— Eu mereço... — ele resmunga.

[...]

— Vinte patinhos foram passar—

— CALA A BOCA! — os três gritam ao mesmo tempo.

Desço, ofendida. Continuamos até achar uma sala. Entramos. Eles ficam discutindo, enquanto eu subo por uma escada lateral que encontrei.

E então...

— Pessoal, achei uma porta! — desço correndo.

Ficamos olhando pela porta de vidro. Cientistas estudando algo enorme...
Não, não enorme.

Um portal.

Gigante. Azul. Vivo. Pulsando.

E, claro, todos os russos viram a gente pela janela.

— É... gente? — aviso, já dando ré.

Eles entendem na hora.

— Vai, vai, vai! — Steve corre.

O shopping subterrâneo parecia um labirinto russo do inferno.
Gritos, botas, luzes vermelhas piscando.
Corríamos por qualquer lugar que não tivesse tiro.

Entramos numa sala pequena. Steve segurou a porta com todas as forças. Dustin e Erica procuravam saída. Steve me olhou com aquela cara de
me ajuda que eu não aguento mais.

— Onde, Dustin?! — pergunto desesperada.

— Ali! — ele aponta um buraco no teto.

— Vão! — Steve grita.

Erica sobe primeiro. Dustin coloca os pés na borda.

— VAI CHAMAR AJUDA, DUSTIN!

— Eu volto pra buscar vocês!

— ANDA LOGO! — gritamos eu e Steve juntos.

A porta cede.

Os russos entram.

E tudo fica preto.

[...]

Acordo tonta. A sala cheira a metal, álcool e desespero.

— Steve...? — sussurro. Nada.

Um soldado russo se aproxima.

— Olha só. Acordou.

— CADÊ O STEVE?

— Preocupada com o namoradinho?

— CADÊ O STEVE?! — agarro o colarinho dele e jogo o cara na parede.

Ele grita.
— Ela é uma das experiências!

— PODE CRER! EU TENHO MUITA EXPERIÊNCIA! — começo a jogar tudo, cadeiras, bandejas, qualquer coisa.

Até sentir uma agulha no pescoço.

Tudo gira.
Cores distorcidas.
Vozes embaraçadas.
E o mundo escurece.

[...]

Steve vê meu corpo jogado na cadeira, ainda meio dopada.

— Julie...? — ele sussurra.

Levanto o rosto.
— Topetinho! Quanto tempo... — começo a rir. — Cara, você tá horrível!

Os russos me prendem na cadeira ao lado. Ele senta atrás de mim.

— Vai colaborar ou não? — o primeiro soldado pergunta.

Steve pensa.
— Deixa eu ver... hmmm... NÃO.

— Agora. — o segundo russo acena para o da agulha.

Steve arregala os olhos.
— Ou pera, aí — não, não, NÃO! NÃO!

Eles seguram ele.

E a agulha encosta na pele.

A sala ecoa o grito dele.

Stranger Things 3Onde histórias criam vida. Descubra agora