5-2 temporada.

612 38 11
                                        

— Pessoal... acho que está tarde. É melhor irmos. Amanhã a gente continua.
— Concordo com a Nancy. Vamos, Lucas?
— Pra onde? Eu vou ficar. Se quiser, você que vá.
— Por mim, tudo bem.

Max sai batendo o pé.
— Max, peraí! — Lucas vai atrás dela.

— Então tchau. Vamos, Mike. — Eles saem, e logo Érica aparece saindo do banheiro.
— Ele me esqueceu, né? — Ela se refere ao Lucas.— Desgraçado! — corre atrás também.

Segundos depois, Dustin quebra o silêncio:
— Ahn... Steve?

— Oi? — ele olha.
— Tchau.
— Não precisa me expulsar, já tava indo. — Ele se levanta e segue até a porta.

— Tá bom, sei. — O tom é de implicância.
— Obrigado... por nada. — Ele destaca a última parte.
— Tchau, Steve! — Dustin empurra ele pra fora.
— Até amanhã, Topetinho. — A porta se fecha.

— Acha que fomos muito grossos? — Dustin pergunta.
— É... não? — A risada vem automática.

[...]

— Sorveteria, bom dia! — O sorriso some assim que os olhos encontram a figura atrás do balcão.
— Você...? De novo? — Summer faz cara de nojo.
— Digo o mesmo.
— Não quero ser atendida por uma assassina.
— Acha que eu quero atender uma mosca morta?
— Mosca o quê?
— Uma mosca que fica andando por aí, atrapalhando a vida das pessoas. Morta porque morreu asfixiada com esse seu cheiro insuportável de chihuahua francês. Ou com o próprio veneno.
— O quê? Sua... sua... — ela pensa — pelo menos não sou uma sem ninguém. Órfã, sem mãe, sem pai—

— Repete mais uma vez se quiser perder a língua e os dentes.
— Órfã. — O sorriso sínico provoca a explosão.

Quando o corpo já ia pular o balcão, braços fortes seguram por trás.
— Me solta, Steve! Me solta!
— JULIE!
— Deixa ela vir. — Summer cruza os braços com aquele sorriso que implora por uma surra.
— FILHA DA MÃE! — Uma cotovelada acerta Steve, e o salto pro ataque acontece. — REPETE AGORA! — punhados de cabelo voam.

— AAAAH! Socorro! Sai de cima de mim! Sua louca!
— Eu falei que se repetisse ia ficar sem a língua. Chegou a hora. — o sussurro é gelado. — Vai ficar LINDA banguela.

— AAAA SOCORRO! SOCORRO! — Summer berra enquanto Steve tenta tirar a atacante pela cintura. Sem sucesso.

— BRIGA! BRIGA! BRIGA! — Lucas e Dustin incentivam.
— Pega ela, Julie! — Max grita.
— NÃO SOLTA! — Nancy vibra.
— TEM COMO VOCÊS PARAREM E VIR ME AJUDAR?! — Steve se desespera.
— É... não? — Érica responde. — BRIGA!

Finalmente outras mãos entram na confusão, puxando Julie para trás.
— Julie... para... chega... não se rebaixa ao nível dela. Seja inteligente... eu sei que você é. Se acalma... eu tô aqui, tá legal? — a voz de Mike no ouvido parece puxar o ar de volta pros pulmões.

Os olhos encontram o ombro dele. O corpo desaba num abraço e as lágrimas finalmente vêm, sem pedir permissão.

— Isso... chora... faz bem... eu tô aqui.
— Ela não tá bem! — Dustin observa, preocupado.

— Sua lésbica psicopata! — Summer tenta provocar pela última vez.
— Que foi? Quer um beijinho? — a resposta vem entre lágrimas.
— Que nojo!
— Vai se ferrar, Wilon. — O dedo do meio sobe enquanto o abraço em Mike aperta de novo.

Summer vai embora bufando.

— E aí... vamos trabalhar? — Nancy sorri.
— Vamos. — o sorriso volta, mesmo torto.

[...]

Depois de horas de pesquisa, todos acabam mortos de cansaço e vão para casa.

— Vamos? — Dustin pergunta.
— Vai você. Tenho uma coisa pra fazer.
— E o que eu digo?
— Pera... "tá com o Steve".
— Exato.

[...]

— Você tem idade pra isso? — o vendedor pergunta pela décima quinta vez.
— Você tem um CÉREBRO pra duvidar de mim? — A identidade é jogada no balcão. — Satisfeito?

Ele a encara, entediado.
— Não é muito nova não?
— Vai à merda. Nem queira saber o que aconteceu com o último que me perguntou isso. — A lembrança de Steve passa rápido. — Então... fica quieto.

Ela pega as bebidas.
— Até amanhã, como todos os dias, sua bêbada! — ele grita.
— VÁ SE FERRAR! — o dedo do meio aparece enquanto ela sai batendo a porta.

Stranger Things 3Onde histórias criam vida. Descubra agora