13. cette vie

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Meus olhos não aceitavam o fato lamentável de que hora ou outra teria que despertar. Há tempos não dormia tão bem e realmente sentia meu corpo agradecer pela noite de descanso. Os ossos protestaram um pouco, mas enfim estava de olhos abertos encarando o teto desconhecido e mais escuro que o normal do meu quarto. Arrasto meu braço esquerdo pela cama procurando Joe, mas a única coisa que encontro é uma bunda no caminho.

O lençol não está frio e vazio como sempre, sua respiração pesada preenchia todo o ambiente e constatava que seu sono era profundo e calmo. Aimeé estava deitada de bruços com a cabeça virada para mim. Seus lábios estavam entreabertos e os cílios formavam uma linha grossa em seus olhos fechados. O cabelo se juntava ao travesseiro e por alguns segundos tive que me controlar para não acariciar seus cachos.

Não sabia até onde poderia ir ali.

Na verdade, nem sabia o motivo de estar ali.

Ao encarar o relógio ao seu lado me dou conta do quanto estou atrasada e preciso dar o fora daqui o mais rápido possível, antes que Tom Hicks venha me buscar em casa com meu contrato rasgado.

Levantei-me correndo, procurando minhas peças de roupa sem me dar conta de onde elas realmente estavam.

— Estão na sala. – a voz de Aimée ecoa pelo quarto. Quando olho para ela, está com uma cara adoravelmente emburrada e cansada.

— Merda. – abro a porta do quarto, buscando algumas peças de roupas emboladas para o quarto novamente. – Desculpa acordar você, é que estou atrasada.

— Henry já chegou? – ela deixa o lençol azul claro cair até a cintura para espreguiçar-se, deixando seus seios à mostra para quem quisesse ver, dificultando o que já estava sendo difícil

— Não sei. – visto minha jeans que parecia mais larga ontem a noite. – E acho que não me importo.

Aimée ri, a voz mais rouca que o normal.

— Talvez você devesse se certificar antes de... ir para casa. Ele deve fazer perguntas.

Assistir Aimée nua realmente estava tirando meus pensamentos dos eixos.

— Não chegou ainda. – chego da janela para conferir. – Joe não está deitado na sacada. Ele tira Joe da cama quando chega.

— Então pode voltar para cá. – dá batidinhas na cama.

— Preciso trabalhar. – abotoo minha camisa. – Você não? – prendo meu cabelo em um rabo de cavalo.

— Não. – ela diz, levantando e procurando algo para cobrir sua nudez.

— Como você sobrevive?

— Recisão da minha antiga empresa. Larguei tudo em Mujina para vir. Inclusive meu emprego.

— Legal. – procuro o outro par do meu tênis. – Você viu meu tênis?

— Não. – volta a deitar. – Feche a porta quando sair.

— Hum... está bem. – encontro o pé direito do meu all star, calçando e migrando para fora do quarto.

— Claire?! – a voz de Julie fez com que meu coração inteiro congelasse. – O que está fazendo aqui?

— O que você está fazendo aqui? – coloco as mãos na cintura.

— Bem, meu namorado mora aqui?!

— Você não precisa trabalhar?

— Achou o outro par do tênis? – Aimée sai do quarto, vestida com uma blusa dos Lakers.

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