12. de sens

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Os dias seguintes foram os mais insuportáveis que pude ser capaz de viver. Henry chegava todos os dias, de manhã e bêbado em casa derrubando qualquer coisa que seja, colocando a culpa de tudo sobre mim e tentando fazer com que me sinta pior do que tenho estado.

O convite da formatura de Gio havia acabado de chegar e ele jogou pela janela. Todo o meu desespero se transformou em medo. Medo do homem que convivo há mais de três anos da minha vida.

Além de tudo isso, há mais uma coisa:

Aimée Valon.

As vezes penso que as forças superiores me odeiam tanto para mandarem essa mulher para tão perto de mim com o único e exclusivo objetivo de me enlouquecer. Não durmo bem faz noites e quando consigo, de alguma forma ela adivinha para fazer com que acorde novamente.

E que ela fazia questão que ouvisse.

Fiz uma denúncia para o síndico do condomínio reclamando do barulho, mas nada foi realmente resolvido. Ainda ouvia sua voz e seus suspiros todas as noites, com várias mulheres diferentes. Esbarrei com uma ou duas saindo pela manhã enquanto ia para o trabalho.

Joe estava esparramado no sofá quando fui até a cozinha para pegar meu copo térmico e começar mais um dia de trabalho.

Repus sua ração, água e segui para o pátio torcendo para nao esbarrar em nenhuma desconhecida no caminho.

Ao invés disso, uma Aimée de bermudas largas e um top escuro, claramente mais magra posava na portaria do prédio se despedindo da mulher número mil e um.

Estagnei e não consegui me mover.

Admirar tão de perto toda a sua beleza me fazia tremer um pouco. Desci os poucos degraus e segui para o estacionamento aberto, onde estava meu carro.

Passei pelas duas mulheres, Aimée descalça e acariciando os ombros da mulher de cabelos castanhos escuros cortados na altura do pescoço.

— Bom dia, vizinha. – ela diz, um sorriso em seus lábios.

— Bom dia. – a mulher ao seu lado diz.

— Bom dia. – respondo, passando pelas duas.

- Ah, Claire! - Aimée caminha até mim. - Uma carta em seu nome foi enviada por engano para o meu apartamento, se importa de passar lá mais tarde para pegar?

- Coloque debaixo da minha porta. - dou as costas, mas meus braços estão presos em volta de suas mãos.

- Você poderia ir buscar.

- E você colocar debaixo da minha porta.

- O que foi?

- O que foi?!

- Você está brava. - seu sorriso se amplia mais. - Está brava porque entrou mais uma no Game of Thrones da família Graham e o trono não é mais do seu amado esposo?

- Como você é estúpida! Sabia o tempo todo que Henry era meu marido.

- Já disse uma vez e volto a repetir, Claire... você não é boa em disfarçar.

- Você não vale um centavo, Aimée.

- E você gosta disso. - enrola uma mecha do meu cabelo solto em seu indicador. - Você não parece ter dormido bem.

- Acredite, nunca dormi tão bem em toda a minha vida.

- Não parece verdade, Claire. Está com a aparência cansada.

- Talvez seja você quem roube toda a minha vitalidade.

- Uh. - sinto meu corpo congelar quando seu maxilar trava em um semblante fechado. - Boa.

02:09 Histórias para pegar e não largar. Descubra agora