Os dias seguintes foram os mais insuportáveis que pude ser capaz de viver. Henry chegava todos os dias, de manhã e bêbado em casa derrubando qualquer coisa que seja, colocando a culpa de tudo sobre mim e tentando fazer com que me sinta pior do que tenho estado.
O convite da formatura de Gio havia acabado de chegar e ele jogou pela janela. Todo o meu desespero se transformou em medo. Medo do homem que convivo há mais de três anos da minha vida.
Além de tudo isso, há mais uma coisa:
Aimée Valon.
As vezes penso que as forças superiores me odeiam tanto para mandarem essa mulher para tão perto de mim com o único e exclusivo objetivo de me enlouquecer. Não durmo bem faz noites e quando consigo, de alguma forma ela adivinha para fazer com que acorde novamente.
E que ela fazia questão que ouvisse.
Fiz uma denúncia para o síndico do condomínio reclamando do barulho, mas nada foi realmente resolvido. Ainda ouvia sua voz e seus suspiros todas as noites, com várias mulheres diferentes. Esbarrei com uma ou duas saindo pela manhã enquanto ia para o trabalho.
Joe estava esparramado no sofá quando fui até a cozinha para pegar meu copo térmico e começar mais um dia de trabalho.
Repus sua ração, água e segui para o pátio torcendo para nao esbarrar em nenhuma desconhecida no caminho.
Ao invés disso, uma Aimée de bermudas largas e um top escuro, claramente mais magra posava na portaria do prédio se despedindo da mulher número mil e um.
Estagnei e não consegui me mover.
Admirar tão de perto toda a sua beleza me fazia tremer um pouco. Desci os poucos degraus e segui para o estacionamento aberto, onde estava meu carro.
Passei pelas duas mulheres, Aimée descalça e acariciando os ombros da mulher de cabelos castanhos escuros cortados na altura do pescoço.
— Bom dia, vizinha. – ela diz, um sorriso em seus lábios.
— Bom dia. – a mulher ao seu lado diz.
— Bom dia. – respondo, passando pelas duas.
- Ah, Claire! - Aimée caminha até mim. - Uma carta em seu nome foi enviada por engano para o meu apartamento, se importa de passar lá mais tarde para pegar?
- Coloque debaixo da minha porta. - dou as costas, mas meus braços estão presos em volta de suas mãos.
- Você poderia ir buscar.
- E você colocar debaixo da minha porta.
- O que foi?
- O que foi?!
- Você está brava. - seu sorriso se amplia mais. - Está brava porque entrou mais uma no Game of Thrones da família Graham e o trono não é mais do seu amado esposo?
- Como você é estúpida! Sabia o tempo todo que Henry era meu marido.
- Já disse uma vez e volto a repetir, Claire... você não é boa em disfarçar.
- Você não vale um centavo, Aimée.
- E você gosta disso. - enrola uma mecha do meu cabelo solto em seu indicador. - Você não parece ter dormido bem.
- Acredite, nunca dormi tão bem em toda a minha vida.
- Não parece verdade, Claire. Está com a aparência cansada.
- Talvez seja você quem roube toda a minha vitalidade.
- Uh. - sinto meu corpo congelar quando seu maxilar trava em um semblante fechado. - Boa.
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02:09
General Fiction"Confiro mais uma vez o jantar pronto e servido sobre a mesa. A superfície de vidro embaçado pelo calor emitido por algumas travessas. Encaro o relógio prometendo pela sétima vez que é a última que o encaro. Já se passa das duas e ele ainda não cheg...
