21. dans tes doigts

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Reconheci a entrada quando o pára-brisa do Uber brilhava com o letreiro vermelho que piscava em cima do Trinity Bar. Richard e Patrick vieram comigo e Aimée depois de bons minutos na festa insuportável do Pool Club. Espero não precisar voltar lá tão cedo, não suportaria mais ouvir a música ruim que explodia nos alto falantes.

Gio e Beck também decidiram nos acompanhar e estavam atrás de nós.

Desde que vim aqui com Tori há alguns meses, me apaixonei por toda a áurea desse lugar. Antes de chamar o Uber, conferi qual seria a atração da noite e seria uma performance magnífica de Shanty Roxanne, uma drag queen super famosa. Quando Richard soube que era ela quem se apresentaria, disse que precisávamos ir até a boate de qualquer forma.

E cá estávamos nós, sentados na primeira mesa em frente o palco. A casa estava cheia naquele dia e quando uma atendente veio nos atender sorrindo, escolhi o drink mais gostoso que bebi até hoje.

— Boa noite, sejam bem-vindos. – ela sorri. – E então, vão começar com o que hoje?

— Eu quero um Purple Hell. – anota o meu pedido. – E você, amor?

— Não consigo decidir. São tantas opções. – Aimée vira e desvira a carta de bebidas.

— Vou querer uma Dry Marguerita. – Richard diz e deixa o cardápio sobre uma das duas mesas.

— Uma cerveja, por favor. – Beck pede e a atendente anota, descrevendo todas as cervejas que eles têm, entrando em um assunto demorado com o noivo de Gio.

— Claire? – ela me chama. – O que sugere?

— Acho que o Green Eyes combina com você.

— Ela tem razão. É uma delícia. – a atendente abre o sorriso para Gio dessa vez. – É com Absinto. – dá uma piscadela para a minha amiga que sorri de volta.

Giovana não consegue ficar mais de dez minutos sem flertar com alguém. Encaro Beck para ver se ele percebeu e quando vejo, o próprio está sorrindo para o diálogo.

— Não consigo me decidir. – Aimée sussurra para mim.

— Me acompanhe então.

— Isso é gostoso?

— Tirando o calor, sim. É muito gostoso.

— Vou querer um Purple Hell também. – a atendente anota o pedido da minha namorada e da Cuba Libre de Patrick antes de sair.

— Preciso comentar sobre essa troca de olhares? – pergunto baixo para que só Gio escute. A música cobrindo nossa conversa enquanto Aimée e Beck falavam sobre basquete sem parar. Pareciam dois tagarelas.

— Se tiver sorte levo ela para casa.

— O quê? Meu Deus, Gio. O Beck...

— Você não entendeu, Claire. – ela fala em meu ouvido. – Com o Beck. – abre um sorriso travesso de quem acabou de aprontar.

Assisto a troca de olhares dos dois e a luz vermelha se apaga para um grande holofote iluminar o palco assim que nossas bebidas chegam e antes de sair, a atendente de nome Lucy passa o telefone para Gio.

A apresentação então começa e o primeiro número é incrível. Repleto de cores e paetês. Com muita pluma e uma voz linda cantando sucessos memoráveis.

Quando o show estava na metade, a mesa já estava totalmente preenchida de copos e garrafas vazias. Gio e Beck levantaram para dançar, Patrick e Rich foram parar no palco como se fizessem parte de todo o show, já que arrasaram nas coreografias.

02:09 Onde histórias criam vida. Descubra agora