24. se souvenir

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Aimée estava descansando ao meu lado em um sábado ensolarado, os poucos roxos em seu rosto já estavam praticamente invisíveis e ela conseguia comer sem ter qualquer reação há dois dias. Meus pais foram embora na noite anterior depois de termos uma discussão sobre o futuro dos dois. Não que eu quisesse me intrometer, mas não queria meu pai mais distante de Julie e eu como aconteceu quando eles se divorciaram. Chamei minha irmã e contei tudo o que aconteceu, desde a parte em que eles transaram no tapete da minha sala até a parte que os peguei agarrados embaixo das minhas cobertas.

O telefone de Aimée não deu sossego sequer um minuto e o tempo inteiro ele tocava e apitava com mensagens de várias pessoas diferentes, algumas sem qualquer relação com ela e outras com relação até demais. Jessie foi uma das primeiras a oferecer uma visita e massagem. Não fui tão educada ao responder com uma foto minha e de Aimée deitadas com a legenda "ela está sendo bem cuidada".

Minha namorada só atendia seu irmão e seu pai. As vezes respondia alguns investidores da Grandest e deu uma previsão para retornar.

— Sabe que só tinha realmente o desejo de continuar aqui? – Aimée diz.

— Isso realmente seria um sonho. – beijo seu rosto. – Quantas pessoas precisamos mandar para a cadeia para isso se tornar possível?

— Só se todas as pessoas do mundo fossem presas. – ela sorri. O telefone vibrando no silencioso ao seu lado. Encara o ecrã, mas logo vira a tela para baixo.

— Quem era?

— Provavelmente a Martha. É a investidora mais alta da Grandest, ela quer porque quer abrir o processo logo para que eu assuma a presidência.

— E não é o que você quer? Era o seu objetivo desde o começo.

— Sim, é o que eu quero. Mas...

— Mas?

— Não quero cometer os mesmos erros dos Graham, Claire. Isso iria me destruir. O tanto de famílias que foram prejudicadas por negligências ambientais desses caras... não quero isso. Não quero que pensem que sou dessa forma. Nem mesmo sei se o ramo de energia seria algo que me atrai. Sempre fui ligada à causas ambientais e agora isso está pesando na minha decisão.

— Entendo o que quer dizer. Não quer ser hipócrita e isso é totalmente compreensível. Você viu muita coisa ali dentro e sabe que não pode ser a mesma pessoa e você não é. Seus ideais vão muito além disso.

— Comecei com um cargo baixo no setor financeiro e posso me tornar presidente do dia para a noite. Isso está me deixando sem dormir.

— Por quê?

— As hidrelétricas esgotam os recursos naturais em níveis catastróficos e só a construção de uma usina aqui em San Borat ultrapassa a casa dos bilhões. Esse dinheiro poderia ser investido em outras formas de energia. Energia limpa que não daria um lucro imediato, mas certamente não iria agredir tanto o meio ambiente e sua manutenção seria mais barata e o custo benefício muito maior para famílias mais pobres.

— E como isso pode dar errado, Aimée? Não faz sentido.

— Que empresários são imediatistas. Querem colocar um dólar hoje para receber quatro amanhã e isso seria impossível com o projeto que eu tenho. – ela se senta.

— Eles não comprariam a ideia?

— Com certeza não. O retorno não seria imediato e eles não teriam certeza de onde estariam pisando. Teríamos que sanar o trabalho nas usinas e para eles todo esse dinheiro foi jogado fora. Sem contar que com a energia limpa e sustentável, mais trabalhos seriam criados de forma consciente. Os acidentes iriam diminuir em setenta porcento.

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