18. à vos côtés

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O Audi A3 vermelho que parou do lado de fora da Taste Coffee despejou todo o nervosismo que habitava em meu corpo. Sabia que a sua dona em breves minutos iria sentar na minha frente para finalmente conversarmos sobre seu futuro estúdio que ainda está nas plantas que planejei com tanto carinho descansadas na mesa. Não senti gosto de canela no meu Machiatto e de soslaio encaro Tori Young me olhando o mais sem jeito possível.

Decido olhar minhas notificações antes que eu derreta em sua frente e para minha surpresa era Aimée.

Ela havia mandado uma mensagem de áudio e antes mesmo de dar play, o sorriso em meu rosto denunciava toda a minha inquietação com uma simples mensagem da mulher que tem dormido em meus braços nas últimas noites:

Hey, sei que está super ocupada... – ela respira fundo antes de continuar. – Mas realmente queria fazer algo legal esse fim de semana. Precisava de você. E como está me devendo uma pela formatura, não tem como você dizer não.

Nossa relação basicamente tem sido isso: uma enorme troca de favores. Desde a formatura de Gio, não houve um dia em que Aimée não dormisse na minha casa ou no chão da minha sala quando não dava tempo de chegar até o quarto.

Pressionei a tela para gravar uma mensagem de áudio e respondê-la:

— Vou se fizer um favor para mim... – assisto Many Troian atravessar a porta da Taste e seu sininho fazer barulho. – Depois de amanhã é a festa de inauguração do Pool Club e precisava realmente de uma acompanhante. Se é que me entende. – solto para enviar e bloqueio o celular no exato momento em que Many me acha.

— Claire Lessing?

— Sou eu. – respondo com um sorriso.

Ela puxa uma cadeira para sentar-se em minha frente. Tira os óculos escuros que protegem seus olhos castanhos claros do sol sanboraniano.

— É um prazer. – estende sua mão direita. – Many Troian.

— E tem como não saber quem é você?

Many mexe nos cabelos sem jeito.

— Você quer beber alguma coisa?

— Acho que não há nada com álcool aqui, certo?

— Bem, acredito que não. Mas eles fazem um ótimo café expresso. – tento reverter.

— Terá que servir. – sorri mostrando todos os dentes.

Ela suspende seu braço coberto por tatuagens do início ao fim para chamar a garçonete que por sorte não é Tori. Algumas tatuagens mais coloridas e outras nem tanto. Algumas mais fracas que outras.

O vestido preto e apertado que ela usava acentuava todas as suas curvas e a luz florescente do local fazia seu piercing do nariz e sobrancelha brilharem.

— Isso parece doer. – aponto para o da sobrancelha.

— Não dói nada. – Many passa a mão na joia prata como se aquilo realmente não fosse nada. – Deveria tentar.

— Acho que não teria essa coragem. – ela ri.

— Ninguém é corajoso até se ver diante de algo que nos exige coragem.

— Realmente. A zona de conforto é mais segura. Nesse caso, ficar sem furar a minha pele.

— E uma tatuagem, então?

— Ah, tenho uma pequena. – mostro a pequena tatuagem em minha mão que fiz recentemente.

— É muito bonita. – passa o indicador sobre os traços negros. – Combina com você. – olha para mim, em seguida seu café chega.

02:09 Histórias para pegar e não largar. Descubra agora