15. et pendant que je

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E aí? Para esse capítulo realmente seria interessante ouvir a música Girls, da banda Girl in Red.
Boa leitura e até mais!
💙

Julie estava zanzando de um lado para o outro no meu apartamento enquanto escolhia alguma roupa decente para me vestir. Estava enrolada na toalha há uns dez minutos enquanto ela quase perfura o chão em busca do que ela nomeou "roupa perfeita para um encontro lésbico casual". O que ela quis dizer com isso é: irei encontrar Tori daqui uma hora e Julie não aceitou meus jeans, blusa preta e um all star.

— Certo, experimente esse. – joga o vestido em cima de mim com cabide e tudo.

Deixo a toalha cair no chão e visto a peça de roupa elegante demais para um encontro casual.

— Merda. – Julie tem uma mão na cintura e a outra massageando sua testa, como se quisesse aliviar a pressão que sentia em sua cabeça.

Um encontro para ela realmente estava sendo sua missão pessoal.

— O que foi?

— Isso não está legal. Você parece estar pronta para um casamento.

— Bem, não tenho muitas roupas para encontros casuais visto que há um mês era uma mulher casada e as festas que íamos, meus jeans não eram permitidos.

— O que iremos fazer?

— Você eu não sei, – desbloqueio meu celular que sinalizou uma mensagem de Tori avisando estar saindo de casa. – mas eu irei vestir minhas calças, não posso sair pelada.

— Mas é um encontro...

— Sim e eu não vou com uma roupa que irei me sentir mal. Se caso der errado não quero pensar que me produzi toda para nada. – começo a vestir a roupa que até então estava descartada no chão do quarto.

— Está bem. – se rende. – Você está nervosa?

— Um pouco. Não sei o que conversar com uma mulher. Homens você apenas pede uma bebida e ele começa a falar sem parar até vocês se beijarem. Mas mulheres gostam de conversar.

— Que tipo de homens você saiu nessa vida?!

— Os piores. – ouço a buzina de um carro e preciso ir até a janela para ver se é para mim. Como suspeitava, meu encontro acabara de chegar. – Preciso ir. Vai ficar aqui ou irá para o Thomas?

— Vou para o meu amor. – ela sorri.

Já estou saindo quando volto até Julie.

— A propósito, você sabe de Aimée?

— Ela não aparece em casa faz dias, segundo Thomas.

— Sabe se ela já começou a trabalhar?

— Ah, com certeza. – assisto minha irmã organizar suas coisas. – Vejo Thomas colocar terninhos para lavar.

— Então ela vem aqui...

— Sim.

— Mas não fica aqui.

— Exato. – me dá um beijo na bochecha. – Divirta-se e me conte tudo depois. Amo você. – antes de sair, volta para buscar o telefone. – Ah, e não esquece: a senha para perigo é que Annie está passando mal.

— Ok...

Desço o elevador com um frio característico na barriga e com um sorriso nervoso nos lábios. Poderia surtar a qualquer momento e abandonar minha acompanhante antes mesmo de sentir o gosto do seu beijo.

— Você está bonita. – ela sorri depois que entro em seu carro azul marinho.

— Obrigada, você também. – e ela realmente estava. Vestia uma calça cargo, mas preta que combinava com sua blusa vermelha grená de botão, alguns deles abertos dando visão para a caveira tatuada bem entre o vale de seus seios.

02:09 Onde histórias criam vida. Descubra agora