6. à travers les nuages

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Estava de volta aos meus próprios pensamentos e projeções quando me peguei pensando em Gio, em Raven, na barista e em Aimée. Em meus sonhos eróticos com detalhes minúsculos de um subconsciente obcecado.

Abro uma aba para pesquisa no meu computador e vejo a página do Google me encarar, como se estivesse julgando.

Digito lentamente: como saber se sou lésbica?

Mais de um milhão e trezentos resultados.

Nos primeiros tópicos de respostas da pesquisa apareceram links para pornografia gratuita.

Deus, deveriam haver filtros para isso.

Rolo mais a tela e encontro uma página com o título "Lesbianismo? Nós temos a solução!".

Desisto desse link também.

Volto para a página inicial e encaro mais uma vez o link para pornografia.

Penso duas vezes antes de clicar e fecho os olhos quando duas mulheres aparecem nuas na minha tela.

Tudo bem, são apenas peitos.

Peitos enormes e saltos altos.

Essa era a temática do vídeo: duas mulheres que não se conhecem e magicamente estão em um quarto sozinhas, calçando saltos em cima da cama - para mim este foi o cúmulo do absurdo - e com fetiches estranhos.

O começo do vídeo não é muito diferente dos pornôs heterossexuais e pelo visto as duas ali estão um pouco desconfortáveis com aquelas unhas e todo aquele cabelo e maquiagem e... meu deus, as unhas realmente me assustaram.

Mesmo com uma expressão de dor evidente no semblante de uma, os gemidos eram histéricos e os movimentos desengonçados.

Não chegava nem aos pés do que vi Aimée fazer com aquela garota.

Os gemidos aumentavam a cada segundo e realmente me assustava a rapidez e força que a loira fazia para tocar a outra.

— Claire, preciso que-

— Meu. Deus!

Gio entra na minha sala assim que os gemidos encontram o ápice do silêncio.
Minha estagiária não se mexe até que eu feche a tela do notebook e tente não desmaiar em sua frente.

— Ok... eu vou fechar a porta, bater e pedir para entrar e então começaremos de novo.

— Não é o que você está pensando.

— Mas nem estou pensando nada. – ela está segurando uma risada.

— Sério, eu posso explicar.

— Você quer explicar?

— Sim?! Para que não pense que sou uma pervertida que fica assistindo pornografia no horário de trabalho.

— E não era isso que estava fazendo?

— Não!

Ela me encara.

— Quer dizer, sim. Mas não, não desse jeito que você está pensando.

— Há varias maneiras de assistir um filme adulto?

— Não tenho credibilidade para falar nada agora.

— Está tudo bem, Claire. Mesmo. – ela se aproxima. – Relaxa, não vou ficar te constrangendo com isso.

— Você poderia me ajudar com uma coisa.

— Que coisa?

— Vem até aqui. – chamo Gio e ela senta em meu colo. – Me beija.

02:09 Onde histórias criam vida. Descubra agora