1. à découvrir

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Um pouco de sol e um pouco de frio. Era inverno, mas o calor que esquentava meu rosto com certeza emanava do astro solar. Acordar em uma manhã de sábado antes das oito é o pior martírio que um ser humano é capaz de viver, se que é que vale a pena viver com o barulho constante das gavetas abrindo e fechando diversas vezes seguidas, o latido de Joe e objetos caindo que me despertam antes do esperado, o que realmente me faz repensar se é válido continuar existindo. Estico o braço para sentir o corpo de meu esposo, mas encontro apenas o lençol gelado.

— Merda, merda! – ouço Henry xingar, pela altura provavelmente próximo. – Cale a boca, Joe! Meu Deus, por que você late tanto?

— Talvez seja porque ele é um cachorro? – respondo pelo animal que brincava com uma camiseta de Henry.

— Oh, amor. Acordei você? – caminha até mim, em seguida veste a camisa social que estava em suas mãos.

— Não, já estava acordada. Onde você vai?

— Preciso ir em uma reunião, mas é coisa rápida.

— Entendi. – volto a deitar para tentar dormir novamente.

— Juro que não volto tarde.

— Você disse o mesmo a semana toda, Henry.

— Sim, mas é diferente hoje. Só preciso causar uma boa impressão para o investidor da Grandest, se o velho gostar de mim pode colocar tudo na empresa e meu pai iria me dar mais um crédito na presidência.

— Certo, tudo bem.

— O que foi? Por que está chateada? – senta na beirada da cama.

— Por nada, pensei que ficaria comigo hoje.

— É bem rapidinho, amor. Não se preocupe. Irei trazer um presente quando voltar.

— Tudo bem. — me viro para o outro lado da cama, Joe ocupando o lugar de Henry.

Argh! Já disse que não quero esse cachorro em cima da minha cama.

— Pelo menos ele me faz companhia.

— Claire, amor... – suspira. – Ontem foi incrível, você não acha?

Não, eu não acho.

— Por que vamos brigar depois da noite maravilhosa que tivemos?

— Tem razão. – ele me beija.

Como me beijou ontem.

Retribuí enquanto havia ar em meus pulmões, mas logo precisamos parar graças ao toque de seu celular.

— Um minuto. – Henry se levanta, buscando o aparelho na cabeceira e indo para sala.

— Joe, o que você quer fazer hoje?

O cachorro me encara curioso, um pouco perdido entre tantas cobertas.

— Tem razão, também acho uma boa ideia ir ao parque, vou mandar mensagem para Julie.

— Preciso ir, os caras já estão me esperando lá embaixo.

— Caras?

— É, os caras da empresa.

— Está bem, bom trabalho.

— Obrigado, linda. Prometo recompensar mais tarde. – dá uma piscadela antes de bater a porta do quarto.

Henry e eu estamos casados há dois anos e onze meses. Faz tempo que não o vejo em casa e longas noites esperando sua chegada me fazem acordar muito mal. A verdade é que me preocupo com ele. Talvez seja difícil estar em seu lugar, essa cobrança que ele sofre de seu pai e a vontade que tem de finalmente ser o presidente da Grandest, empresa dos Graham, melhor dizendo: minha família.

02:09 Onde histórias criam vida. Descubra agora