Apenas o som de bipes e telefones tocando eram ouvidos ali. As portas abriam e fechavam de maneira brusca. Tudo estava tão claro naquela sala, os sofás de cor creme espalhados e alguns arranjos de flores por todo o resto. O ar tenso que rondava todos que estavam presentes só me deixava ainda mais apreensiva, não tinha sequer oxigênio suficiente no meu cérebro para processar todas as informações que as luzes fluorescentes ofereciam. Estava sendo difícil manter a calma e a respiração compassada, não poderia ser diferente se fosse qualquer outra pessoa naquela situação e quando assisti o homem atordoado empurrando as portas da sala de espera, meu coração quase saiu pela boca de uma só vez.
— Ela nasceu, pessoal! Minha pequena Chloe nasceu! – Thomas dizia com lágrimas nos olhos. A roupa hospitalar azul, a máscara pendurada em apenas uma das orelhas e o sorriso que atravessava dimensões.
— Meu Deus, finalmente! – Gio se levanta, com Beck ao seu lado e um balão enorme escrito "é uma garota" sobrevoava com o limite de um fio de náilon.
— Podemos vê-la, Thomas? – meu pai pergunta. Sua testa franzida e sabia que tentava segurar o choro.
Minha mãe chegou antes mesmo do homem responder.
— Chloe é linda e tem os olhos verdes do pai. Vocês precisam ver como ela é fofa. – pela primeira vez na vida vi minha mãe se emocionar verdadeiramente com algo tão simbólico e sensível.
Finalmente a ficha dela havia caído: ela era avó.
— Como Julie está? – pergunto.
— Está bem. – Thomas diz enquanto tira a roupa hospitalar ali mesmo. – Os médicos disseram que ela vai ficar bastante cansada por agora, mas que daqui uma hora já estará no quarto. A bebê só pode ser vista pelo vidro do berçário.
— Podemos assistir ela de lá?
— Sim! Só precisam pegar os cartões de visitante e irem revezando, acho que não podem ir todos.
Minha mãe estava abraçada ao meu pai enquanto dizia o quanto sua neta era linda e gordinha.
— Precisam ver, ela é a minha cara. Mal nasceu e tem a cara do pai.
— Depois vocês perguntam porque não quero ter filhos. – Gio sussurra para mim.
— Totalmente injusto. – Aimée que estava agarrada em minha cintura concorda.
— Vamos lá! – o novo pai do mundo estava animado demais.
Sua família estava chegando já que não deu tempo, Chloe estava ansiosa para sair.
Estávamos tomando um café na Taste Coffee depois do expediente e minha irmã reclamou de fortes dores abdominais. Avisou que iria no banheiro e demorou tempo demais lá. Até que Gio e eu ficamos preocupadas e quando chegamos até o banheiro minha irmã estava com o celular na mão enviando uma mensagem para seu marido dizendo que "achava que a bebê estaria nascendo". Thomas deu um leve surto e saiu correndo do estúdio que trabalha desde que chegou em San Borat, passando na nova casa deles perto da Magnus Avenue para pegar as coisas de Julie e Chloe que já estavam preparadas, partindo às pressas para o hospital.
Minha irmã se manteve calma, exceto quando as contrações atacavam e Gio gritava o triplo dentro do meu carro. Quando chegamos ao hospital não demorou duas horas até que ouvíssemos o choro agudo e estridente. Sabíamos que aquela era a filha de Julie, a mais escandalosa de todas.
Primeiro meu pai, minha mãe e os pais de Thomas foram visitar a pequena no berçário, na volta a mãe dele estava tão apaixonada pela pequena que decidiu ficar mais tempo na cidade para vê-la mais vezes. Os dois ficariam na casa da minha irmã que talvez depois do casamento esteja se dando melhor com a sogra do que o esperado.
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02:09
عاطفية"Confiro mais uma vez o jantar pronto e servido sobre a mesa. A superfície de vidro embaçado pelo calor emitido por algumas travessas. Encaro o relógio prometendo pela sétima vez que é a última que o encaro. Já se passa das duas e ele ainda não cheg...
