13. Conversa incomum

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Sinto meus olhos arderem  de tanto olhar para tela do meu computador e minha coluna doer pela minha falta de postura, mas não consigo ir para casa, algo me diz que tenho que ficar mais um pouco, mesmo que isso me custe algumas horas de descanso.

_ Você deveria ir para casa.- Escuto uma voz doce e melodiosa e olho em sua direção, encontrando Samanta me observando.- já está tarde e você parece cansado.

_ O que ainda faz aqui? Pensei que já tivesse ido.- falo desviando do assunto e ela sorri.

_ Eu tinha alguns relatórios para terminar, mas estou indo agora.

_ Vou pedir para um dos policiais levar você em casa, essa cidade não está segura e como você mesma disse, está tarde.- Falo pegando o telefone e pedindo para um dos meus homens de confiança levarem ela, mas assim que desligo o telefone eu vejo uma ponta de decepção em seus olhos que me deixa intrigado.

Samanta se afastou de mim, me pediu distância e até ontem eu estava cumprindo com sua vontade, mesmo que isso me magoe, mas agora olhando para ela em minha frente, me olhando dessa maneira, fica realmente difícil não ter uma recaída.

_ Boa noite Benjamin.- E tudo o que ela diz antes de ir e eu não consigo parar de me perguntar o que fiz de errado dessa vez.

🍁🍁🍁

Não sei dizer quantas horas se passaram desde o momento que Samanta foi embora, mas sei que não da mais para ficar aqui me remoendo, muito menos me martirizando por algo que não posso controlar.

_ Eu vou pra casa.- Penso alto e  começo a fechar as abas do meu computador, mas uma notificação me informando sobre um novo e-mail me chama a atenção.

Abro meu e-mail e assim que olho o assunto meu corpo todo enrijece. A letra "A" em negrito me deixa tenso e assim que abro o e-mail, vejo minha foto, sentado em um bar ao lado da moça que conheci na sexta a noite.

"Espero que tenha tido uma boa noite. Porque sem sombra de duvidas eu tive."

Leio a mensagem em baixo da foto, e a certeza de que estou sendo vigiado finalmente foi confirmada.

"Pensei que não entraria em contato dessa vez."- respondo ao e-mail, e apesar de ter a esperança de ser respondido, o que acontece me surpreendeu.

Ele me ligou.

**ligação on**

_ Sentiu minha falta delegado? - Ele fala com ironia em sua voz eletrônica.

_ Você parece se divertir com o que está fazendo.- Falo ignorando sua pergunta anterior e recebendo alguns segundos de silêncio em resposta.

_ Se está me perguntado, se me divirto tirando vidas? Não, simplesmente porque não é para ser divertido, é mais uma questão de justiça, carma talvez. - Ele fala com naturalidade.- Mas se você quer saber se me divirto com o fato da polícia agir como cachorros correndo atrás do próprio rabo? Aí a coisa muda de figura.

_ Você não sente remorso? - Faço a pergunta que não sai da minha mente desde o primeiro crime, simplesmente porque me recuso a acreditar que um ser humano possa ser assim tão irracional e impiedoso dessa maneira.

_ Sinto.... Pela cadelinha que deixei sozinha com aquele resto de aborto que era seu dono. Se eu soubesse que vocês demorariam tanto para acha-lo, eu teria levado ela comigo. Se bem que eu gostaria se ela tivesse devorado o rosto dele.- Ele fala, claramente se divertindo com essa ideia.

_ Você me enoja.

_ É realmente uma pena delegado, porque até que você me atrai bastante!.- Ele fala ainda se divertindo as minhas custas e eu tento não me exaltar.

_ Como é possível alguém ser assim tão cruel?

_ Você nem faz ideia do que é crueldade Delegado.- Posso sentir o ressentimento em sua voz e é como se sua mascara de frieza e irônia se dissipasse por alguns segundos.- Quem sabe um dia possamos tomar um café e falar a respeito disso, mas agora eu tenho que ir. Tenho planos para organizar, venenos para comprar, pessoas para matar....- A mascara voltou.

_ Você vai continuar com isso?! - Mais afirmo do que pergunto, mas obtenho respostas da mesma forma.

_ Eu ainda não terminei delegado, na verdade estou só começando.

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