Se tudo isso um dia aconteceu, muito se aconteceu em Cavendish Avenue número 7. Sete, considerado por muitos como um número da sorte, o que reflete a perfeição. Sete são os dias da semana, sete são as cores do arco-íris, sete são as notas musicais. Paul McCartney não poderia ter escolhido melhor o seu novo lar.
Foi em Cavendish Avenue número 7 onde ele criou junto a John Lennon as mais incríveis canções daquele que veio a ser o álbum mais inovador que o mundo já havia ouvido até então. Uma nota para Penny Lane e Strawberry Fields Forever, tão grandiosíssimas quanto, dignas do Sgt Pepper's, mas lançadas em compacto duplo. Erros de gravadora...
Meses depois do lançamento do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, foi pedido a dupla de compositores que escrevessem uma mensagem para todos os povos do mundo. Esta mensagem seria transmitida mundialmente via satélite pela primeira vez. E Cavendish Avenue número 7 foi novamente cenário para um hino atemporal.
A simples análise de tudo junto e misturado é: compor e produzir algo de tamanha complexidade não exigiria somente criatividade e tato com inovações, mas também de muita inspiração. Algo que desse borboletas no estômago, que fizesse suar as mãos, algo que a vontade de gritar algo para o mundo fosse descomunal, positivamente vertiginoso, algo que o medo nunca tivesse a chance de chegar perto.
E eu só conheço uma coisa assim...
-Looove, love, love... –Cantarolou em falsete. –O que acha do começo desse jeito, Paul?
Lennon estava sentado no sofá empunhando sua guitarra. Dedilhou umas notas simples para cantar a protoversão da futura All you need is love. O amigo estava logo ao lado, sentado no chão.
-Gostei. –Olhou rapidamente para ele. –Os garotos podem fazer o acompanhamento, como um cântico. Só não tenho certeza se só nos quatro vamos ser o bastante. –Coçou o queixo.
-Se não conseguirmos podemos pegar mais algumas vozes. Um pequeno coral pra ter algo mais "cheio."
-Ainda acho que tá faltando alguma coisa... Mas a primeira parte tá ótima. Você conseguiu escrever alguma coisa para a segunda? Eu rabisquei umas palavras aqui, não sei se vai gostar. –Apontou-lhe um bloco de anotações.
-Deixe-me ver... –Pegou o bloco e deu uma olhada nas sentenças. –Nothing is impossible... You can do that... You can learn everything... É, acho que com algumas pequenas mudanças a gente consegue encaixar esses versos.
-Vai pensando e vai escrevendo. Não deixa escapar.
-Sim, sim, não se preocupe. Eu apenas to sem criatividade agora. –Deixou o bloco no chão e a guitarra logo em seguida.
-Bloqueio criativo para nós dois então. Porque depois que eu escrevi essas palavrinhas não me veio mais nada. –Tocou um acorde no violão.
-Procrastinação aí vamos nós... –Deitou-se no sofá esticando bem as pernas.
-Quer que eu cante alguma coisa?
-Sim... And I love her, por favor. –McCartney sorriu com a escolha.
Dedilhando o violão seu companheiro começou a cantarolar daquela maneira angelical que ele bem conhecia. Fechou os olhos em adoração. Nem as mais completas hostes celestiais de todos os paraísos que podiam existir eram páreo para aquela voz que emanava amor em cada palavra. Eu te venero como um deus e você nunca teve ideia do quanto.
Esperou que o amigo terminasse de cantar a primeira parte para comentar algo. Sentia o coração apertado, esperando por um alívio que talvez não saísse daquela boca que até pouco tempo havia beijado.
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PARIS 61 - Mclennon
FanfictionColetânea de one shots McLennon. Histórias diversas entre 1957-1980.
