Enquanto Milena e Rafael, estavam adormecidos, perdidos em seu idílio; á vida, continuava a correr, em um mundo lá fora, que nunca parava de girar. Paulo, havia passado uma noite infernal; mergulhado em uma ressaca, tanto do excesso de álcool ingerido, quanto moral.
Não conseguira pregar os olhos, um único segundo sequer. Pois, passara todo o anoitecer, pensando em Milena. Mais especificamente, no que esta, poderia estar fazendo, estando sozinha com Rafael.
Sentia o corpo, gelar e tremer e o sangue ferver, só em imaginar que ela, pudesse estar nos braços dele. Não podia, nem ao menos, cogitar esta possibilidade. E não queria nem pensar, no que poderia fazer, com aquele sujeito maldito; se este, houvesse tido á ousadia, de ter pelo menos, triscado, um dedo que fosse, naquela, que era e sempre seria toda e somente dele.
Era impressionante, como o ódio, tinha toda a facilidade, de se entranhar nele e o fazer perder, todo o domínio sobre si mesmo. Era um sentimento, do qual, por mais que lutasse contra; não conseguia jamais, se libertar.
Quanto mais tentava se soltar, mais preso, se tornava. Apenas, o sentia crescer dentro de si e o destruir por dentro.
Tantas coisas, já havia feito, por culpa do verbo odiar!... Mas, parecia, que a conjugação deste; nunca mais iria terminar, em sua vida!... E a ele, só restava, se conformar com este fato e aprender a conviver com o mesmo.
Não iria no entanto, ficar com esta dúvida, a lhe corroer por dentro. Agora, que já amanhecera e estava plenamente sóbrio; voltaria á casa de Rafael e iria confrontar Milena diretamente. E ela, teria que lhe dar uma explicação plausível e que o convencesse, para estar vivendo na casa deste homem!... Ah!... Se teria!...
Pensando deste modo, tomou um banho, se vestiu, calçou, perfumou, penteou os cabelos e saindo de casa; entrou no carro e se dirigiu ao seu destino. Não demorou muito e lá chegou.
Estacionou o seu veículo, a uma certa distância. Pois, não queria fazer nenhum barulho.
Muito menos, chamar a atenção de ninguém. Ainda mais, a de Milena e de Rafael.
Durante muitos minutos, ficara parado, trancado dentro do carro. Porquanto, lhe faltava, á coragem necessária, para descer, tocar á campainha e se deparar, com qualquer cena, que pudesse estar acontecendo, no interior da residência. E se a sua amada, estivesse mesmo, namorando o padrinho dela!?...
O que poderia ou iria fazer!?... Como reagiria!?
Como seria, deixar de ter uma mera dúvida, para ter a absoluta certeza; de que Milena, realmente, estava perdida para ele, para todo o sempre!?... E o que era ainda pior!?...
Para um homem, que era infinitamente melhor que ele, em todos os sentidos!?... Como seria, ver escrito nos olhos dela, o retrato de uma felicidade, estampada por outro!? Sendo que esta, um dia, já fora causada nela, por si próprio e continuaria sendo; se não tivesse sido, um total e completo asno!?
Ainda não estava preparado, para ouvir da boca da mesma, nem enxergar em sua face; que já a havia perdido, de modo irremediável. Pois, se encontrava perdidamente apaixonada, por outro homem e já o esquecera por completo. E que ele, era parte de um passado dela, cujo á garota, só desejava esquecer e deletar, de uma vez por todas. Na verdade, jamais estaria.
Não tinha nenhuma outra forma, contudo. Pois, uma hora ou outra, cedo ou tarde, teria que encarar á realidade de frente e a enfrentar , com todas as suas consequências, de peito aberto.
Seria melhor então, que fosse agora. Porquanto, deste modo, terminava de uma vez, com toda esta agonia, que o estava machucando tanto. Embora, tivesse sérias suspeitas, de que quando adentrasse, o local diante de si; o que iria comprovar, o faria se sentir, ainda mais machucado.
Pior que isto. Totalmente estraçalhado.
Fosse entrementes, como O Pai Celestial Determinasse. Tomando finalmente uma decisão, se obrigou a sair do seu carro e ir em direção; ao que suspeitava, ser o lugar do seu calvário. A residência de Rafael.
O fez todavia, com toda a lentidão, que lhe foi possível. Sentia o seu coração, apertado e oprimido; com a sensação, de que estava indo para o caminho, rumo ao fim de sua vida.
A cada passo que dava, era como se em seus pés, houvesse o peso de um chumbo. Sua alma, gritava em silêncio, para que recuasse!...
Desse meia volta e retornasse, enquanto ainda, havia tempo. Porque como diz o dito popular: "O que os olhos, não vêem, o coração, não sente!"
Sempre fora muito teimoso, todavia. E não seria agora, que deixaria de ser.
Jamais se deixara levar por ditados ou opiniões alheias. E na única vez que o fizera, o resultado, fora desastroso e devastador.
Seguindo portanto, adiante, a opressão em seu peito, só aumentava. Tanto, que tivera que parar por alguns segundos, para tomar um pouco de fôlego. E recuperar á respiração, que estava descompassada e difícil.
Quando enfim, conseguiu se aprumar outra vez; continuou a caminhar. Até que afinal, chegou á porta da casa.
Antes de tocar á campainha; algo o impeliu, a checar o trinco. E se surpreendeu assaz, ao constatar que á porta, se encontrava apenas encostada. Portanto, qualquer um, poderia entrar, sem necessitar pedir nenhuma autorização. E assim o fez.
Adentrou. Respirou o mais profundamente que pôde; tentando puxar todo o ar, que tinha retido, bem no fundo de seus pulmões.
Tentava ao máximo, se preparar, para o que quer que fosse encontrar ali dentro. Mas, bem no fundo, já sabia, que independentemente do que encontrasse, isto, destruiria totalmente, todo e qualquer fio de esperança, que ainda pudesse possuir.
Já no interior da casa, notou, que não havia o mínimo barulho. Parecia até, que ali, não residia viva alma.
Sua intuição, entrementes, era de que o que precisava descobrir, estava ali, bem diante dos seus olhos. E necessitava apenas, que fosse um pouco mais atento e olhasse ao seu redor.
Lembrou então, de quantas vezes em sua infância, estivera ali com Caio e no quanto os dois, brincavam por este casarão e conheciam cada meandro dele. Portanto, intuía, que á resposta, que tanto desejava e necessitava; estava no andar de cima. De modo específico, no quarto de Rafael.
Estando eles, realmente juntos, já que não se encontravam no andar de baixo; somente poderiam estar, na alcova do homem. Na cama dele.
Doeu demais, apenas com a imagem, que se formara em sua mente. Imagina então, como seria a realidade!?
Reunindo os seus últimos resquícios de coragem, finalmente, subira á escadaria, que dava para o quarto de Rafael. Mas ao chegar lá, nada havia lhe preparado, para á cena, que se descortinara, á sua frente.
Ele e Milena, estavam dormindo, completamente nus e enrodilhados; como se formassem...um só corpo. A dor, que sentira neste instante, não poderia ser transcrita, de nenhuma forma. Porque era... simplesmente impossível de explicar ou definir.
As lágrimas, desceram quentes e grossas. A mulher que tanto amava, mas, que infelizmente, não soubera cuidar, nem conservar, hoje, estava dormindo, nos braços de outro. E por sua expressão, serena e feliz, a experiência, estava sendo Divina.
Mesmo sabendo contudo, de todos os erros, que cometera com a mesma e que esta, tinha todo o direito, de o esquecer e seguir em frente com outro; não conseguia aceitar, o que estava vendo. E em poucos segundos, á dor, dera lugar, a uma fúria desenfreada, que o fizera, perder completamente á cabeça e gritar:
- Miiiiiiiiiileeeeeeeeeenaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!... Será que eu...posso saber...que diabo...está acontecendo aqui!!!!!!!!!!!!????????????
O grito, que com certeza, pudera ser ouvido á distância, tivera o dom de acordar o casal; que tomara um enorme susto. Rafael, se pôs na frente de Milena, para tentar cobrir a sua gloriosa nudez. E pegou um lençol, para cobrir á ambos. Enquanto os dois, olhavam para Paulo,com uma cara de total estupefação e completamente sem ação; diante da inesperada invasão.
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Amor Além da Vida( Completa)
Roman d'amourÉ uma história de amor como tantas outras. Igual e ao mesmo tempo diferente. Poderia ser a minha ou a sua. Mas não é! Repleta de segredos escondidos. Nada é como parece. Tudo é uma incógnita.
