15 ➳ Emoções

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Suor. Medo. Adrenalina. Dor.

Suor. Excitação. Adrenalina. Alívio.

A música do melodrama repete, repete, repete. Suave, intensa , barulhenta.

As facetas de Kalmia acompanham a melodia, os olhos atentos do seu sensei procuram todos os mínimos detalhes nos gestos dela.

A perna se ergue e gira, o movimento tão suave e perfeito que faz Ákira suspirar. Dava-lhe gosto em olhá-la. Era deliciosa, no sentindo de boa bailarina. Completamente graciosa e triste.

As mãos se erguiam sobre a cabeça, os joelhos apertados por elásticos firmes se flexionavam de uma forma extraordinária. Ela parecia de mentira, e fazia o coração dele disparar.

- É isso... - Ákira se emociona, as sobrancelhas entristecidas de Kalmia, os lábios pálidos, os olhos cheios, o sentimento escorrendo na pele dela. - Foi o que eu sempre sonhei - ela ouve o sopro, mas não capta a mensagem.

Kalmia passou os últimos seis dias inteiros ali dentro. Uma vez por dia, perto das quatro da manhã ela voltava para casa, os pés em agonia, feridas e algumas vezes com resquícios de sangue. As mãos também, cheia de calos novos e alguns arranhões, hoje, finalmente, Ákira parou de gritar: "Não! Não! Não! Que porra você está fazendo? Não! É essa a cara que se faz quando perde seu filho? Ou seu marido? Ou a guerra? Não, porra, não é assim".

- Perfeita! Você é perfeita! - foi o que ele sussurrou, ajoelhando-se longe de onde os pés sangravam. Kalmia não sabia se as lágrimas eram genuínas, mas ela sentia.

O seu coração estava sincronizado com a melodia. Ela ensaiou, treinou, esqueceu que é Kalmia e cada vez que o piano toca três notas e forma um acorde, ela é Kushina, sacrificada pela Vila.

O ritmo passa, gradativamente, a ser elétrico. Os passos rápidos a levam para cima, fazendo-a saltar, e girar, girar, girar, até entregar-se à sua amada, como o Hokage.

- ISSO! - Ákira grita quando a vê cair, morta e banhada a lágrimas. O piano morre, tudo morre, até as feições cruéis do seu rosto deixarem claro que ela é um clã massacrado, cada mãe e seu bebê que perdeu a vida.

E com ódio, Kalmia se levanta. Os olhos miram algum alvo, suas pernas correm, mas caem, ela vacila, não alcança. Deixa Ákira arrepiado, até o dia em o Clã Uchiha é restaurado.

Mas Kalmia faz "pare" com a mão. Sugestivamente, ela volta na história. A apresentação estava terminando, ao menos essa.

Na noite passada ela não entendeu quem é esta personagem. Nem na noite anterior a esta e tampouco agora. Mas ela sente familiaridade, pensa que já o tocou de alguma forma.

Isso a faz cair, escorregar com graciosidade. Ákira ama a ver morrer. Kalmia sente todo o corpo suado se arrepiar, as pernas doem, ela não reconhece, mas o gesto da sua cabeça indo para trás, deixando a vida enquanto olha para o céu, representa dolorosamente, a morte dele.

Kalmia se deixa ir, ao som da música que desacelera as batidas frenéticas do seu coração. Ela conta, devagar... Um... - e inspira. Dois... - expira. Três... - como uma lenda, ressuscita.







A música acaba e Kalmia pisca muitas vezes para encontrar seu sensei no chão. Ajoelhado, admirado, extasiado.

- Isso foi... - ele respira com dificuldade, as mãos dela tremiam, a cabeça girava, mas ao modo de deixá-la emocionada, não sentia nem um pingo de dor.

- Extraordinário - Ákira ergue ela, abraçando-a. - Perfeito! Eu... Eu não acredito no que vi... Mulher, eu preciso de você - Kalmia sorri, sentindo seus cabelos grudados, o corte profundo na mão voltando a doer.

GRITE - Hatake KakashiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora