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O clima naquela tarde de sexta-feira poderia ser um pouquinho melhor... pelo menos para Liz Tuttle. Devido a chuva da manhã, o solo da floresta estava barrento e a grama alta cheia de gotículas roçavam sob suas pernas e molhava a meia-calça sem falar também da sujeira em seus sapatos. Erina já não dava tanta bola, já que foi criada em meio a mato alto, se enrolando em barro molhado quando chovia e brincava com os animais da fazenda de sua mãe. A floresta era densa, não tão escura e assustadora quanto a Floresta Proibida, e era cheia de beleza... Erina viu umas duas ou três fadas passando por elas e um animal celeste, grande e escamoso parecido com uma gigante serpente de asas arroxeadas e rosto de avestruz. Erina tinha quase certeza que viu um ser parecido na mala do senhor Newt na última vez que entrou em seu interior.
— É um Occami. — disse Liz — O professor Kettleburn trouxe ele ano passado. Era o último da sua manada, sabe... elas foram dizimadas após traficantes quererem seus ovos.
— Ouvi dizer que ovos de Occami são excelentes para poções, em especial a Felix Felicis.
— É, são. Mas estamos aqui para procurar a quimera do professor Kettleburn, então vamos prosseguir.
— Queria te perguntar uma coisa... há quanto tempo esse ser desapareceu?
— Nem o professor Kettleburn sabe, mas parece que são décadas. Sinceramente, eu acho que essa quimera morreu faz algum tempo ou está longe demais das terras de Hogwarts, o que é extremamente grave. Sabe, os trouxas podem acabar vê-la e na pior das hipóteses...
De repente, um som de folhas se mexendo. Erina levantou as mãos para Liz se calar. Mais sons de folhas. Erina fechou os olhos e se concentrou exatamente onde estava vindo o barulho...
— ... atrás. — apontou a garota para uma árvore centenária no fim da trilha.
— Acha que a quimera está escondida ali?
— Não... é alguém nos espionando... fica aqui que vou ver o que é.
— O-ok... e-então eu vou, err... ver do outro lado. Qualquer coisa joga Vermillious.
Liz se afastou, indo para o outro lado da floresta enquanto Erina andava pela trilha com a varinha de metal apontada para a árvore... ouviu outro barulho, e girou seu corpo na direção do som. Era apenas um castor com uma noz nas mãos que saiu correndo desesperado com medo de ser atacado. Erina respirou aliviada e abaixou a varinha, mas...
— Estupefaça.
Alguém estava atrás dela e foi jogado direto no tronco da árvore de costas, caindo em seguida. Erina caminhou até o corpo desacordado do homem, que estava com as roupas rasgadas e sujas. Erina se aproximou dele, pegando-o pelos cabelos e erguendo seu rosto sujo de lama e folhas... aquela cicatriz... com certeza reconheceria em qualquer lugar que a visse. Erina largou-o no chão e esperou sentada até que acordasse do feitiço estuporante, a qual não demorou muito e já ouvia os gemidos de dor do senhor Lupin.
— Ai... p-por que você me acertou? — disse ele, limpando o rosto sujo de lama.
— Achei que fosse um animal perigoso. — disse com desdém — Nunca se sabe...
— Está de dia. Eu não ia me transformar.
— Já que está aqui, quero lhe perguntar uma coisa. — sem rodeios, Erina pegou a varinha e apontou bem para o queixo de Lupin, que se afastou duas vezes, olhando para a ponta afiada que reluzia, mesmo que não tivesse sol por causa do mau tempo — ... foi o senhor quem contou sobre mim e o professor Snape para a professora Rakepick?
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Monster
Fanfiction1989-1991. Ainda era difícil para Erina Thompson superar os traumas do passado, mesmo com seu namorado o professor de poções Severo Snape, sua família e amigos lhe apoiando incansavelmente. Voltar para seus últimos anos a Escola de Magia e Bruxaria...
