Sinto uma forte dor de cabeça quando recobro a consciência. Sinto a mão de alguém segurando a minha e quando abro os olhos me deparo com o Lucas prestando atenção para o outro lado, então dirijo os meus olhos para a mesma direcção e vejo uma mulher que estava vestida de médica, olho finalmente em redor e me apercebo que estou em um hospital.
- Lucas... o que aconteceu? – pergunto confusa.
O Lucas fala algo que não consegui ouvir pois senti uma dor imensa que me fez segurar a cabeça na esperança de amenizar a dor, mas a médica se aproximou e começou a fazer a testes de rotina para saber como me sentia e me deu comprimidos para parar a dor de cabeça e disse que estava tudo bem e que eu já poderia ir embora.
- Eu te levo para casa – disse o Lucas quando saímos do hospital.
- Não, eu vou para casa do meu pai – disse começando a caminhar, mas Lucas segurou o meu braço me fazendo parar.
- O que aconteceu? Aquele homem fez alguma coisa com você? Vi na rua e decidi segui-lo e quando vi ele entrando na sua casa me aproximei um pouco e acabei ouvindo você gritar então presumi que a sua mãe não estivesse em casa, eu não estava te seguindo – falou ele.
- Obrigada! Eu não sei o que teria acontecido se você não tivesse aparecido – disse o abraçando.
Sabia que não devia fazer aquilo, que me machucaria depois, mas no momento não me importa o que vai acontecer depois, não importa se ele vai me afastar ou talvez me deixar sozinha.
Depois de alguns segundos sem que ele fizesse nada então decidi me afastar dele. Já sabia que isso poderia acontecer, ele não tem culpa alguma, ele está noivo agora e nunca deve ter gostado de mim e presumo que aquele beijo na festa foi por pena mesmo.
- Não acho que seja um boa ideia você ir para casa do seu pai hoje, já são nove da noite e ele vive em outra cidade, mesmo estando de carro somente chegaremos lá as uma da manhã. – falou ele olhando para o relógio que estava em seu pulso.
- Você não precisa se preocupar comigo, eu posso pegar um metro, só preciso de algum dinheiro para pagar a passagem. Você pode me emprestar? Eu vou te pagar amanhã na faculdade – falo olhando para baixo para tentar esconder a vergonha que sentia pela situação.
- Eu não vou deixar você sozinha andando por aí tão tarde, eu vou levar você para casa do Marcel, os pais dele estão viajando e ele não vai se importar de receber a namorada em casa dele – falou ele olhando para mim.
- Nem pensar! Eu disse que faria isso sozinha, não precisa se preocupar comigo, eu sei cuidar de mim mesma, você não tem obrigação de cuidar de mim – digo olhando para os seus olhos azuis que pareciam distantes.
- Então eu levo você – disse segurando a minha mão e me conduzindo em direcção ao seu carro.
- Eu posso ir sozinha!
- Você não está em condições de ficar andando sozinha!
- Você não manda em mim! Você não é meu pai!
- Mas sou seu amigo! E não estou mandando em você, só estou garantindo que você não faça nenhuma besteira. – falou abrindo a porta do caro para que eu pudesse entrar – Entra.
Eu fiquei em silêncio e não movi nem um milímetro do meu corpo.
- Por favor... não dificulte as coisas, eu só quero te ajudar – falou ele soltando a minha mão.
- Está bem... - disse entrando no carro.
Ele entrou no carro e deu partida. Ficamos em silêncio por horas, eu não aguentava mais aquele clima, então decidi mostrar para o mundo o quão masoquista eu podia ser.
- Como foi a festa ontem? Eu acabei saindo mais cedo porque não estava me sentindo bem – não quero ser a única me sentindo um lixo aqui.
- Foi bem, pena que você saiu antes de ver a melhor parte que foi a dança dos casais, eu e a Carol fomos os melhores da festa – disse sem tirar os olhos da estrada.
Eu sabia que me machucaria, mas ele está pegando pesado.
- Que pena... acho que salvei a vossa noite porque se eu ficasse com certeza eu e o Marcel seriamos os melhores – falo tentando não mostrar o quão as palavras dele me machucaram.
- Vamos parar com isso, você pode até gostar, mas eu não suporto ficar falando coisas duras para você parar de criar esperanças – falou ele.
- Desculpa, é que o meu coração não me obedece e fica pulando toda vez que eu te vejo, isso é como gasolina para as minhas esperanças, mas não se preocupe, essa é a ultima vez que você vai ouvir algo assim, eu vou voltar a agir como sua amiga, nada mais – falo.
Não sabia que o Lucas conseguia ser assim as vezes, o que eu esperava? Que por eu ser a única garota que ele conversa na universidade, eu teria alguma oportunidade com ele? Acho que devo parar de assistir K-dramas e ler Webtoons por um tempo.
(Na casa do meu Pai)
- Obrigado pela carona, já está muito tarde, você deve estar cansado... porque você não fica...
- Eu vou dormir em um hotel e volto de manhã – falou mais rápido, impedindo que eu pudesse terminar a frase.
Obrigado "Homem Gelo" havia me esquecido que eu tenho que agir como amiga com você agora.
- Meu pai não vai se importar se um amigo que trouxe para aqui ficasse aqui por uma noite, a casa tem quartos suficientes. – insisto.
- Naty, eu vou ficar no hotel, amanhã falamos – disse ele entrando no carro.
Naty, eu vou ficar no hotel... ele diz que quer que eu haja como amiga com ele o tempo todo, mas ele viça alternando entre desconhecido e suposto amigo...
Bato a porta de entrada da casa e sou atendida segundos depois. O meu pai abre a porta e fica surpreso por me ver ali.
Depois de vários minutos explicando para o meu pai o que havia acontecido para que eu estivesse em casa dele naquela hora, perguntei o porque dele estar acordado tão tarde.
- Eu tenho uns projectos que tenho que terminar essa semana, mas já estava indo dormir quando você bateu a porta – falou ele – e como você chegou até aqui?
- Hã! Um amigo me deu carona – falei olhando para as minhas mãos.
- Amigo... amigo porque ele quer ou porque você quer? – perguntou ele em um tom humorado.
- Porque ele quer... ele definitivamente não quer nada comigo, até fica me empurrando para o amigo dele agora, mas antes fez um escândalo sem noção quando eu e o amigo dele fingimos ser namorados, eu não entendo garotos! – falo frustrada.
- Há! Há! Há! Na verdade mulheres são mais complicadas que os homens... no meu ponto de vista – falou levantando mostrando que não queria discutir.
- Vou fingir que acredito nisso – digo encostando as minhas costas no sofá – já que o senhor entende melhor sobre os homens, você pode me dizer porque ele está agindo desse jeito?
- Não acho que seja uma boa ideia criar expectativas, se não você só vai se machucar mais – falou ele.
- Está bem! Está bem! Não vou mais beber desse veneno. Estou exausta e você também deve estar também, é melhor a gente ir dormir.
- Está bem filha, até amanhã!
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The Ordinary Girl
RomanceNatacha Barbosa era uma garota normal como qualquer uma, mas os seus dias normais se foram embora quando ela começou a se tornar desapercebida para as pessoas, mas tudo munda quando Lucas é transferido para a Universidade em que ela estuda. Lucas...
