two

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AURORA

Sinto meus olhos encherem de lágrimas e olho para a Lorena, que tinha o maior sorriso do mundo em seu rosto.

— Somos oficialmente da CBF. — Ela diz e me abraça, fazendo com que uma maldita lágrima desça pelo rosto. — E esse é apenas o início do nosso sonho, Aurora.

— Eu nem acredito. — Falo e abro um sorriso.

Desde que eu completei meus quatorze anos, eu coloquei na minha cabeça que me formaria em Psicologia e abriria o meu consultório, na esperança de ajudar a vida de muitas pessoas.

Eu perdi a minha mãe para a depressão e jurei para mim mesma que nunca deixaria ninguém a minha volta pegar essa doença e que faria de tudo para ajudá-la.

Escutei por muitos anos que Psicologia era coisa para gente doida e que não dava dinheiro nenhum, mas eu não estava ali por dinheiro e sim porque eu amo essa área.

E hoje, ver que eu estou prestes a embarcar em um dos meus sonhos, que é ser psicóloga da seleção brasileira e trabalhar para a CBF, e é muito gratificante.

— Você já contou para ele? — A pergunta da Lorena me tira do pensamento e eu mordo os lábios, negando. — Ele vai descobrir pela boca de outras pessoas e eu vou apenas te dizer que eu avisei.

— Eu vou contar hoje. — Falo e ela me encara, com a sua expressão de "duvido" e eu reviro os olhos. — Juro pra você!

— Liga pra ele agora, e não quero ouvir uma reclamação sair dessa sua boca. — Diz e me entrega o meu celular, já com o número dele discado. Clico no botão para iniciar a chamada e não demora muito para eu escutar a sua voz.

— Oi amor, como você tá? — Ele pergunta e eu sorrio sozinha.

— Oi amor, eu estou ótima e você?

— O trabalho tá meio puxado aqui, mas pode falar. — Fala e eu olho para a Lorena, que me encara com os braços cruzados. — Amor?

— Assim que sair da empresa, vem aqui o mais rápido possível. Por favor. — Peço e consigo escutar ele respirar fundo. — E não se preocupa, não estou grávida e nem é nada muito urgente.

— Certeza, amor? — Falo um "hurrum". — Eu saio em duas horas e eu vou aí, e aproveito para te entregar os doces que você pediu para a minha mãe.

— Vem sem pressa! — Digo. — Te amo e bom trabalho!

— Te amo também. — Tiro o celular do meu ouvido e desligo a chamada, olhando para a Lorena.

— O que eu vou falar com ele? — Pergunto e ela dá de ombros. — Ótima amiga você, hein.

— Eu te disse que seria bem melhor você ter contado desde o início, mas essa cabecinha sua só funciona as vezes. — Diz saindo do meu quarto e eu me levanto da cadeira em frente ao computar e caminho até a cama, me jogando ali.

Nós dois namoramos tem um pouco mais de um ano, nos conhecemos na faculdade e viramos grandes amigos e com o passar do tempo, criamos sentimentos um pelo o outro e decidimos tentar um relacionamento. Coisa que deu muito certo.

O Arthur é uma pessoa incrível, e que desde sempre me fez muito bem e que nunca desistiu de mim, o que é quase um milagre.

E assim que o Neymar me disse sobre a vaga na área de psicóloga da CBF, eu decidi não contar nada para ele, por medo que ele se empolgasse muito e no fim eu fosse recusada.

Mas, eu estava errada. Como de costume.

[...]

— Amor?

— Estou na cozinha! — Grito assim que escuto a voz do Arthur e continuo a lavar as louças que eu sujei no almoço.

— Boa tarde, linda. — Ele vem até mim e dá um beijo na minha testa.

— O seu almoço tá no micro-ondas e você deu sorte que eu fiz o seu prato favorito, até porque era a única coisa que tinha. — Falo e ele passa a mão na barriga, me fazendo rir.

— O que você tem que me falar? — Ele pergunta e eu coloco o último prato no escorredor e olho para ele, que está em frente ao micro-ondas esperando seu prato de macarronada esquentar.

— Antes que você brigue comigo, quero que você saiba que eu não te contei, porque eu estava com medo de você criar expectativa e no final dar tudo errado. — Me sento na sua frente em um dos banquinhos da ilha da minha cozinha. — Você sabe que eu sempre tive um sonho de trabalhar em algum time de futebol como psicóloga, não sabe?

— Você fala isso desde que nos conhecemos, amor.

— Então... — Respiro fundo e continuo. — O Neymar me ligou uns cinco dias atrás e disse que ele tinha me indicado para a vaga de psicóloga, para trabalhar com a seleção brasileira.

— Mentira! — Ele arregala os olhos de uma maneira engraçada e eu rio. — Não brinca com isso, amor.

— É sério, amor. — Falo. — E nesses últimos dias eu fiz muitos testes e hoje eu recebi um e-mail dizendo que eu estou oficialmente contratada.

— Puta que pariu, Aurora. — Diz e me abraça forte. — Minha namorada trabalha na CBF, porra.

— Deixa de ser besta. — Dou um selinho nele e ele volta a sorrir feito besta.

— Quando você começa?

— Em um mês! — Digo empolgada. — Eu vou para o Brasil e vou passar uma semana lá, para conhecer um poucos os meninos e depois vamos para Liverpool disputar contra a Croácia, depois para Viena disputar contra a Áustria e depois para a Russia.

— Você vai arrasar lá! — Sorrio.

•••

AURORA; philippe coutinhoOnde histórias criam vida. Descubra agora