Capítulo 41

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Acho que estou perdido sem você.

Eu só me sinto esmagado sem você.

Eu tenho sido forte por tanto tempo.

Que nunca pensei o quanto eu precisava de você.

Acho que estou perdido sem você.

Lost without you - Freya Ridings.

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- Lorenzo narrando:

Achei que ficaria sozinho no quarto, mas sempre me esqueço que, apesar de bondoso e da sua voz suave, Giacomo sempre será o chefe e como todo chefe, ele não perde o controle.

Fiquei no quarto com dois dos seus seguranças e por mais que eu fosse maior que eles, e provavelmente mais competente com uma arma na mão, eu não tinha a menor intenção de fugir deles. Não sem a minha mulher comigo.

Eu comi quando me trouxeram uma massa al pesto e tomei duas taças de vinho tinto que o serviço de quarto me serviu. Eu estava faminto, não havia comido nada durante todo o dia e ainda não tinha dormido, pois passei a noite atrás da Emma.

Como havia me prometido, Giacomo voltou no início da noite e nós seguimos para Messina, junto com um comboio de Land Rover Evoque, todas iguais.

A volta demorou um pouco mais do que o normal, claro, não era eu quem estava dirigindo.

Foram as 4 horas e meia mais agoniantes da minha vida, até chegarmos à vila.

Sinto dois tapinhas suaves no dorso da minha mão que repousa sobre a minha perna e viro o meu rosto para encarando Giacomo.

Seu sorriso animado parece sincero e eu tento retribuir, mas não consigo.

Giacomo sempre me tratou como um filho e meu próprio pai fazia questão que fosse assim. Eu o amava, um amor puro e fraternal, afinal eu fui criado com ele, junto dele. Giacomo me viu nascer, me viu crescer e me viu ir embora.

Sempre tive muita admiração por ele, até achar os meus pais mortos na sala de casa e acreditar, até o dia de hoje, que ele foi o mandante daquele crime hediondo.

Eu ainda não acredito que ele não sabia da represália do Francesco, mas de uma forma estranha eu confio nele agora que conversamos brevemente sobre a morte dos meus pais.

Os carros entram pelo grande portão duplo de metal, alguns a nossa frente e os outros nos cobrindo pela traseira. Assim que paramos, o segurança que está no carona salta para fora do carro e abre a minha porta. Eu desço, dou a volta no veículo e abro a porta para Giacomo, o ajudando a sair do carro.

- Grazie mille, figlio. – ele dá dois tapinhas no meu rosto como forma de agradecimento e me segura pela mão, me puxando para a varanda enorme da casa.

Meu corpo estremece de pânico, há anos eu não volto nesse lugar. Há anos saí daqui fugido, sem querer fugir, e acabei me acostumando com um mundo sem a famiglia, satisfazendo o desejo do meu pai.

Meus pés param sem que eu ordene enquanto encaro a construção grandiosa e Giacomo também para e me encara confuso.

- O que houve? – ele me questiona e todos os seus seguranças para ao nosso redor, já com as mãos em suas armas.

- São muitas lembranças, zio. – digo triste ao lembrar do meu pai naquela varanda. Irritado com a imaturidade dos soldados novos, fumando um charuto enquanto ria com Giacomo ou correndo atrás de mim enquanto brincávamos no quintal da propriedade.

Nos teus braços - Livro 2.Onde histórias criam vida. Descubra agora