11. DIAS ATUAIS

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O mal ainda mora ao lado

Acordei assustada com o toque insistente do interfone. Ainda sonolenta, peguei o celular na mesa de cabeceira e arregalei os olhos ao ver o horário.

Já passava das dez da noite.

Levantei às pressas e atendi.

— Oi.

— Sra. Clara?

— Sim?

— Gostaria de saber se o Sr. Steven está autorizado a subir.

Meu coração acelerou.

— O Steven está aí?

— Sim, senhora.

Sorri sem perceber.

— Claro. Pode deixá-lo entrar.

Desliguei o interfone ainda sem entender o que estava acontecendo.

Por que ele estava ali? E justamente àquela hora?

Corri para o quarto, escovei os dentes rapidamente, passei os dedos pelos cabelos tentando colocá-los minimamente no lugar e tirei a caixa da pizza e a garrafa de refrigerante de cima da cama. Mal consegui deixar tudo na cozinha quando a campainha tocou.

Respirei fundo antes de abrir a porta.

Steven estava parado diante de mim, uma das mãos no bolso da bermuda clara, o olhar preso ao meu.

Havia algo diferente em seus olhos.

Algo intenso.

— O que você está fazendo comigo? — perguntou, sério.

Franzi a testa.

— Como assim?

Ele deu um passo à frente.

— Eu tentei de todas as formas esquecer você por alguns minutos.

Levantou as mãos até meu rosto e o segurou com delicadeza.

— Não consegui.

Seu polegar acariciou minha bochecha.

— Você faz ideia do quanto está mexendo comigo?

Minha respiração ficou presa.

— Steven, eu...

Ele não me deixou terminar.

Apenas encostou os lábios nos meus em um beijo breve, porém cheio de saudade.

Quando se afastou, apoiou a testa na minha.

— Não precisa dizer nada.

Sorriu de leve.

— Eu só queria estar com você.

Meu coração se derreteu.

Segurei sua mão e o puxei para dentro do apartamento.

A porta se fechou atrás de nós, e todo o restante do mundo pareceu desaparecer.

O caminho até o quarto foi preenchido por beijos, risos baixos e abraços apertados, como se tivéssemos passado meses separados, e não apenas algumas horas.

Quando nos deitamos, tudo aconteceu naturalmente.

Sem pressa.

Sem cobranças.

Apenas nós dois, redescobrindo o conforto de estarmos um nos braços do outro.

Cada toque parecia uma conversa silenciosa.

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