O mal ainda mora ao lado
Acordei assustada com o toque insistente do interfone. Ainda sonolenta, peguei o celular na mesa de cabeceira e arregalei os olhos ao ver o horário.
Já passava das dez da noite.
Levantei às pressas e atendi.
— Oi.
— Sra. Clara?
— Sim?
— Gostaria de saber se o Sr. Steven está autorizado a subir.
Meu coração acelerou.
— O Steven está aí?
— Sim, senhora.
Sorri sem perceber.
— Claro. Pode deixá-lo entrar.
Desliguei o interfone ainda sem entender o que estava acontecendo.
Por que ele estava ali? E justamente àquela hora?
Corri para o quarto, escovei os dentes rapidamente, passei os dedos pelos cabelos tentando colocá-los minimamente no lugar e tirei a caixa da pizza e a garrafa de refrigerante de cima da cama. Mal consegui deixar tudo na cozinha quando a campainha tocou.
Respirei fundo antes de abrir a porta.
Steven estava parado diante de mim, uma das mãos no bolso da bermuda clara, o olhar preso ao meu.
Havia algo diferente em seus olhos.
Algo intenso.
— O que você está fazendo comigo? — perguntou, sério.
Franzi a testa.
— Como assim?
Ele deu um passo à frente.
— Eu tentei de todas as formas esquecer você por alguns minutos.
Levantou as mãos até meu rosto e o segurou com delicadeza.
— Não consegui.
Seu polegar acariciou minha bochecha.
— Você faz ideia do quanto está mexendo comigo?
Minha respiração ficou presa.
— Steven, eu...
Ele não me deixou terminar.
Apenas encostou os lábios nos meus em um beijo breve, porém cheio de saudade.
Quando se afastou, apoiou a testa na minha.
— Não precisa dizer nada.
Sorriu de leve.
— Eu só queria estar com você.
Meu coração se derreteu.
Segurei sua mão e o puxei para dentro do apartamento.
A porta se fechou atrás de nós, e todo o restante do mundo pareceu desaparecer.
O caminho até o quarto foi preenchido por beijos, risos baixos e abraços apertados, como se tivéssemos passado meses separados, e não apenas algumas horas.
Quando nos deitamos, tudo aconteceu naturalmente.
Sem pressa.
Sem cobranças.
Apenas nós dois, redescobrindo o conforto de estarmos um nos braços do outro.
Cada toque parecia uma conversa silenciosa.
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Medo
RomanceClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
