Durante todo o caminho, conversamos sobre assuntos leves. Steven não soltou minha mão um único instante. Seus dedos permaneciam entrelaçados aos meus enquanto ele falava, sorria e, vez ou outra, soltava uma risada sincera.
Era bonito vê-lo assim.
Tão leve.
Ainda assim, havia algo em seu olhar que denunciava um nervosismo discreto. Eu o percebia nos pequenos silêncios, no jeito como respirava antes de mudar de assunto. Quis perguntar o motivo, mas não tive coragem.
Na verdade, eu também estava nervosa.
Não fazia ideia de onde estávamos indo, muito menos de quem encontraríamos.
O carro finalmente parou.
Noam abriu a porta, e Steven foi o primeiro a descer. Em seguida, estendeu a mão para mim.
Assim que meus pés tocaram o chão, tudo aconteceu depressa demais.
Flashes.
Muitos flashes.
O som incessante das câmeras me fez congelar por um segundo. Steven percebeu meu desconforto imediatamente. Sem dizer uma palavra, envolveu minha cintura com delicadeza e me conduziu até a entrada, mantendo-me perto dele.
Aquele gesto simples fez meu coração desacelerar.
Foi então que compreendi que aquele evento era muito maior do que eu havia imaginado.
Assim que atravessamos as portas do restaurante, fui envolvida por um ambiente de puro requinte. Lustres de cristal iluminavam o salão, mesas impecavelmente decoradas ocupavam o espaço, garçons circulavam com taças de champanhe e bandejas de canapés, enquanto homens de terno e mulheres elegantemente vestidos conversavam como se todos ali se conhecessem havia anos.
Senti-me completamente deslocada.
Como um peixe fora d'água.
Mal demos alguns passos e várias pessoas se aproximaram para cumprimentar Steven. Ele me apresentava com naturalidade, sempre mantendo uma das mãos sobre as minhas costas, como se quisesse me lembrar de que eu não estava sozinha.
Logo as conversas passaram para assuntos empresariais.
Aproveitei para observar tudo ao redor.
Quem era, afinal, Steven Foster?
Quantos restaurantes ele e os irmãos possuíam?
Quanto poder havia por trás daquele sobrenome?
Antes de conhecê-lo, eu jamais tinha ouvido falar dele. Agora, bastava olhar ao redor para perceber que aquele homem era muito mais importante do que eu imaginava.
E, provavelmente, eu era a única pessoa naquele salão que não fazia ideia de quem ele realmente era.
Lamentei não ter feito uma simples pesquisa no Google.
Um garçom passou oferecendo taças de champanhe e água.
Peguei uma taça de água.
- Quer beber alguma coisa? - perguntei, mostrando o garçom com a bandeja a Steven.
- Água também.
Ele pegou uma taça, aproximou-se e depositou um beijo delicado em minha bochecha.
- Obrigado.
Sorri sem conseguir esconder.
Naquele instante, dois homens acompanhados por duas mulheres pararam diante de nós.
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Medo
RomansaClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
