O medo que ainda me assola.
Acordei sozinha com a pior dor de cabeça da minha vida.
Abri os olhos devagar e demorei alguns segundos para reconhecer o quarto. Estava na casa dos meus pais.
Franzi a testa, tentando entender por que estava ali. Então, como relâmpagos rasgando uma noite escura, as lembranças começaram a voltar.
Jonathan.
A luta.
O sangue.
Levei a mão até a lateral da cabeça e senti o curativo. Logo me recordei dos sete pontos que precisaram dar no corte. Meu ombro não havia deslocado, mas a pancada ainda queimava por dentro. Tentei mudar de posição e um gemido escapou dos meus lábios.
A porta se abriu lentamente.
Meus pais entraram.
O rosto da minha mãe estava inchado, denunciando horas de choro.
— Bom dia, minha filha.
Ela trazia uma bandeja com café da manhã.
— Bom d...
A frase morreu quando uma pontada atravessou minha cabeça.
Fechei os olhos com força.
— Nossa... como dói...
Mesmo falando quase num sussurro, os dois ouviram.
— A pancada foi muito forte. Você levou alguns pontos e precisa descansar bastante. Infelizmente essa dor vai continuar por alguns dias.
A tristeza na voz dela parecia ainda mais dolorosa que o machucado.
Ela colocou a bandeja ao meu lado.
Nesse instante, a porta tornou a abrir.
Steven entrou.
Só então percebi a enorme mancha arroxeada em sua mandíbula.
— Você acordou... graças a Deus.
Ele sorriu de leve, mas havia um peso enorme naquele sorriso.
Olhei fixamente para o hematoma.
— Ontem... no hospital... eu não vi isso.
Apontei para seu rosto.
Ele ignorou a pergunta.
— Vamos nos concentrar em você agora.
Sentou-se ao meu lado e, com extremo cuidado, passou os dedos próximos ao curativo.
— Está doendo muito?
Apenas confirmei com um movimento de cabeça.
— Que horas são?
Olhei para a claridade que entrava pela janela.
— Você dormiu quase vinte e quatro horas.
Meu espanto deve ter sido evidente.
— Era esperado. A médica lhe deu medicamentos fortes para aliviar a dor. Eles provocam bastante sonolência.
Passei a mão pelo rosto.
— Ainda estou morrendo de sono... parece que nem dormi. Onde está a Lívia?
Olhei imediatamente para meus pais.
— Está na minha casa.
Foi Steven quem respondeu.
— Ela queria ficar aqui com você, mas achei melhor levá-la para ficar com Beth. Ela ficou muito assustada quando viu você daquele jeito. Precisava se distrair um pouco.
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Medo
RomanceClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
