Abri meus olhos e reconheci o local, estava no hospital, toda cena da tragédia veio em frações de segundos como imagens em minha cabeça, puxei o ar para os meus pulmões, antes de gritar.
- Lívia!? Lívia - Gritei ignorando a dor na minha garganta.
- Clara, calma - Eram meus pais e Steven, vieram para perto de mim - Está tudo bem!
- Não, não está... minha filha... minha filha! - Falo em meio ao choro forte.
- Lívia está bem. Ela já foi atendida e já recebeu alta.
- Não, não ... ela morreu. - Eu tentava explicar a eles em meio a soluços, eu queria explicar para eles o que tinha acontecido com ela.
- Não amor, ela já está em casa, ela só foi apenas dopada. Se acalme, por favor.
- Ela está viva?
- Sim ... viva!
Choro mais ainda. Alívio e dor ao mesmo tempo por minha filha ter visto e passado por tanta coisa.
- Eu preciso vê-la, agora, por favor. - Me esforço, engolindo o choro para tentar falar.
- Sim, mas você precisa...
- Eu preciso vê-la, por favor, eu dependo disso. - Olhei para Steven com um olhar suplicante, até que ele concordou com a cabeça olhando para mim.
- Vou ligar para Noam para trazê-la.
Acalmei minha cabeça no travesseiro com as palavras dele e agradecendo a Deus por aquele grande milagre.
Minha filha estava viva.
Minha mãe apertou minha mão e eu virei a cabeça para olhá-la, em seu rosto haviam lágrimas e um sorriso. E mais uma vez não precisávamos de nenhuma palavra para expressar a gratidão e o entendimento uma da outra. Fechei meus olhos e continuei segurando a mão dela fortemente, em seguida Steven também veio e pegou na minha outra mão.
Lembrei então do meu bebê, passei rapidamente minha mão na barriga. Deus por favor, que o bebê tenha sobrevivido também. Olhei para Steven se aproximando de mim e ele sorriu.
- Deu tudo certo amor, nosso bebê está bem.
Olhei para meus pais, e pelo olhar eles já sabiam.
- Estamos tão aliviados agora - Ela falou.
Fechei os olhos e chorei as imagens de Jonathan caindo em minha frente, cenas que nunca iriam sair da minha cabeça, era só isso que eu via quando eu fechava os olhos.
- Ele morreu? - Perguntei só para certificar.
- Sim - Steven respondeu secamente.
- Quanto tempo eu fiquei dentro daquela casa? -Perguntei por que tive uma vaga lembrança de sair da casa de Jonathan já de noite quando me levaram na maca.
- A negociação durou mais de cinco horas.
- Ele atirou da janela, acertou em alguém?
- Não.
- Os pais dele já sabem?
- Sim.
Parei e tentei acalmar minha alma, olhei para Steven.
- Como você sabia que eu tinha ido para a casa dele?
- Seu celular - Ele falou com a voz cheia de culpa e ao mesmo tempo de confiança. - Eu ativei o rastreador do seu celular no meu celular, caso um dia eu precisasse.
- E precisou!
Ele concordou com a cabeça em meio a dor. O silêncio mais uma vez prevaleceu.
Só abri meus olhos novamente quando ouvi a porta se abrir e ver Lívia entrando. Minha visão ficou totalmente borrada, mas tentei me segurar para não assustar ainda mais minha filha. Ela se aproximou devagar e pegou minha mão suavemente, com cuidado como se não quisesse me machucar, não sabia ela que era aquele toque que me mantinha viva. Nos abraçamos forte. Nós duas choramos, sem parar e eu a apertei com força e a beijei sem parar.
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Medo
RomanceClara Brayner finalmente está livre. Após anos em um casamento abusivo, ela reconstrói sua vida ao lado da pequena Lívia, acreditando que a felicidade, mesmo simples, está ao seu alcance. Mas Clara sabe que sua liberdade tem limites: seu ex-marido p...
