13. DIAS ATUAIS

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Não havia mais como negar: às vezes eu mesma me perguntava se estava enlouquecendo.

Não sabia dizer se era tristeza, exaustão ou o início de uma depressão. Só sabia que, se passasse mais um dia trancada dentro daquela casa, afundada em lembranças e arrependimentos, acabaria perdendo completamente o pouco de sanidade que ainda me restava.

Eu estava cansada de chorar.

Cansada de sentir pena de mim mesma.

Cansada de ver minha vida parada enquanto Jonathan continuava livre, respirando o mesmo ar que eu.

Quanto mais tempo eu demorasse para resolver tudo aquilo, mais distante estaria da única coisa que realmente desejava: conquistar minha liberdade ao lado da minha filha... e, quem sabe um dia, encontrar um caminho de volta até Steven.

Os dias passaram arrastados, pesados, quase intermináveis. Já fazia mais de uma semana que Lívia e eu estávamos na casa dos meus pais. Aquela sensação de estar escondida do mundo estava me sufocando.

Na segunda-feira pela manhã, acordei decidida.

Levantei cedo, tomei um banho demorado e escolhi uma saia lápis preta de cintura alta. Completei o visual com uma blusa branca de mangas compridas e gola alta, escondendo os hematomas que ainda marcavam meu pescoço. As manchas arroxeadas já haviam cedido lugar a um tom amarelado, mas ainda denunciavam tudo o que eu tentava esconder.

Calcei um sapato preto de salto baixo, arrumei Lívia para a escola e, antes de sair do quarto, parei diante do espelho.

Os hematomas do rosto também começavam a desaparecer. Passei maquiagem com cuidado para suavizá-los e prendi os cabelos em um coque baixo, deixando alguns fios estrategicamente soltos para esconder o curativo e a parte raspada da cabeça.

Respirei fundo.

Ainda havia uma mulher machucada diante daquele espelho... mas ela já não parecia completamente derrotada.

Saí do quarto de mãos dadas com Lívia e fomos até a cozinha, onde todos já tomavam café.

Assim que entramos, senti três pares de olhos pousarem sobre mim.

— Bom dia.

Sentei-me ao lado de Cecília, enquanto Lívia ocupava a cadeira ao meu lado.

Minha mãe foi a primeira a quebrar o silêncio.

— Por que está arrumada desse jeito?

Sorri discretamente.

— Porque hoje eu volto ao escritório. Tenho muitas coisas acumuladas. Não posso ficar chamando a Carla para trabalhar daqui toda vez que surgir um problema.

Minha mãe franziu a testa.

— Filha... seria melhor você repousar mais alguns dias. E, sinceramente... não acho seguro você sair sozinha por aí.

Balancei a cabeça.

— Não vou fazer esforço. Vou passar o dia inteiro sentada atrás de uma mesa. E quanto a sair sozinha... — dei um pequeno sorriso sem humor — infelizmente, não tenho muitas opções.

Meu pai apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Eu entendo que você esteja cansada de ficar em casa, mas não acho prudente circular por aí enquanto Jonathan estiver solto.

Olhei discretamente para Lívia, que nos observava em silêncio, claramente desconfortável.

Fiz um leve gesto com a cabeça para que eles mudassem de assunto.

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