Capítulo 3 - Quer um conselho? Se não tiver coragem de morder, não rosne.

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Na manhã seguinte, eu acordei com uma dor terrível no traseiro, o que me lembrou do tombo que eu levara na noite anterior. Por Deus, que pessoa burra deixava água fervendo e ia tomar banho?

– Parabéns, Anahí, parabéns! – Resmunguei enquanto tentava levantar da minha cama enorme sem esbarrar em nada, o que era impossível. Fiz um malabarismo insano e consegui me colocar em pé sem maiores danos.

Olhei-me no espelho e concluí que, infelizmente, eu estava tão roxa que parecia ter saído de uma sessão de sadomasoquismo. Amaldiçoei-me mentalmente e escolhi uma calça social cinza e uma camisa de seda preta, ao menos me incomodaria bem menos que um jeans apertado. O lado ruim do meu trabalho é que eu não posso trabalhar de vestido. Poder até posso, mas imagina a cena eu correndo atrás de um fugitivo de vestido?

É melhor deixá-los nos momentos para "matar" um homem... se é que me entendem.

Tomei uma ducha rápida, me vesti e coloquei um blazer preto, para fechar o visual. Calcei meu sapato fechado de salto grosso, fiz uma maquiagem leve, peguei minha bolsa sport colocando minha arma e distintivo junto a outras coisas essenciais para um dia de uma mulher, como minha marmita e sai.

Bocejei durante o caminho inteiro enquanto tentava, em vão, pensar no que eu escreveria no meu relatório sobre a confusão que acontecera no dia anterior, pois deixei um suspeito após dar-lhe voz de prisão sozinho, o que não deveria acontecer. Mas o que eu faria? Deixaria aquele pequeno e adorável animal morrer no meio da estrada?

Animal!? Alfonso Gostoso Herrera!!

Não tem como não olhar qualquer animal a partir de agora e não lembrar daquele maldito veterinário, presunçoso que se acha a última bolacha do pacote. Não faço o tipo dele? Faça-me rir!! Vou fazê-lo comer na minha mão e depois despachá-lo com a maior crise de bolas azuis já vista na face da terra.

Cretino!

Olhei rapidamente a hora no painel do carro e percebi que estava atrasada, não tinha como meu dia ficar melhor!?

Um automóvel ultrapassou na minha frente sem dar seta e eu xinguei enquanto apertava a buzina com toda a força que tinha.

– Filho da put* Barbeiro – Berrei de dentro do carro, porém seria impossível qualquer pessoa me escutar de dentro de um carro todo fechado.

***

– Bom dia Anahí, dia chuvoso não é mesmo?! – Frederico, um dos policiais do balcão de entrada da delegacia, me cumprimenta assim que eu adentro no salão oval da recepção.

Eu não gosto dele. Assim como não gosto do supervisor que havia transferido o outro policial bonzinho que ocupava o agora cargo deste ser dos infernos. Ele era um senhor tão calmo e gente boa. Já o atual é um indecente inescrupuloso.

– Eu sei que o dia está chuvoso. Por isso estou usando guarda-chuva, não está vendo?

Aprendendo a amar!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora