Capítulo 34 - Primeiro Encontro

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Um encontro.

Poncho me levaria para um encontro, como ele mesmo disse. Não era apenas uma saída entre amigos pra beber em um bar qualquer, ou dançar em uma balada da moda. Ele disse encontro. E na hora confesso que pirei, gelei, fiquei sem palavras. Eu não era uma garota que saia para encontros, podem me julgar. Me chamar de vadia ou o que quiserem. Não me importo, tenho os meus conceitos todos bem resolvidos, obrigada. Esses preconceitos me cansam. E fez um bem danado a minha vida quando eu decidi não ligar para o que os outros pensam de mim. Eu só queria ser feliz, me divertir, viver intensamente.

Mas mesmo sendo tão cabeça aberta, a palavra encontro era algo que me deixa com receio. Talvez seja o fato de eu nunca ter tido relacionamentos sérios. O máximo de encontro que eu tinha com caras era direto em seus apartamentos, encontros esses que sempre terminavam em sexo, sem enrolações. Sempre bati o pé diante de convites de outros caras e lhes dizia: "Não saio pra encontros, obrigada."

E agora, ironicamente, ali estava eu. Era isso o que eu estava prestes a fazer e com Alfonso Herrera.

E olhei pelo espelho pela milésima vez, Deus, eu estava parecendo uma adolescente com medo do primeiro encontro e eu estava nervosa.

Um homem nunca teve tanto poder sobre mim, mas o fato dele ter sido o mais difícil para pular para os finalmente, deixou tudo mais emocionante. Uma verdadeira vergonha, isso sim.

Onde já se viu uma mulher com mais experiência que idade ter essas crises de ansiedade?!

"É só o Poncho, ele não é um Deus." falei comigo mesma e meu cérebro não gostou nada, retrucando em resposta "Mas se bem que podia ser, com toda aquela beleza!"

Eu vestia um vestido vinho, curto e colado até a cintura e soltinho no quadril e saltos maravilhosos. Quase nunca conseguia me produzir daquela forma. Por trabalhar horas na delegacia com corre corre na maioria das vezes, perseguições e tudo mais. Poucas vezes ia pra boates e apenas nessas vezes eu deixava a detetive que se vestia o mais confortável possível, de tênis ou botas baixas de lado e me produzia a rigor. Soltei meus cabelos que estava arrumado em cachos. Modéstia a parte, eu estava arrasando com esse visual.

Mas nada que costumava me distrair estava funcionando. Eu não conseguia parar quieta.

Sua imagem ia e vinha a todo momento em minha memória. Devo dizer que existiam duvidas inaceitáveis dentro de mim. Eu não conseguia entender o porquê de ter ficado tão obcecada por um cara. Que a única coisa que o diferenciava dos demais era a gentileza, um estilo sexy/sexual, um sorriso para lá de convidativo e coisas que eu poderia passar horas citando.

Portanto, isto fica para outro momento. Pois meu relógio me encarava com as palavras escritas: "Você tem um encontro, benzinho. Mas posso perceber que está morrendo de medo de como isto acabará!"

Respirei fundo tentando me recompor do meu pequeno surto e quase conseguindo, quando o interfone tocou na cozinha. Aí uma maldita tremedeira tomou conta de mim, o que me deixou com raiva.

Recuperei a minha confiança e liguei o foda-se para aquela história de encontro, que conhecendo um pouco dele, deve ser romântico, eu agiria como sempre, não me deixaria abater por tudo o que Poncho andava me causando ultimamente. Eu não recuaria diante daquele seu sorriso torto e molhador de calcinhas. Não iria me rebaixar com as suas gentilezas. Não fraquejaria ao receber os seus toques. Eu iria ser forte. Passaria por esse momento como a mulher independente e segura de si que eu sou. Por esse motivo, respirei fundo e encarei aquilo como a mulher que sempre fui.

Aprendendo a amar!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora